Mudanças Econômicas se Aceleram no Mundo
28 de junho de 2010
Por: pauloyokota@gmail.com | Seção: Editoriais | Tags: diversos motivos, mudanças aceleradas
Todos estão constatando que as mudanças no cenário internacional estão ocorrendo em um ritmo acelerado, principalmente na área econômica. Desde a crise que abalou o mundo, o cenário geral não parou de se alterar, com os países desenvolvidos levando mais tempo para se recuperar que os emergentes, enquanto o sistema bancário continua vulnerável e o endividamento público elevando-se quase descontroladamente em muitos países. Os financiamentos disponíveis estão ficando mais difíceis.
Acidentes naturais estão alterando o quadro, tanto pelos problemas climáticos como os ocorridos nas minas de carvão e nas explorações de petróleo em águas profundas, estes últimos exigindo maiores cuidados nos projetos. Tudo isto eleva o custo da energia e outras matérias-primas, provocando efeitos inflacionários, apesar das economias continuarem desaquecidas em muitos países industrializados. No quadro político, apesar das reuniões estarem aumentando, com o recente do G-8 e depois do G-20, não se consegue obter um consenso, pois os problemas enfrentados são diferentes do ponto de vista dos diversos países.
Tudo isto aumenta as incertezas, que também apresentam os seus custos. Lamentavelmente, o futuro do mundo vai ficando cada vez menos claro, ainda que alguns países emergentes venham compensando o mundo com o seu desenvolvimento e ampliação dos seus empregos e mercados internos. As necessidades de infraestrutura, matérias-primas e alimentos aumentam, deixando perspectivas mais promissoras para países como o Brasil, que tem possibilidades para o aproveitamento destas oportunidades.
Mas as necessidades de recursos para tanto são elevadas, e não se pode continuar dependendo exageradamente de investimentos, financiamentos e empresários externos, cada vez mais cuidadosos e limitados. Até a colocação de ações da Petrobras demonstraram que o mercado ficou mais cauteloso e contido. Eles vão considerar sempre seus interesses prioritários, desenvolvendo uma espécie de neocolonialismo.
Tudo isto exige uma prioridade bem clara para os projetos que devem ser selecionados. Deve-se promover uma discussão profunda, que se espera ocorra durante a campanha eleitoral, para deixar clara qual a orientação esperada pelos eleitores brasileiros, pois quem for eleito não pode se restringir as suas prioridades, sem contar com um claro mandato da população. O conveniente é que isto ocorra em nível técnico, havendo um consenso razoável, no mínimo sobre os projetos básicos.
Desde ponto de vista, o Brasil parece não ter atingido ainda a maturidade desejável, e alguns dos seus vizinhos ainda não consideram estes assuntos com a profundidade requerida. Ao mesmo tempo em que se faz necessária uma flexibilidade para ajustarem-se as mudanças que continuarão ocorrendo no mundo.
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