Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

A Japonesa Marubeni no Mercado Internacional de Cereais

30 de Maio de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , | 2 Comentários »

Ainda que a Ásia, envolvendo principalmente a China e o Japão, seja a maior importadora de cereais do mundo, suas empresas não conseguiam competir com as grandes organizações e tradicionais como a Cargill, ADM, Dreyfus e a Bunge. Agora a Marubeni lança-se num projeto ousado, investindo mais de US$ 5,3 bilhões, adquirindo a norte-americana Gavilon, pela qual pagou US$ 3,6 bilhões e assumiu todo o seu passivo. Visa operar em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde já adquiriu a Terlogs que opera nos portos e participa da Amaggi, uma supridora de cereais. A notícia foi divulgada por muitos jornais importantes como o Nikkei, Financial Times e reproduzida pela Folha de S.Paulo.

Mesmo que os japoneses tenham colaborado decisivamente na transformação do cerrado brasileiro em produtor de cereais, ampliando a sua produção de soja, não haviam conseguido uma expressiva participação na sua comercialização, apesar de serem seus importadores. Isto só seria possível se tivessem uma atuação globalizada, começando no chamado “Green Belt” norte-americano que sempre foi uma tradicional região fornecedora de cereais. Agora, as futuras expansões das produções como as que devem ocorrer nas savanas africanas podem ser comercializadas para continuar a abastecer a China, que continuará aumentando suas importações. É uma aposta ousada, transformando a Marubeni numa trading globalizada.

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Estas operações com cereais são hoje sofisticadas, pois operam na Bolsa de Chicago, inclusive no mercado futuro, envolvendo muitas moedas, ainda que sejam negociadas em dólar norte-americano. Dependem de recursos humanos habilitados para operarem como “traders”, o que a Marubeni conta tradicionalmente. Mas uma habilidade que costuma dificultar as empresas são as aquisições feitas dos produtores, havendo entre elas muitas cooperativas que contam com informações atualizadas das bolsas, mas ainda onde predominam os produtores familiares, que necessitam de relacionamentos pessoais.

Normalmente, as grandes operadoras internacionais não trabalham na sua comercialização, deixando a produção para os agricultores que acompanham de perto a evolução do plantio, tendo capacidade para decisões rápidas. Um ataque de uma praga, por exemplo, exige a tomada imediata de medidas, não podendo depender da burocracia hierárquica de uma grande empresa.

O objetivo da Marubeni é atingir uma operação de 33 milhões de toneladas ano, o que corresponde atualmente ao volume de uma Cargill. De forma não tradicional das empresas japonesas, a Marubeni conseguiu incorporar executivos de outras empresas que atuavam com alimentos. Também deseja operar em conjunto com grandes empresas como as chinesas China Grain, Sinograin e Shandong Liuhe Group.

A Marubeni terá competidores tradicionais na área, e objetiva superar em resultados as grandes tradings companies japonesas como a Sumitomo e a Itochu. Serão desafios interessantes, mostrando que os japoneses estão se tornando cada vez mais globalizados.


2 Comentários para “A Japonesa Marubeni no Mercado Internacional de Cereais”

  1. Ana Fabbrini
    1  escreveu às 20:16 em 30 de Maio de 2012:

    As empresa japonesas gastaram, no ano passado, cerca de oitenta e quatro bilhões de dólares com aquisições de companhias estrangeiras. Vejo que, no presente ano, não será diferente. Ademais, muitos grupos do Japão estão construindo novas fábricas no Brasil, tais como Horiba, Toyota Motor, Pilot, Yakult, Nissin/Ajinomoto, Asahi Glass, Daikin, Kanto Auto (Kanjiko), Takata, Panasonic, Omron, Nippon Sheet Glass (Pilkington), Sumitomo Rubber, Toyota Industries, Nissan etc. Quem disse que o Japão está decadente? Abraços.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 22:16 em 30 de Maio de 2012:

    Cara Ana Fabbrini,

    Obrigado pelo comentário. A dificuldade japonesa reside no fato que suas atividades no Japão não são mais competitivas, necessitando investir no exterior. Muitos idosos japoneses não contam com os recursos para suas despesas no Japão, tendo que se transferir para alguns países vizinhos ou próximos, onde o custo de vida é mais baixo. E o seu endividamento público é extremamente elevado, ainda que financiado com recursos internos.

    Paulo Yokota


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