Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Artigo Emblemático

10 de Março de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , ,

Existem alguns artigos emblemáticos, como este escrito pelo jornalista Gideon Rachman, do Financial Times, publicado no influente jornal econômico japonês Nikkei, questionando se o Japão está pendendo para aproximar-se mais da China.

Evidentemente, em se tratando de dois países importantes na Ásia, nada mais natural que o relacionamento entre ambos tendam a se intensificar. Mas isto acontece no momento em que o relacionamento bilateral dos japoneses com os Estados Unidos passa por uma fase delicada.

O Japão enfrenta suas dificuldades, depois de décadas em que se mantém estagnado do ponto de vista econômico, ainda que tenha um elevado padrão de renda per capita e sua população esteja declinando. Sua dívida pública atingiu a 180% do seu PIB, e não há qualquer plano crível para reduzi-la. A Toyota enfrenta uma terrível crise. A economia japonesa decresceu 5% no ano passado.

As esperanças depositadas no novo premiê Yukio Hatoyama viraram fumaça, e o prestígio do seu gabinete atinge recordes de queda. A sensação da fraqueza do Japão parece exagerada no resto do mundo.

O Japão continua tendo um papel estratégico no Pacífico, em que pese as rusgas sobre a base militar em Okinawa. O problema das armas atômicas norte-americanas no Japão, agora divulgadas, é um problema delicado, que pode despertar fortes emoções em segmentos importantes da opinião pública japonesa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Katsuya Okada, disse que o Japão seguiu os Estados Unidos “muito de perto” e agora será a “Idade da Ásia”. Mas acena para uma política mais “equidistante” e com a América Latina continuará com relacionamento “qualitativamente diferente”.

Que algo está acontecendo, e que isto é importante, ninguém pode duvidar. E que o Japão está inexoravelmente integrado na Ásia parece uma realidade inquestionável.

O premiê Hatoyama pode parecer hesitante, mas algo mais profundo que o próprio governo, do Japão com a Ásia, parece estar se consolidando.

É evidente que o Japão não pode pender para China, abandonando o seu longo relacionamento com os Estados Unidos. Mas pode procurar uma política externa mais equilibrada e diversificada, com outros países da Bacia do Pacífico e mesmo do resto do mundo. Vai ser uma tarefa de grande magnitude, e que vai exigir uma visão política e diplomática mais ampla.

No conjunto, um reforço do relacionamento com o Brasil deve ser pesado adequadamente, pois parece ingênuo que algumas pessoas tenham considerado que poderiam dar mais prioridade para os países africanos.



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