Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Importância da Educação no Brasil

25 de Fevereiro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Educação, Notícias | Tags: , , ,

Apesar de haver quase uma unanimidade no Brasil de hoje que a educação é a chave para a melhoria do país, ainda não se consegue apontar os caminhos objetivos para a sua melhoria, ainda que quantitativamente esteja se avançando, imaginando-se que isto já seria um bom começo. As deficiências básicas dos recursos humanos brasileiros são constatadas pela incapacidade de pensar de muitos, até nas coisas mais simples. As operações básicas de aritmética só conseguem ser feitas com os usos dos calculadores eletrônicos. As redações parecem estar piorando com a disseminação da internet e das redes sociais que utilizam formas sintéticas de comunicação. Os conhecimentos elementares de física e química parecem deficientes quando comparados com outros jovens do mundo. Sem falar nas limitações das formações humanísticas.

Muitas reivindicações nas manifestações públicas mostram que para muitos basta desejar, sem levar em considerações sobre as limitações dos recursos disponíveis ou a necessidade de se produzir antes de se distribuir e consumir, sendo imperativo se poupar uma parte para que haja um aumento da eficiência na produção no futuro. Os bens que deveriam ser utilizados para atender as demandas de melhores transportes são simplesmente destruídos, como se houvesse uma mágica que permitisse a sua multiplicação do nada. Parece generalizada a consciência de muitos direitos e do dever do Estado de providenciá-los, não se conseguindo incutir que só se pode distribuir o que o governo arrecadou de outros. Não se consegue transmitir que a natureza no Brasil é dadivosa, e que se plantando tudo dá, mas que é preciso plantar…

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Tudo parece começar com a falta de uma filosofia da educação, que começa a ser aplicado do berço e com os pais mal preparados diante dos vícios que possuem. Em muitos países, como os nossos concorrentes asiáticos, há uma longa e profunda disseminação dos ensinamentos como de Confúcio, que dão uma grande prioridade para a educação, começando por valorizar os transmissores da cultura, como os professores, os pais, os idosos.

É comum encontrar pais nas reuniões com os professores e dirigentes das escolas clamando por classes com menos alunos, ensinos utilizando as novas técnicas eletrônicas, educadores com refinado preparo. Mas eles não desejam se sujeitar aos seus custos, quando as instituições são privadas. A equação entre os desejos e os meios disponíveis não fecham…

Muitos atribuem às escolas todas as responsabilidades pela educação dos seus filhos, quando a verdadeira educação começa desde a gravidez, sendo vital nos primeiros anos. São os exemplos dados pelos pais as aulas mais importantes, e as escolas mal conseguem sistematizar as convivências sociais complementadas por algumas lições. As dedicações às pesquisas, leituras, aos exercícios podem ser importantes, mas são complementares sobre o que se adquire em casa.

Parece que há um exagero nas preferências pelas escolas tradicionais que conquistaram certo renome, não se cuidando de examinar a orientação educacional hoje aplicada que exige uma pesquisa com a ajuda de especialistas. Em algumas, as disciplinas são consideradas importantes, havendo diversas orientações que devem ser optadas pelos pais.

Também na cultura brasileira parece haver um exagero no bacharelismo, herdado do passado, onde o diploma universitário é considerado vital para a realização dos jovens. Ainda que a demanda, muitas vezes, bem como as realizações dependam muito de ensinos técnicos que estão se intensificando, com um crescimento significativo nos últimos anos. Muitas vezes, uma construção civil não se realiza com eficiência pelo exagero de engenheiros, quando há uma carência de mestres de obra.

Na agricultura, por exemplo, é preciso contar com técnicos agrícolas e menos agrônomos. Nos hospitais, menos médicos que comparecem eventualmente e mais enfermeiros que cumprem jornadas completas nos seus serviços.

Apesar de começar uma revisão de alguns cursos pós-graduados como os chamados MBA em muitos países, ainda que os efetuados em universidades respeitadas proporcionem um currículo valorizado, observa-se que muitas gestões eficientes dependem da adequada absorção das culturas que existem em qualquer empresa.

A exagerada especialização nem sempre permite contar com os conhecimentos de antropologia organizacional, que determinam as dinâmicas dos grupos que existem em qualquer instituição. Muitas organizações passam a preferir formações mais humanísticas que proporcionem habilidades para a convivência com outros profissionais de formações diferentes.

Em qualquer organização ou país existe uma cultura forjada ao longo do tempo, e seria interessante que os conhecimentos de história fossem recuperados. Os exageros de conhecimentos dos instrumentos estatísticos nem sempre permitem as discussões adequadas das hipóteses que estão sendo utilizadas nos modelos simplificados mais tecnicamente sofisticados, como de econometria.



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