Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Especialista em Cinema Japonês em Concurso Acadêmico

29 de Abril de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , ,

Jojoscope, site especializado no incremento do intercâmbio cultural do Brasil com o Japão, recomenda a sua notícia sobre a aprovação pela nota máxima do doutor João Luiz Vieira no concurso realizado no Departamento de Cinema e Vídeo do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense. O concurso foi para o título de professor-titular e foi realizado nos últimos dias 24 e 25 de abril, na sede daquela instituição em Niterói.

João Luiz Vieira é conhecido como o mais profundo conhecedor do cinema japonês no Brasil, tendo recebido uma bolsa da Fundação Japão como personalidade cultural para visitar aquele país. Entre os seus inúmeros trabalhos sobre os assuntos relacionados com a cinematografia japonesa, destaca-se o que analisa o trabalho do consagrado diretor Ozu Yasujiro, que inovou o cinema pelo uso da câmera ao nível dos atores. Sua atriz preferida foi a eterna musa Hara Setsuko, que se encontra atualmente com mais de 90 anos, lembrando com o seu comportamento os monstros sagrados como Greta Garbo.

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A banca, na leitura da ata, da esquerda para a direita: Prof. José Dias (Teatro-UNIRIO), Profa. Nízia Villaça (ECO-UFRJ), Profa. Maria Dora Mourão (ECA-USP), Profa. Maria Cristina Ferraz, Presidente da Banca (ECO-UFRJ) e Prof. Luiz Carlos Soares (História-UFF).

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Ozu Yasujiro e Hara Setsuko

A matéria integral do Jojoscope sobre o assunto pode ser acessado pelo: http://jojoscope.com/2012/04/ozu-hara-o-sublime-no-conema-japones/ ou simplesmente pelo blog indicado Jojoscope no nosso site, que pode proporcionar uma visão conveniente.

Parece importante obsevar que o conhecimento do doutor João Luiz Vieira não se resume somente a este diretor e suas obras, que já seria monumental, mas de todos os cineastas consagrados do cinema japonês. A simples observação dos trabalhos que foram efetuados na época de Ozu pelos japoneses, em condições mais limitadas, nos leva a lamentar o nível e a quantidade da produção atual que chega aos apreciadores do cinema.

Pode ser que sejamos considerados saudosistas, mas parece que a abundância dos recursos técnicos disponíveis acabou banalizando o cinema, o que não acontece somente no do Japão.

A violência gratuita, as velocidades e os efeitos visuais proporcionadas pelos recursos da informática acabam expulsando das salas de cinema os que desejam algo mais sublime, na terminologia utilizada pelo Jojoscope. Poucas são as oportunidades para aprender um pouco dos sentimentos humanos, como os transmitidos pelas imagens e gestos, pelos silêncios, pelo branco e preto.

Hoje, muitos estranham que os filmes daquela época sempre envolviam conversas de poucas palavras, cenários simples e elegantes de um pequeno quarto com tatami e shoji, movimentos lentos mas expressivos. Tudo quase zen, minimalista.

Sempre se fica com a impressão que os “trailers” atuais são para recomendar aos frequentadores das cada vez mais limitadas salas de cinema que não venham assistir aos filmes, lamentavelmente.

Mas é sempre confortante saber que ainda existe vida inteligente neste mundo, e que acadêmicos como João Luiz Vieira procuram transmitir às gerações futuras que o belo continua encantando e estimulando reflexões.



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