Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Sebastião Salgado Segundo Ele Mesmo

27 de Março de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, Notícias | Tags: , , ,

clip_image001Com todo o respeito pelo seu impressionante trabalho, o filme que está sendo apresentado acaba sendo limitado por ser uma quase autobiografia, com suas qualidades e visões unilaterais, quando ninguém pode negar todos os seus imensos méritos.

Sebastião Salgado biografado no filme O Sal da Terra

Apesar deste documentário de longa metragem ser uma espécie de autobiografia do fotógrafo Sebastião Salgado, com todas as suas vantagens e desvantagens por ser uma visão quase unilateral, ninguém pode negar os imensos méritos de todo o acervo acumulado ao longo sua brilhante carreira. Ele que está com mais de 70 anos.

Formado em economia, foi trabalhar em Londres na Organização Internacional do Café, na companhia de sua esposa, a arquiteta Lélia Deluiz Warmock Salgado, que é sua parceira fundamental em muitos dos seus trabalhos. Até para fugir da repressão do regime militar, que começou no Brasil em 1964. Ele acabou descobrindo sua vocação para a fotografia efetuando trabalhos por todo o mundo para diversas organizações, como as Nações Unidas, Médicos Sem Fronteira e muitos dos seus projetos que se transformaram em vários livros.

É um filme do diretor alemão Wim Wenders e do filho de Sebastião Salgado, Juliano Ribeiro Salgado, usando o impressionante acervo acumulado ao longo de sua vida. Desde quando vivia numa fazenda do seu pai na região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

Começa com seu trabalho na Serra Pelada, que ajudou a mostrar para o grande público e prossegue pelas muitas jornadas para retratar, sobretudo as pessoas, mas também as paisagens e os animais, acabando por culminar com suas preocupações de preservação do meio ambiente, já quando estava desiludido com a humanidade.

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Foto de Sebastião Salgado em Serra Pelada

Retratou tudo que podia mostrar para o mundo, denunciando com as imagens de suas fotografias, desde os sofridos nordestinos brasileiros, os índios das regiões mais isoladas do Brasil, mas principalmente os africanos que eram obrigados a êxodos nas condições mais adversas com as inúmeras guerras absurdas. Genocídios que o levam ao desespero, a desacreditar na própria humanidade.

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Manifestações dos Sem Terras no Brasil, segundo fotos de Sebastião Salgado

São da África as suas fotos mais dramáticas, com milhões de refugiados das muitas guerras que se repetiram naquele sofrido continente.

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Refugiados na Tanzânia, segundo fotos de Sebastião Salgado

Passando por longas temporadas com os mais variados refugiados na África, em trabalhos inacreditáveis para organizações como os Médicos Sem Fronteira, chega ao desespero assistindo aos genocídios como em Ruanda.

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Onde havia pessoas sofridas, lá ia Sebastião Salgado para fotografá-las para denunciar ao mundo com suas imagens

Para fugir do desespero com a humanidade, imagino, junto com a sua esposa volta-se ao restabelecimento da Mata Atlântica, começando pela fazenda que era do seu pai, que virara uma terra seca, plantando milhões de árvores.

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Lélia Deluiz Wanick e Sebastião Salgado fundam o Instituto Terra para restabelecer a Mata Atlântica, começando da fazenda que foi de seu pai

Sebastião Salgado, um fotógrafo brasileiro que se tornou personalidade mundial, completou um círculo que começou com as denúncias dos sofrimentos humanos, dos animais e da natureza, para servir de exemplo para mostrar à humanidade que existem meios para a preservação do meio ambiente.



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