Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Escalada Que Não Contribuem Para a Redução das Tensões

29 de Janeiro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias, Política | Tags: , , , ,

As disputas dos japoneses com os chineses e coreanos sobre ilhas nos mares que circundam o Japão, a China e a Coreia continuam sendo alimentadas por declarações e atos que em nada contribuem para a redução das tensões que poderiam almejar soluções diplomáticas ou arbitradas. O Peru e o Chile aceitaram a arbitragem feita pela Corte de Haia sobre as áreas do Pacífico que eram pretendidas pelos dois países, estabelecendo os limites dos mares territoriais de ambos os países. É verdade que os problemas no Extremo Oriente decorrem de guerras mais violentas, mas sempre estas decisões diplomáticas são preferíveis às tensões que podem resultar em alguns incidentes de maior monta, que em nada contribuem para o mundo que já conta com excessivos problemas.

O novo presidente da rede de televisão estatal NHK do Japão, Katsuto Momii, respondeu numa entrevista a uma questão sobre o chamado “comfort women”, que se refere às mulheres chinesas, coreanas e filipinas que foram utilizadas sexualmente pelas tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, e minimizou a sua importância, o que irrita os povos afetados, informando que isto ocorreu não só com os japoneses, mas em outros países até europeus quando havia guerras. Paralelamente, o ministro da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia Hakubun Shimomura anuncia que os livros didáticos japoneses serão revisados, explicitando que as ilhas Senkaku e Takeshima, objetos de disputas com os chineses e coreanos do sul, deixando claro que são territórios inerentes do país, quando deveria se constar que estão em litígio.

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Katsuto Momii (foto: AP)                                         Hakubun Shimomura

Informa-se que os norte-americanos já tinham transmitido para as autoridades japonesas que deveriam evitar atos que provocassem reações dos seus vizinhos sensíveis, como a visita ao Templo Yasukuni, onde estão enterrados também criminosos de guerra. Agora, o China Daily divulga que na ata do Congresso norte-americano que aprovou as dotações para o ano fiscal de 2014, sancionada pelo presidente Barack Obama, foi incluída a antiga Resolução 121 da Câmara dos Representantes de 2007 que recomenda ao governo japonês que reconheça, se desculpe, e aceite a responsabilidade história sobre as chamadas “comfort women” da Segunda Guerra Mundial.

Com isto, fica claro que tanto o Executivo como o Legislativo norte-americanos formalizaram aos japoneses os seus desconfortos com as irritações dos vizinhos asiáticos, com os quais tudo indica que os Estados Unidos pretendem fortalecer as relações, com prioridade sobre os japoneses.

Isto prejudicaria a pretensão japonesa que pretende usar o TPP – TransPacific Partnership como uma alavanca para a recuperação de sua economia, ainda que a direita japonesa seja satisfeita com algumas de suas pretensões. No balanço geral, parece que isto não beneficiaria o Japão e deixaria seus aliados em situação desconfortável. Do ponto de vista mundial, não parece que favorece a ampliação da inserção japonesa no atual mundo globalizado.

Ainda que existam pontos de vista divergentes, o pragmatismo diplomático tem sido utilizado internacionalmente, acomodando situações difíceis. Espera-se que as autoridades japonesas moderem eventos que em nada contribuem para a redução das tensões, mesmo regionais.



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