Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

O Lamentável Incidente Com os Nichimuras e Suas Lições

5 de Março de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , , | 3 Comentários »

A Revista São Paulo, da Folha de São Paulo, num artigo de capa de nove páginas, elaboradas basicamente por Morris Kachari, faz uma cobertura ampla do lamentável incidente sofrido por Gabriella Nichimura, 14 anos, no Hopi Hari em Vinhedo, SP, que resultou na sua morte. Filha do casal Silmara e Armando Nichimura que, segundo a reportagem, vivem há 19 anos no Japão, na província de Shizuoka. Ela passava alguns dias no Brasil, depois da última visita há nove anos, falando pouco português como acontece com muitos jovens que estudam em escolas japonesas.

Além de todas as incriminações que devem ser atribuídas ao Hopi Hari e às autoridades responsáveis pela regulamentação e fiscalização destes precários parques de diversões, a reportagem deixa para todos nós uma série de lições. Como a declaração final da mãe Silmara: “Uma coisa eu aprendi. Aquilo que você acha que só vai acontecer com os outros, um dia podem acontecer com você. E aconteceu comigo”. Poucas reportagens, aproveitando este dramático tema, conseguiram dar uma noção aos leitores como vivem muitos brasileiros que trabalham no Japão e seus relacionamentos com o Brasil.

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Gabriella e os pais Silmara e Armando Nichimura

A reportagem muito bem elaborada, com muitas fotos, informa que Silmara Nichimura, 38 anos, é nascida em Guarulhos, e casou-se com Armando, 45 anos, nascido em Itaporã, no Mato Grosso do Sul. Conheceu o marido no supermercado do pai dele, que é japonês, nos arredores do aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Somente os descendentes de japoneses até a terceira geração e seus familiares conseguem o visto para trabalhar no Japão. Ela trabalha cuidando de idosos e ele numa empresa de componentes para veículos.

Possuíam duas filhas, a primeira, Gabriella, lamentavelmente falecida no Hopi Hari, e outra, Hannah, de 7 anos, e ambas estudavam nas escolas públicas, como a maioria dos filhos destes brasileiros que trabalham no Japão, ficando com conhecimentos precários do português. Depois de 15 anos de trabalho naquele país, conseguiram adquirir uma casa própria, financiada pelos próximos 30 anos, segundo a reportagem, o que acontece com muitos que lá se empenham.

Gabriella sonhava se tornar jornalista para cobrir o mundo eletrônico como de Akihabara, um bairro especializado nestes produtos em Tóquio. Seus conhecimentos sobre o Brasil eram semelhantes da maioria dos japoneses, como Amazonas, Rio de Janeiro, Cristo Redentor, futebol e o Brasil de muitos crimes noticiados naquele país.

A família desembarcou no Brasil no último dia 7 de fevereiro para cuidar de assuntos particulares e aproveitar a estada para cuidar de suas documentações, bem como uma viagem por alguns lugares do país que costumam atrair os turistas.

As visitas aos parques de diversões eram comuns no Japão, como ao Universal Studios, Nagashima SpaLand, Laguna Gamagori, Fuji-Q High Land, todos contando com revisões permanentes e cuidados adequados com a segurança dos usuários. A reportagem cobre também outros parques brasileiros fora o lamentável Hopi Hari, e em muitos ocorrem acidentes diante de uma regulamentação menos exigente e cuidados de manutenção e assistência aos usuários sempre precários.

No Japão, a vida humana e qualquer dano físico ao corpo têm penalizações rigorosas, pois eles são preciosos, e precisamos aprender no Brasil o mesmo que está banalizado com a elevada quantidade de vitimas. Que a morte da Gabriella não tenha sido em vão, reduzindo estas irresponsabilidades.


3 Comentários para “O Lamentável Incidente Com os Nichimuras e Suas Lições”

  1. Nikos
    1  escreveu às 22:52 em 5 de Março de 2012:

    Não são apenas os parques de diversões que estão em estado precário. O Brasil como um todo está muito ruim. Somente para aqueles que nunca saíram do país é que enxergam que o Brasil está “avançando”. Mas para quem vive no exterior, e vendo o Brasil de longe, é nítido que o país saiu pouco do lugar. A renda aumentou, a produção também, mas a educação ficou estagnada. Civilidade e cidadania andam longe do povo da samba, futebol e carnaval.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 07:29 em 7 de Março de 2012:

    Caro Nikos,

    Oliveira Lima nos ensinou que no primeiro momento nota-se as coisas boas, e depois de algum tempo nota-se as mazelas. É conveniente fazer um balanço geral. Viví e trabalhei em muitos países, acho que temos coisas que precisamos melhorar, mas muitos estrangeiros acham que viver no Brasil é melhor que em muitos países chamados desenvolvidos. Esteja certo que estamos melhorando, talvez possamos acelerar estes aperfeiçoamentos, exigindo mais segurança. Só na medida em que não nos conformamos é que podemos melhorar.

    Paulo Yokota

  3. Jose Comessu
    3  escreveu às 09:22 em 6 de Março de 2012:

    Caro Paulo, a menina se chama Gabriela e não Silmara.

    A familia é de Iwata cidade vizinha a Hamamatsu.

    Realmente lamentavel o acidente.


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