Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Exemplo da Coreana Samsung

28 de Abril de 2010
Por: Kazuhiro Kurita | Seção: Empresas | Tags: , | 8 Comentários »

É importante observar que esta nota está no importante jornal japonês Nikkei, reconhecendo que o sucesso mundial da coreana Samsung decorre da importância que dá para a adequada preparação dos seus recursos humanos. No mundo globalizado, eles são adequadamente treinados para se enraizarem nos mercados externos, o que não tem se conseguido nas empresas japonesas.

A notícia enfatiza que a Samsung tem um plano de longo prazo, com metas estabelecidas para 2020, para alcançar vendas de US$ 400 bilhões. A peça central para tanto é o centro de preparação dos seus recursos humanos, localizado nas proximidades de Seul, que comporta até 4.000 pessoas diariamente. É uma das 13 unidades da Samsung para esta finalidade.

samsung_centro 

Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos  da Samsung

Estes recursos humanos são treinados para competir no mundo todo de forma agressiva, pois dependem 90% do mercado externo, principalmente com os jovens. Os estagiários são designados para serem treinados no exterior, onde procuram se familiarizar com os idiomas e criar relacionamentos locais. Mais de 4.200 funcionários já foram treinados.

samsumg_grafico Um caso relatado refere-se a um funcionário de 37 anos que foi designado para São Paulo, onde os sete primeiros meses foram utilizados para se familiarizar com o idioma local, que começou com conversas com faxineiras, e só depois de três meses começou a se relacionar com executivos de empresas locais. Muitos treinamentos em idiomas são feitos na Coréia.

A Samsung mantém um forte relacionamento com instituições universitárias, tanto na pesquisa como no preparo de funcionários, que recebem bolsas e são convidados para ingressar no grupo depois de formados.

O escritor japonês Wakiti Sakaguchi, que escreveu o artigo de onde foram extraídas estas informações, reconhece que estes funcionários coreanos são como antigos guerreiros japoneses. E estão preparados para disputar competitivamente nos mercados internacionais.

Entre os especialistas brasileiros corre a informação que os coreanos figuram entre os mais competitivos para vencerem a concorrência do trem rápido no Brasil, com o forte respaldo das autoridades daquele país. Se estes exemplos não forem imitados pelas empresas e autoridades brasileiras, as chances de nossa competitividade internacional ficam comprometidas.


8 Comentários para “Exemplo da Coreana Samsung”

  1. Jaime Pereira da Silva
    1  escreveu às 09:08 em 29 de Abril de 2010:

    Governos e empresários inteligentes investem na educação do povo, mesmo que seja apenas visando a competitividade. No Brasil, infelizmente, parece que dói investir em Recursos Humanos. O pessoal faz isso como se estivesse jogando dinheiro fora. Mas temos muitas empresas se adiantando nesse quesito.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 20:05 em 29 de Abril de 2010:

    Caro Jaime Pereira da Silva,

    Como V. reconhece, as coisas estão mudando, e a nossa esperança que seja rapidamente.

    Paulo Yokota

  3. Ernesto Fujiki
    3  escreveu às 11:52 em 29 de Abril de 2010:

    Olá bom dia, Paulo:
    Já se tem falado há 2 anos ou mais e com muita preocupação a falta de mão de obra nas área técnicas, de engenheiros a técnicos supervisores/capatazes, soldadores etc.
    Hoje estão convocando os aposentados.
    E vai piorar daqui a alguns anos. O que se nota é que não vejo nenhum sinal das empresas privadas a se unirem com as Universidade e outras fontes de recursos educacionais para formar urgente e ràpidamente esses profissionais. Sei que existem programas de capacitação em algumas companhias, mas de uma forma muito tímida, deveria ser de ambito nacional. Seria copiar o que foi feito na Coréia do Sul há decadas e na refinação dos métodos de hoje.
    Nesse passo de tartaruga no nosso sistema de educação, vamos “importar” especialistas dos países vizinhos.
    Pergunta-se: o que pensam os empresários brasileiros? Há movimento para superar a crise?
    abraços/Ernesto

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 19:21 em 29 de Abril de 2010:

    Caro Ernesto Fujiki,

    Existem alguns empresários e empresas que investem na formação de recursos humanos no Brasil. Mas, comparado com o que se faz em algumas empresas coreanas, deve-se reconhecer que é insuficiente. Algumas autoridades estão preocupadas com o assunto e o investimento no pessoal de nível técnico está melhorando.

    Esta demanda que existe hoje deve estimular mais a formação deste pessoal. As universidades privadas estão aumentando, e muito, os seus alunos. Há uma maior consciência dos jovens sobre a importância destes estudos.

    Paulo Yokota

  5. Ariane de Oliveira O
    5  escreveu às 15:57 em 13 de Maio de 2010:

    Nunca tive muito interesse sobre a Samsung , mais agora que tenho que fazer uma pesquisa sobre a trasnacional, vi que é legal e quero saber, é só uma dúvida :

    – a Samsung tê filiais no Japão ou tipo eles tem alguma coisa contra?

  6. Paulo Yokota
    6  escreveu às 07:18 em 14 de Maio de 2010:

    Cara Ariane de Oliveira Ottoni,

    Obrigado pela pergunta. Na realidade, a Samsung se tornou um grupo gigantesco que detem 20% do PIB coreano, sendo altamente eficiente na área eletrônica. Concorrem, principalmente, com as japonesas Panasonic e Sony, mas não estão encontrando dificuldades para entrar mesmo no mercado japonês com seus produtos, considerados bons e mais baratos.

    Paulo Yokota

  7. Kevelyn
    7  escreveu às 11:37 em 23 de novembro de 2012:

    Bom Dia Paulo!

    Gostaria de saber como a Samsung se Globalizou?

    Desde já agradeço !

  8. Paulo Yokota
    8  escreveu às 14:31 em 23 de novembro de 2012:

    Kevelyn,

    Estas empresas coreanas não contavam com um mercado interno expessivo e foram obrigadas a procurarem mercado no exterior. Como os coreanos imigraram para diversos paises, depois da Guerra da Coreia, estabeleceram nucleos importantes pelo mundo, e procuram atuar de forma a aproveitarem as informações que contam nestes mercados. Além disso investiram forte em tecnologia, e são agressivos no marketing, ganhando condições de competitividade.
    Paulo Yokota

    Paulo Yokota


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