Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Recursos Para as Universidades

14 de Maio de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: , , ,

Visitou o Brasil para o lançamento do seu livro, David Swenen, diretor de investimentos da Universidade de Yale, que ajudou a consolidar um sistema denominado “endowment” que, além de promover doações principalmente de ex-alunos, administra estes fundos para ajudar a manter as atividades de uma universidade, bem como as bolsas de estudos para muitos estudantes. O sistema está consolidado nos Estados Unidos, e outras Universidades como Harvard, Texas, Stanford, MIT e Princeton contam com fundos de bilhões de dólares obtidos com doações. Também no Brasil, ainda que recentemente, começam a se consolidar sistemas semelhantes, adaptados às condições locais que não contam com volumes tão expressivos de doações.

Estes fundos são administrados com suas aplicações diversificadas como de um portfólio, visando uma rentabilidade. Somente as rendas obtidas são utilizadas, preservando-se o principal. Nos casos brasileiros que ainda são recentes, além destes fundos serem modestos, a sua experiência não é tão longa, não permitindo que somente a sua rentabilidade seja suficiente para manter uma Universidade, mas parte delas já é sustentada. Muitas bolsas de estudos ainda dependem de doações generosas, na maioria de empresas e instituições financeiras, bem como alguns cursos e contratações de professores que precisam ser preservados. Os recursos orçamentários e as rendas conseguidas com os cursos ainda são mais relevantes.

swensen

Ainda que incipientes, algumas escolas, como o Insper e também a Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas, procuram adotar modelos semelhantes, mesmo que parcialmente. As histórias destas instituições e mesmo da Universidade de São Paulo são menos longas quando comparadas com as grandes universidades norte-americanas.

Alguns projetos específicos de escolas brasileiras já procuram assegurar a sua continuidade com fundos semelhantes. A nova biblioteca da FEA – Universidade de São Paulo, que recebeu também o rico acervo do professor Antonio Delfim Netto, procura formas semelhantes, como a Biblioteca Brasiliana de José Mindlin, que também contam com recursos orçamentários da Universidade de São Paulo.

O que se espera ao longo do tempo é que estes projetos, para terem asseguradas as suas continuidades, independentemente dos seus eventuais administradores e dos humores orçamentários, necessitam contar com fundos que proporcionem os recursos indispensáveis.

O caminho a ser perseguido pelos brasileiros ainda é longo, mas estes exemplos existentes no mundo mostram que existem possibilidades que necessitam ser exploradas. Na medida em que muitos alunos de Universidades públicas tiveram suas carreiras asseguradas, sem despenderem muitos recursos, é mais que natural esperar-se que eles retribuam com doações para a Universidade os benefícios que tiveram o privilégio de usufruir, ainda que em parte, para que outros mais novos tenham as mesmas possibilidades.



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