Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Limitações nos Organismos Internacionais

17 de Abril de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , ,

Uma entrevista dada pela diretora gerente do FMI – Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, à correspondente em Washington de O Estado de S.Paulo mostra que estes organismos já não possuem a importância que tinham no passado, contando com dirigentes burocráticos. Lamentavelmente, pode ser o destino do Banco Mundial que tem como presidente Jim Yong Kim, indicado pelos Estados Unidos, que veio desenvolvendo trabalhos técnicos na área de saúde, em termos internacionais.

Estes organismos foram criados como braços das Nações Unidas para a reconstrução mundial depois da Segunda Guerra Mundial e desempenharam o papel dentro dos limites possíveis, no mundo onde os Estados Unidos e a Europa tinham importância, tanto que detinham os seus comandos com estadistas, ao mesmo tempo em que providenciavam os recursos para as suas atenções. O mundo passou por uma transformação profunda, com a redução da importância destas duas regiões, ao mesmo tempo em que outros países aumentaram a sua presença no cenário internacional.

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Christine Lagarde, presidente do FMI, e Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial

Hoje, estes organismos precisam contar com recursos provenientes de outros países, que são levantados a custo de mercado internacional com a colocação de bônus ou contribuições de cotas feitas por países emergentes, com destaque para a China. E possuem uma monstruosa burocracia que gozam dos privilégios diplomáticos com benefícios trabalhistas, inclusive previdenciários, de funcionários de organismos internacionais.

Na lamentável entrevista de Christine Lagarde, ela defende os Estados Unidos e a Europa da brutal injeção de recursos no mercado internacional para salvar os bancos privados, não tendo a visão de uma estadista para olhar o interesse do mundo. Não tem a humildade e a visão para reconhecer que este tsunami de recursos não está criando empregos mesmo nestas regiões, havendo trilhões de recursos financeiros ociosos nas empresas que precisam buscar uma remuneração e acabam sendo aplicados em alguns países como o Brasil, Japão e Suíça que precisam se defender estabelecendo alguns tipos de controle.

O Banco Mundial é um apelido do BIRD – Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, e muitos países no mundo globalizado necessitam de reformas profundas para poder continuar a contribuir para o bem-estar da população mundial. Tiveram que acomodar um médico nascido na Coreia, com cidadania norte-americana, como tentativa de aplacar as tensões para melhor distribuição do poder nos organismos internacionais. Mas ele não conta com experiência diplomática de organismos complexos como esta instituição.

Na tentativa de salvar a reunião sobre o meio ambiente Rio + 20, o diretor executivo do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Achim Steiner, propõe a criação de um novo organismo mundial, à semelhança da Organização Mundial de Saúde. Estas organizações exigem contribuições pesadas dos países membros, e poucas conseguem resultados expressivos, como tem se observado na OMC – Organização Mundial de Comércio ou UNCTAD – United Nations Conference on Trade and Development e outros similares. São somente cabines de empregos internacionais, que não contam com controles adequados.

Muitos países deixaram de participar de organismos como a UNESCO (educação e cultura) e a FAO (agricultura e alimentação), pois acabam sendo dominados por burocratas que se perpetuam nos seus cargos, sem que resultados práticos sejam obtidos.

Se já é difícil controlar o custeio nos governos de qualquer país, nos organismos internacionais que dependem de muitos, as acomodações acabam sendo piores do que se encontram nos parlamentos de alguns países.



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