Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Comércio Entre a Ásia e a América Latina

8 de Janeiro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Intercâmbios | Tags: , , , , , , , ,

Todos percebem que o comércio entre a Ásia e a América Latina (excluindo o México que faz parte da Nafta) tem aumentando rapidamente. Ainda não se dispõe dos dados de 2009, mas segundo as estatísticas da Organização Internacional do Comércio, nos cinco anos entre 2004 a 2008, a taxa média das importações latino- americanas da Ásia cresceram, em média mais de 43% ao ano. É um crescimento assustador, totalmente fora dos padrões usuais. As exportações também cresceram bastante, mais ao nível de 30% ao ano, que não é uma cifra desprezível, mas deixou um déficit de cerca de US$ 20 bilhões em 2008 para a América Latina.

grafico 1

Estes e os demais dados deste texto são desagradáveis para os que não são especialistas, mas todos necessitam estarem conscientes da importância que estes relacionamentos já adquiriram, pois afetam diretamente nossas vidas.

Segundo os dados do FMI, as exportações brasileiras para a China, nos seis anos entre 2003 a 2008, cresceram em média, 34% ao ano, que é uma performance brilhante. Mas as importações, no mesmo período cresceram mais de 53% ao ano, passando de um nível de US$ 2,1 bilhões para US$ 18,8 bilhões, enquanto as exportações somaram cerca de US$ 16,4 bilhões.

grafico 2

Ainda que os dados anteriores não sejam totalmente comparáveis, por serem de fontes de organismos internacionais diferentes, pode-se estimar que o comércio bilateral do Brasil com a China represente cerca de 20% deste total com a Ásia, em 2008. Isto mostra que existe, ainda, uma diversificação bastante grande, com importações e exportações de cerca de 80% para outros países asiáticos, como o Japão, a Coreia e a Índia, o que é bastante saudável. As exportações brasileiras para a China chegam a cerca de 8% do total para o mundo, enquanto as importações já chegam a 11%, o que mostra que precisamos conhecer melhor aquele país.

De qualquer forma, os dados comprovam a importância da Ásia e da América Latina, reciprocamente, nos seus comércios externos, recomendando que os demais intercâmbios caminhem na mesma direção, aumentando o conhecimento entre estes dois continentes. Não podemos ficar com idéias exóticas ou errôneas, uns dos outros.

Principalmente porque a tendência futura é do aumento da importância deste comércio, pois são regiões onde predominam as economias emergentes que aumentarão o intercâmbio entre si, até para superar a atual crise econômica mundial que atinge mais profundamente as economias desenvolvidas como as norte-americanas e européias.

No entanto, se a China vem aumentando as suas exportações para o resto do mundo, num ritmo elevado, isto se deve, em parte, a sua política cambial que mantém o yuan extremamente desvalorizado, fortemente vinculado ao dólar norte-americano, que também perde importância. As exportações criam empregos.

E se as importações brasileiras daquele país crescem mais que as nossas exportações, uma parte da responsabilidade é do real extremamente valorizado. As importações reduzem os empregos locais. Estes desequilíbrios não são sustentáveis a longo prazo e precisam ser corrigidos para um relacionamento saudável, mais equilibrado.

Uma famosa e consagrada economista internacional sempre dizia que, em comércio, o importante é não ser importante, ou seja, não podemos depender demasiadamente dos outros, mesmo dos asiáticos.



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