Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Problema Demográfico Japonês é Mais Profundo

13 de Janeiro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: , , ,

Um interessante e sério artigo publicado por Abigail Haworth, do The Guardian inglês no site do The Observer, com entrevistas e pesquisas efetuadas em Tóquio, mostra que o problema demográfico japonês é mais grave, tendo raízes mais profundas do que os possíveis de serem minorados pelas atuais medidas governamentais do Japão. Os solteiros e solteiras japoneses estão aumentando e uma pesquisa realizada em 2011 indicou, segundo o artigo, que 61% dos homens são solteiros e 49% das mulheres na idade entre 16 a 34 anos não estão envolvidas em qualquer tipo de relações românticas, um aumento de 10% com relação há cinco anos. Outra pesquisa mostrou que um terço das pessoas abaixo de 30 anos nunca tinha namorado. Uma pesquisa efetuada no ano passado pela Associação Japonesa de Planejamento Familiar – JFPA mostrou que 45% das mulheres entre 16 a 24 anos não estavam interessadas em contatos sexuais. Mais de um quarto dos homens pensavam da mesma maneira, o que pode ser verdade somente do ponto de vista formal.

Segundo o artigo, algumas razões podem ser apontadas para este comportamento dos japoneses que sempre foram conservadores. Tradicionalmente no Japão, a satisfação sexual de um casal pouco tinha com a constituição da família, que decorria de um entendimento no qual a obrigação dos homens era proporcionar os proventos necessários e das mulheres cuidar dos afazeres domésticos, inclusive dos filhos, cuja responsabilidade não era compartilhada. Hoje, está havendo uma mudança difícil no Japão e muitos homens se sentem menos seguros da sua estabilidade não desejando assumir compromissos como os da constituição de uma família, com uma estagnação econômica de duas décadas e o desastre de Fukushima, enquanto muitas mulheres desejam ser independentes, dando prioridade as suas carreiras entre fatores que podem ser considerados relevantes.

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Que existe uma perplexidade entre os jovens parece universal. Mas observam-se em muitos países tendência para maior liberdade sexual, inclusive mais tolerância com as relações homossexuais, ainda que não contribua para o aumento dos filhos. Não se pode generalizar o desinteresse sexual entre os japoneses, mas as informações colhidas pela autora do artigo é que em alguns segmentos pode ser que até isto está acontecendo. Existem até expressões que se tornaram populares, como Sekkusu Shokogun Shinai, ou síndrome do celibato.

Na realidade, ainda no Japão prevalece a tendência das mulheres abandonarem seus empregos depois da gravidez, e depois dos filhos criados muitas se socorrem dos serviços de tempo parcial. Para manter a sua independência, muitas acabam preferindo manter-se solteiras, cuidando de suas carreiras. Muitas acham que constituir família é mendokusai, ou seja, muito trabalhoso.

A dificuldade destes tipos de pesquisas é que acabam destacando casos de maior destaque, que nem sempre reflete o que acontece com a maioria silenciosa. O artigo menciona alguns casos concretos. Mas os dados como dos nascimentos são confiáveis, e fenômenos mais profundos certamente estão afetando estes comportamentos.

Mas, no Japão, parece que está se consolidando formas que permitem os solteiros viverem mais facilmente que em outros países do mundo, com todas as facilidades disponíveis.

Como o artigo é longo, a sua versão em inglês pode ser obtida na íntegra no: http://www.theguardian.com/world/2013/oct/20/young-people-japan-stopped-having-sex



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