Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

A Mulata Miss Japan No The New York Times

29 de maio de 2015
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias | Tags: , , , | 26 Comentários »

Já postamos sobre a bela Ariana Miyamoto, mas quando merece um artigo no The New York Times verifica-se que o combate ao preconceito racial no Japão é assunto de interesse mundial.

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Ariana Miyamoto na foto que ilustra matéria no The New York Times

Todos sabem que um povo pouco miscigenado como o japonês, que sempre habitou um pequeno arquipélago, acaba tendendo a preconceitos raciais com aqueles que não são de pais e mães japoneses. No Japão, eles são conhecidos como “hafu”, uma adaptação japonesa da palavra half, e estima-se que são somente 20 mil naquele país. O destaque que ela vem merecendo deve ajudar na maior aceitação deles no Japão.

Na verdade, os japoneses possuem uma tendência a preconceitos com todos que apresentam algumas diferenças do padrão que consideram normais. Assim, quando uma japonesa que estudou no Brasil, onde é usual perguntar em classe aos professores, o que é pouco usual no Japão, ela acaba sendo isolada. Os muito obesos ou os mais inteligentes também sofrem restrições.

Ela é filha de uma japonesa que a concebeu de um curto casamento com um marinheiro afro-americano da Marinha norte-americana, e foi educada numa escola primária no Japão, onde sofreu tratamentos como “kurombo”, expressão que significa pessoa negra. Havia crianças que não a cumprimentavam com um aperto de mão por pensarem que a cor era transmitida pelo contato.

Até hoje ela recebe, por exemplo, um menu em inglês quando num restaurante e a elogiam quando a veem usando um hashi com habilidade. Mas há os que estão entendendo que o Japão está mudando, e sua escolha para Miss Japan seria um sinal.

Ela teve uma alegria quando foi convidada pela família do seu pai para estudar nos Estados Unidos, onde a maioria era como ela. Mas, como tinha um sotaque no seu inglês, preferiu retornar ao Japão depois de dois anos de estudo. Ela se define como japonesa e estudou até caligrafia japonesa, que é considerada uma verdadeira arte, símbolo da cultura daquele país.

Existem algumas preocupações dos promotores do concurso de Miss Universo que exige trajes típicos, apresentações com biquíni, danças de cada país e outros detalhes. Ainda que aparente ser uma japonesa exótica, nem todos entendem que ela tenha as características peculiares das japonesas.

Ela trabalha atualmente como uma atendente numa espécie de bar. Espera que com o destaque que está tendo tenha a oportunidade de tornar-se uma modelo.


26 Comentários para “A Mulata Miss Japan No The New York Times”

  1. Mariano Lima
    1  escreveu às 20:53 em 29 de maio de 2015:

    Um exagero! No Brasil, há muito racismo. Fui, em 2009, ao Japão e adorei, sendo que sou negro.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 21:06 em 30 de maio de 2015:

    Caro Mariano Lima,

    Obrigado pelo seu comentário. Oliveira Lima ensinou que logo numa estada no Japão observa-se os aspectos positivos, e depois de algum tempo começa-se notar as mazelas. O equilíbrio das muitas observações acabam proporcionando uma avaliação mais equilibrada.

    Paulo Yokota

  3. Cláudio Pinto
    3  escreveu às 23:10 em 30 de maio de 2015:

    PAULO, lamento, mas ela não é bonita.

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 09:26 em 31 de maio de 2015:

    Cara Claudio Pinto,

    Obrigado pelo comentário. Acredito que beleza, principalmente de uma mulher, é uma questão muito difícil de conta com um consenso. Mas, ela foi eleita Miss Japan, possivelmente ajudada por ser uma figura exótica para os padrões japoneses.

    Paulo Yokota

  5. Emerson Gonçalves
    5  escreveu às 20:06 em 31 de maio de 2015:

    Yokota,
    A Ariana Miyamoto não estaria fazendo uma propaganda ruim dos japoneses? A moça está mais na mídia não por ser lindíssima, mas pela discussão sobre racismo contra mestiços no Japão. Convenhamos que há nipônicas mais belas que a atual miss, não é mesmo?

