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Reuniões Homologatórias das Decisões do CPPCC

24 de Fevereiro de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política | Tags: , , ,

clip_image001O jornal Nikkei Asian Review está mais bem posicionado que os brasileiros para analisar o que deve ser homologado nas reuniões previstas para os próximos dias na China.

O National People’s Congress da China

As duas mais importantes reuniões da China, The Chinese People’s Consultive Conference, que deve começar no próximo dia 3 de março, e o The National People’s Congress, que começa no dia 5 de março, apesar de reunirem representantes de todo o país, inclusive de Hong Kong e Taiwan, são pomposas, mas meramente homologatórias do que foi decidido no CCPPC, ou seja, o Partido Comunista Chinês. O assunto está sendo abordado num artigo elaborado por Hiroshi Murayama e equipe do Nikkei Asian Review.

Estas reuniões serão as primeiras depois que Xi Jinping se tornou presidente do país em 2013, e consolidou um poder como poucos conseguiram na China. Ele montou uma campanha anticorrupção que atingiu muitos dos seus adversários importantes, como Zhou Yongkang, um ex-membro do poderoso Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês, responsável pela segurança. Também Xu Caihou, um general de alto nível aposentado que era próximo do ex-presidente Jiang Zemin, e Ling Jihau, um vice-presidente do CCPPC aliado do ex-presidente Hu Jintao, entre outros.

Xi Jinping tem o controle total do sistema militar chinês e determina toda a linha política, inclusive econômica que está sendo executada naquele país. Deve indicar o novo presidente do Banco do Povo da China, que é o banco central do país, com a aposentadoria do governador Zhou Xiaohuan. Muitos analistas entendem que nem Deng Xiaoping teve tanto poder, ele que generalizou o sistema de mercado na China.

Entre os assuntos que devem merecer a atenção de todos estão o orçamento militar, que em 2014 teve um crescimento de 12,2% chegando a US$ 130 bilhões, bem superior ao crescimento da economia. O crescimento da economia para 2015 deve situar-se em torno de 7% ao ano, mas espera-se um crescimento dos gastos militares que podem superar dois dígitos. Seria para a construção de porta-aviões e equipamentos antissubmarinos para fazer frente aos Estados Unidos e seus aliados no Mar da China Oriental e Mar da China Meridional.

Outro ponto de interesse será a meta de crescimento econômico que poderá ser reduzido a 7% ante 7,5% do ano passado, que não deve ser alcançado. Muito dos investimentos locais foram considerados imprudentes e deve-se ajustar ao chamado “novo normal”, que não se restringe à China, mas vem se observando em muitos lugares do mundo.

Novos membros do CCPPC devem ser anunciados, e no ano passado alguns grandes empresários chineses foram incluídos. Estão sendo esperadas reuniões para tratar da poluição do ar e da água, incluindo a segurança alimentar. Também as questões de moradias poderão ser abordadas.

No final das reuniões o primeiro-ministro Li Keqiang deve realizar uma conferência de imprensa. Como este evento não é muito frequente na China, multidões de jornalistas estrangeiros estão se dirigindo para Beijing, quando devem ser contemplados com verdadeiros shows políticos do mais alto nível, mas que são importantes para o resto do mundo, inclusive para o Brasil.



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