Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Apesar dos Riscos da Abeconomics no Japão

6 de Fevereiro de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política | Tags: , ,

clip_image002O governo Shinzo Abe nomeia outros diretores do Bank of Japan para apoiar o governador Haruhiko Kuroda na implementação do Abeconomics, apesar das dúvidas existentes.

Governador Hakuhiko Kuroda, do Bank of Japan, recebe novo diretor para apoiá-lo no Abeconomics

Um artigo publicado no site da Bloomberg informa que o governo Shinzo Abe decidiu indicar o economista Yutaka Harada para substituir o diretor Ryuzo Miyao no Bank of Japan, visando auxiliar o governador Kuroda no fortalecimento da política denominada Abeconomics, apesar das dúvidas sobre os resultados colhidos até agora. Miyao tem a mesma posição de que a maior flexibilização monetária vai ajudar o Japão a sair da longa recessão, passando da deflação para a inflação, o que até agora não aconteceu.

Existem os que pensam que somente a concentração dos esforços na política monetária e creditícia não é suficiente para provocar tendências inflacionárias que ajudaria a recuperação da economia japonesa. Na realidade, mesmo com o aumento quantitativo de yens no mercado, como também o Banco Central Europeu foi obrigado a acompanhar os Estados Unidos e o Japão neste esforço, o câmbio japonês, que foi desvalorizado substancialmente, está acusando uma acomodação. Ainda que isto ajude algumas grandes empresas japonesas como a Toyota, não consegue auxiliar as pequenas e médias empresas japonesas, que são importantes naquela economia.

Está se fazendo um esforço no sentido da elevação do salário real no Japão, pois a demanda interna depende da disponibilidade de renda dos consumidores japoneses. Os efeitos, até agora, foram limitados, pois as pequenas e médias empresas japonesas não vêm tomando os créditos disponíveis, diante das dívidas ainda existentes, tanto sobre o mercado interno como das exportações. Os países que não adotam a “quantitative easying” estão provocando a baixa de juros e outras medidas para se manterem também competitivos nesta verdadeira guerra cambial que ocorre no mundo.

Todos sabem que o elevado endividamento público japonês não permite usar muito o instrumento fiscal, pelo contrário, exige o aumento dos impostos que não favorecem a expansão do mercado interno. Muitas famílias continuam cautelosas na expansão de suas compras que não se ampliam, ainda que o turismo estrangeiro aumente no Japão, efetuando grandes aquisições.

O que se afirma é que os japoneses não contam com alternativas, tendo que insistir nesta flexibilidade monetária e creditícia, e a inflação só decorre do aumento dos impostos e não do aumento substancial de sua demanda interna. Os aumentos salariais induzidos para os próximos meses só atingem os funcionários das grandes empresas, pois as pequenas e médias não podem arcar com elas, necessitando introduzir automações que reduzam o impacto de eventuais aumentos salariais.

Não é um quadro fácil para um governo que enfrenta outros problemas políticos como os com os seus vizinhos, necessidade de ampliar os dispêndios de segurança internacional, bem como de presença em outros países que possam ser seus parceiros, pois até as tentativas como do TPP – TransPacific Partnership contam com países que também necessitam ampliar suas exportações.



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