Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Problemas dos Países Emergentes na Crise Atual

15 de Maio de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , ,

Folheando-se as notícias dos principais meios de comunicação econômica relevantes no mundo, nota-se a perplexidade que toma a conta de muitos pseudoanalistas. A abundância de informações “on time” proporcionados pela internet provocam uma espécie de poluição que acaba confundindo até os estudiosos mais experientes, acentuando a natural volatilidade dos mercados nos períodos de crise. A concorrência acirrada dos diversos veículos de informação, disputando as atenções dos agentes econômicos, faz com que os jornais sofram as desvantagens do tempo indispensável para serem impressos e atenderem os seus leitores. Muitos assuntos se tornaram descartáveis e as paranoias dominam muitos ávidos de informações atualizadas, muitas delas plantadas por interesses variados. E que acabam se invertendo no dia seguinte.

Jamil Anderline, do Financial Times, publicou um artigo, reproduzido pelo Valor Econômico, que começa refletindo uma expressão que teria sido utilizado por Li Keqiang no passado, que deverá substituir o premiê Wen Jiabao no próximo ano. Que os dados sobre o PIB chinês seriam “produzidos pelo homem” e, portanto, pouco confiáveis. Muitos chineses não se fiam demasiadamente nos seus dados estatísticos, que devem apresentar deficiências de elaboração superiores aos que são os da maioria dos países emergentes, inclusive os brasileiros. Muitos preferem utilizar “proxis” como o consumo de energia elétrica, dados de transportes ou empréstimos bancários para avaliarem a evolução do produto nacional. E tudo que se refere à China parece carregar admirações ou contrariedades, diante da performance impressionante de sua economia nas últimas décadas.

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Li Keqiang

O autor do artigo coloca em dúvida que a economia chinesa esteja efetuando um pouso suave, com a redução do seu crescimento que ainda se mantém elevado. Ele desconfia que a queda seja mais acentuada. As autoridades chinesas teriam se atrasado na tomada de medidas visando à reativação de sua economia, diante de problemas como os relacionados com o expurgo de Bo Xilai. O fato concreto é que estão tomando medidas para facilitar o crédito visando a retomada dos seus investimentos.

Também na Índia medidas de reaquecimento da economia estão sendo tomadas, como ocorre no Brasil, ainda que os dados oficiais indiquem que continuam acima dos brasileiros em matéria de crescimento.

As economias fortemente dependentes das exportações estão recebendo impactos restritivos com o que ocorre na Europa e no Japão, além do aumento da concorrência com os produtos norte-americanos que aumentam as suas exportações com a desvalorização acentuada do dólar.

Parece que o mais conveniente é utilizar as tendências detectáveis e minimizar as fortes flutuações diárias que atingem todas as bolsas e fonte de informações econômicas. Baseadas nelas, o cenário parece indicar a necessidade de medidas ousadas para a reversão do quadro, dentro de um cenário internacional adverso.

Para alguns analistas parecem exageradas as preocupações com o recrudescimento do processo inflacionário num quadro onde os preços das commodities indicam quedas acentuadas. Em economia, além do multiplicador do produto decorrente dos investimentos, funcionam os chamados aceleradores, cujos impactos em conjunturas negativas são mais fortes ao atingirem as indústrias consideradas de base.

Para esclarecer os leigos, quando das vendas dos produtos finais decrescem, as demandas de máquinas para a sua produção chegam a próximo de zero, pois nenhum empresário estará aumentando sua capacidade produtiva neste quadro. Na atual economia globalizada, estas tendências se propagam por todo o mundo, exigindo programas ousados para a sua reversão.



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