Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Cautela Japonesa Com a Nova Política Monetária

6 de Abril de 2013
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , , ,

Ficaram mais evidentes as diferenças da economia japonesa com outras no exterior com as reações diante da nova política monetária do Bank of Japan, banco central daquele país, agora presidida por Haruhiko Kuroda. No exterior, ouve-se um amplo reconhecimento da ousadia do novo “monetary easing”, num montante mais agressivo do que o FED – banco central dos Estados Unidos, provocando uma aceleração da desvalorização do yen, uma substancial elevação das ações na bolsa de Tóquio, visando perseguir uma elevação da inflação para 2% ao ano. Mas seria interessante entender a reação cautelosa da imprensa japonesa, que se espera conheça melhor a sua economia que analistas que atuam no exterior.

O Bank of Japan anunciou a compra maciça de títulos do governo japonês, aumentando o meio circulante visando estimular o crédito e as compras, esperando que a deflação que vinha se observando por muitos anos resultem numa reversão para o aumento da inflação. Ao mesmo tempo, haveria um aumento da competitividade da economia japonesa, aumentando suas exportações e elevando os preços das importações. Como a taxa de juros continua mantido em torno de zero, espera-se que a expectativa de inflação futura acabe induzindo muitos poupadores a utilizarem seus recursos financeiros nos aumentos de consumo, evitando a desvalorização dos seus ativos, ou caminhando para a aquisição de ações que registram uma apreciável elevação quase imediata.

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Haruhiko Kuroda

Num primeiro momento, a euforia provocada poderia ser compreensível. No entanto, há que se considerar que, como em todas as economias, o mercado interno japonês acaba sendo mais importante do que suas atividades no exterior, notadamente as exportações. Os custos das importações serão elevados e muitos produtos de consumo do cotidiano japonês já são importados, principalmente da China.

As poupanças são expressivas no Japão, notadamente dos que procuram assegurar recursos para após a sua aposentadoria, sendo a fonte principal dos recursos estáveis de longo prazo e custos baixos. Eles financiam os projetos de infraestrutura, parte substancial da dívida pública japonesa, bem como recursos para a promoção das exportações dos seus bens de produção.

Há possibilidade que, mesmo com suas rentabilidades passando a ser negativas somando-se às novas perspectivas inflacionárias, os poupadores continuem a preferir a segurança de suas reservas, que acabarão sendo deflacionadas ao longo do tempo mais do que já vinham sofrendo. Pode ser que parte destes poupadores, notadamente os idosos, fique com receio de elevar seus consumos ou aplicar em ações de rendas e valorizações incertas, ficando com o futuro de suas vidas comprometidas.

Mesmo o novo presidente do Bank of Japan havia apresentado algumas dúvidas sobre o efeito de todas as suas medidas, informando que a inflação de 2% deverá ser atingida ao longo de muitos meses futuros.

Como tudo em política econômica, os resultados das medidas até agora decididas ainda dependem do comportamento de muitos agentes econômicos, não havendo uma completa certeza sobre ele. Portanto, um pouco de paciência e caldo de galinha seria recomendável, para os japoneses, o que não acontece no exterior.



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