Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Mudanças Expressivas na Construção Naval Mundial

8 de Fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia | Tags: , ,

Existem muitos setores industriais que estão se deslocando para novos países produtores, mas o exemplo mais dramático parece ocorrer no setor estratégico de construção naval. É uma indústria de base que, além de construir navios e seus componentes, também constroem equipamentos pesados, como as plataformas que dão suporte para a extração petrolífera e de gás nas costas marítimas.

O Brasil chegou a ser a primeira produtora no mundo, mas deixou de ser competitiva, e está agora recomeçando a retomar suas atividades em função das imensas necessidades do pré-sal. A falta de visão de longo prazo deixou-nos longe dos produtores asiáticos, que disputam acirradamente as grandes encomendas, pois o mundo globalizado vai continuar exigindo transportes marítimos de grandes distâncias.

Grafico 

Um expressivo artigo foi publicado por Mure Dickie no Financial Times, com dados da Thomson Reuters, que compararam o terceiro trimestre de 2001 com o terceiro trimestre de 2010. Mostram que o Japão detinha 32%, seguindo a Coreia que já tinha 34%, sendo seguido pela Europa que tinha 22% do mercado.

No ano passado, o quadro é totalmente diferente, com a China contando com 38%, a Coreia com 34%, ficando o Japão somente com 18% e a Europa com os parcos 7%. O Brasil já não figura expressivamente nem nos dados de 2001 como 2010.

Pode-se verificar, ainda, que o dólar vem se desvalorizando e que o won coreano provocou um ajustamento para acompanhar a sua tendência, para se manter competitivo com o yuan chinês.

Se o Brasil deseja produzir internamente uma parte dos equipamentos indispensáveis para o pré-sal, necessita também pensar numa política cambial que o mantenha competitivo, inclusive neste setor básico, recuperando a situações com que contava nos anos 70 e 80 do século passado.



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