Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Redução de Estudantes Japoneses no Exterior

21 de Fevereiro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura | Tags: , , , | 2 Comentários »

A jornalista Miki Tanikawa, do The New York Times, escreveu um artigo estranhando a redução de estudantes japoneses que estão procurando universidades no exterior. Isto contraria a tendência que está se observando em todo o mundo. Ela informa que, de acordo com as últimas estatísticas disponíveis do Ministério de Educação e Ciências do Japão, em 2008 este número declinou 11%, para 67.000, quando comparado com 2007. Houve uma redução de 20% comparado com o pico superior de 2004.

Segundo Tatsu Hoshino, uma conselheira independente de estudantes estrangeiros em Tóquio, nos últimos três a quatro anos sente-se que há um declínio firme nestes números. Ele vai contra a direção dos principais empregadores japoneses que procuram expandir a procura de recursos em novos mercados, dentro da estratégia de contratar novos talentos. Também Hitomi Okazaki, editor chefe da web site líder na localização de empregos no Japão, informa que há uma defasagem com a procura dos empregadores.

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Presidente da Universidade de Harvard, Drew Faust, durante conversa com grupo de estudantes femininas de Keio Senior High School

No Japão, somente 68,8% dos estudantes que devem graduar em março próximo tinham encontrado emprego, o que é recorde baixo, pois em 2007 era de 81,6%. As autoridades japonesas estão dando estímulos para eles estudarem no exterior, pois o Japão necessita de pessoal orientado internacionalmente.

O professor Naoki Ogi, da Hosei University de Tokyo, informa que costumava ter seis a sete alunos no seminário de estudantes avançados de 20 membros. Atualmente, não tem ninguém, num seminário de 17 membros. Em sua explicação, ele acha que os estudantes japoneses estão ficando cada vez mais introvertidos e avessos a riscos, evitando desafios.

Hochuen Kwan, secundarista da Waseda University de Tokyo, disse que acredita que seus colegas japoneses estão menos motivados e se empenham menos que os de Hong Kong, de onde ele veio. Existem os que atribuem a situação ao quadro econômico, havendo um desencontro no mercado de trabalho, pois muitas empresas japonesas estão procurando recursos humanos externos recentemente, contratando não japoneses.

Algumas grandes empresas japonesas que operam no mercado internacional estão aumentando o contrato de não japoneses entre 30 a 80% do total. De outro lado, uma empresa que recruta mão de obra para pequenas e médias empresas encontrou um vivo interesse por estudantes treinados internacionalmente.

Tudo indica que a recente crise que afetou o Japão está provocando mudanças em muitos setores havendo, infelizmente, muitos comportamentos japoneses imitando exageradamente o que seus concorrentes ou colegas estão efetuando, quando as situações apresentam diferenças substanciais, tanto das empresas como dos estudantes.


2 Comentários para “Redução de Estudantes Japoneses no Exterior”

  1. Emilia MieTamada
    1  escreveu às 06:46 em 22 de Fevereiro de 2011:

    Outros motivos podem ser oriundos do que a jornalista educacional Shinagawa Yuka percebeu em suas entrevistas com jovens colegiais do Japão todo: – a preocupante baixíssima autoestima de que sofrem estes estudantes . Apenas 8,8% dos questionados afirmaram que se consideram uma pessoa com valor. Segundo a mesma um índice 10 vezes menor que americanos da mesma faixa etária. Ir para o exterior no mínimo é correr atrás de algum sonho porque acredita em si e no que gostaria de realizar. Porém se não se valoriza o suficiente torna-se muito difícil dar este grande passo . E outro motivo apontado seria a falta de "karisumatiku adult" ou um adulto suficientemente carismático como o Itiro do baseball que seja modelo. E para finalizar em uma entrevista , o prof. Negishi ganhador do premio Nobel considera que além dos jovens não possuirem muitos sonhos , objetivam ter lucros financeiros em curto tempo sem notarem que é necessário a experiência e o amadurecimento para tal. Lamentável. Mas , nós que criamos nossos filhos aqui no Japão temos que estar sempre muito atentos para estes fatos. Um abraço! Emilia

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 07:15 em 23 de Fevereiro de 2011:

    Cara Emilia MIe Tamada,

    Muito obrigado pelos seus importantes comentários. Esperamos que os filhos de brasileiros que estão sendo criados no Japão tenham uma consciência dos desafios que estão ocorrendo em todo o mundo, principalmente nas regiões emergentes, havendo muitos trabalhos a que eles podem se dedicar, realizando-se como seres humanos e também do ponto de vista profissional. O mundo globalizado está necessitando de pessoas que conheçam mais que uma cultura e acredito que eles tiveram oportunidades importantes.

    Desculpe-me por falar de casos pessoais, mas tenho dois filhos e uma filha, hoje adultos, que também moraram algum tempo no Japão e tiveram experiências em muitos lugares do mundo. Não deixo nenhuma herança para eles, mas estou certo que eles podem se realizar como cidadãos do mundo, sendo que um deles, apesar de ter uma ótima posição numa empresa multinacional de primeira linha, está muito realizado trabalhando com ecologia e cuidando dos índios na Amazônia, numa ONG de antropólogos, depois de um período que passou no Tibet, Nepal e Índia.

    Que eles sejam felizes. parece que é a aspiração natural dos pais.

    Paulo Yokota


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