Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Presença da China e do Brasil na África

23 de Fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais | Tags: , , , | 1 Comentário »

David Lewis, da Reuters, com a ajuda de alguns colegas, escreveu um relatório especial sobre a recente forte presença chinesa na África, expressando a esperança que os brasileiros poderiam equilibrá-la. Citando diversos casos concretos, tenta mostrar que os chineses estão investindo pesadamente em muitos países africanos, com muitos financiamentos, mas também tendem a levar sua mão de obra. Isto cria resistências locais, como já ocorreu no passado em Angola com os investimentos cubanos, que acabaram abandonando aquele país, deixando uma imagem negativa.

Lula da Silva investiu diplomaticamente nos países africanos, com a pretensão de contar com o apoio deles para um cargo permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, entre outros objetivos. Com um discurso hábil, considerava que o Brasil era como um irmão dos países africanos, por ter sido igualmente colônia de uma metrópole europeia, tendo a contribuição de muitos descendentes de escravos vindos da África, que se miscigenou com outras contribuições étnicas para formar o povo brasileiro. De fato, muitos africanos consideram os brasileiros como irmãos mais velhos, principalmente onde o português é uma das línguas oficiais.

mapa da africa

O artigo cita um trabalho da Odebrecht na Libéria, onde muitos trabalhadores locais foram empregados na construção de uma ferrovia, contrastando com os chineses que continuam levando para a África grandes contingentes de seus trabalhadores. Na realidade, além do investimento na infraestrutura, efetua-se um trabalho social preparando os recursos humanos locais. Muitos são os exemplos semelhantes, citando-se a Petrobras e a Vale, também presentes em muitos países africanos, tanto na extração de petróleo como de minerais.

A limitação dos brasileiros é a disponibilidade dos recursos para investimentos, onde os chineses levam nítida vantagem. Em 2009, os investimentos diretos estrangeiros somaram US$ 59 bilhões, quando estava em cerca de US$ 10 bilhões na virada do século. Alguns analistas africanos entendem que se o Brasil deseja se diferenciar na África, necessita engajar-se no seu processo de democratização.

Visando empregar a mão de obra local, os brasileiros usam poucos equipamentos nas construções. Isto já aconteceu no passado, quando no próprio Brasil imigrantes internos eram utilizados nas construções civis, pobres em tecnologias de materiais pré-fabricados, além de equipamentos que poderiam provocar acidentes em pessoal pouco treinado.

Os brasileiros, segundo o artigo, desejam efetuar também negócios e, quando se dispõe de recursos minerais ou petróleo, existem expressivas contrapartidas na exportação de produtos industriais. A transferência de tecnologia também está nos planos brasileiros, como os trabalhos da Embrapa para a melhoria da produtividade agrícola, em áreas semelhantes com as brasileiras. Mesmo que alguns produtos locais se tornem concorrentes, como o etanol, há uma esperança que se tornem commodities que possam ser operados no mercado internacional, que não dependa somente de um país fornecedor.

Evidentemente, como em muitas regiões pioneiras, existem problemas de corrupção que necessitam ser acompanhados. A presença diplomática brasileira na África também está se intensificando.

Existem alguns trabalhos tripartites, como os que contam com o suporte financeiro do Japão, e utiliza-se alguns recursos humanos qualificados do Brasil, que usam a mesma linguagem em países como Angola e Moçambique.

Fica-se com a impressão que o engajamento brasileiro na África tem possibilidades boas a longo prazo, pois os chineses estão muito afoitos para a obtenção de seus recursos minerais e naturais, para atenderem suas próprias necessidades.


Um comentário para “Presença da China e do Brasil na África”

  1. Presença da China e do Brasil na África » Asia comentada | Info Brasil
    1  escreveu às 23:41 em 23 de Fevereiro de 2011:

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