  6. Paulo Yokota
    6  escreveu às 09:27 em 1 de junho de 2015:

    Caro Emerson Gonçalves,

    Obrigado pelo comentário. Acredito que não seja ela que está procurando a mídia, mas por ser algo inusitado uma half ser eleita Miss Japan, a mídia tanto japonesa como alguns internacionais têm a procurado. Entre as japonesas há anos já se destaca em diversas atividades as que são inclusive mais morenas pelos efeitos do sol, pois até então havia um exagero de valorização daquelas mais brancas que evitam a expor até a qualquer tipo de insolação.

    Paulo Yokota

  7. Eduardo Furtado Torres
    7  escreveu às 15:04 em 1 de junho de 2015:

    Senhor:

    Mas o amigo acha, de fato, que a mestiça representa a beleza da mulher japonesa? A nipônica conhecida no mundo ocidental é a da etnia amarela, o que não se verifica no caso. A atual miss do Japão é muito diferente das demais mulheres do referido país. Daqui a pouco, os japoneses concorrerão com louras de olhos azuis…

  8. Paulo Yokota
    8  escreveu às 15:35 em 1 de junho de 2015:

    Caro Eduardo Furtado Torres,

    O desejável é que o Japão contasse com populações de todas as etnias, como ocorre no Brasil ou nos Estados Unidos. Ainda são poucos e espera-se que esta Miss Japan ajude no processo de intensificação de japoneses com variadas origens. Existem até ainus que seriam como os indígenas brasileiros, muitos coreanos (o presidente da Softbank é desta origem) e até brasileiros que conquistaram cidadanias japonesas. V. tem razão que predominam os de origem asiática, mas parece que “amarela” não é etnia, pois os japoneses do sul são bastante morenos.

    Paulo Yokota

  9. Gisele Lemos Cunha de Almeida
    9  escreveu às 20:42 em 1 de junho de 2015:

    De acordo com o professor da minha escola, há, sim, o termo etnia amarela (bem como etnia negra e etnia branca). A Miss Japão 2015 é FEIA. A Kurara Chibana é muita mais linda (http://en.wikipedia.org/wiki/Kurara_Chibana).

  10. Paulo Yokota
    10  escreveu às 17:59 em 2 de junho de 2015:

    Cara Gisele Lemos Cunha de Almeida,

    Respeito a opinião do seu professor, mas a cor da pele é uma das poucas características que podem determinar uma etnia. Entre os amarelos, como brancos ou negros existem muitas etnias. Quanto ao conceito de beleza, acho que cada um tem uma preferência.

    Paulo Yokota

  11. Hugo Penteado
    11  escreveu às 09:38 em 2 de junho de 2015:

    Acho ela lindíssima e a miscigenação de ocidentais com japoneses sempre produziu uma beleza incrível, algo frequente. A mistura de raças e a aceitação dela pelo concurso é um passo na direção de lembrar a todos nós que na Terra pertencemos a uma única família, a família dos seres vivos. As diferenças são úteis apenas no campo social, mas todos somos iguais e igualmente importantes.

  12. Paulo Yokota
    12  escreveu às 17:39 em 2 de junho de 2015:

    Caro Hugo Penteado,

    Tendo a pensar que as miscigenações de qualquer tipo produzem belezas exóticas, não se restringindo a seres humanos. Tenho algumas experiências com amigos meus que cultivam flores.

    Paulo Yokota

  13. Carolina Santos de Carvalho
    13  escreveu às 16:33 em 2 de junho de 2015:

    Prezado Paulo Yokota:

    O meu marido gosta de baixar filmes japoneses. De vez em quando, eu assisto com ele algumas produções e posso garantir que há atrizes mais bonitas que essa miss.

  14. Paulo Yokota
    14  escreveu às 17:37 em 2 de junho de 2015:

    Cara Carolina Santos de Carvalho,

    Obrigado pelo comentário. Acredito que beleza apresenta sempre opiniões diferentes. Tenho a impressão que nos filmes sempre se tenta aproveitar os melhores ângulos.

    Paulo Yokota

  15. José Meirelles de Castro
    15  escreveu às 21:16 em 2 de junho de 2015:

    Estimado Yokota, a afro-nipônica não representa a formosura da genuína, legítima mulher japonesa. Boa noite.

  16. Paulo Yokota
    16  escreveu às 21:36 em 2 de junho de 2015:

    Caro José Meirelles de Castro,

    Obrigado pelo comentário. Estes concursos não parecem tentar escolher quem seja a legítima mulher de um povo. Quem seria uma brasileira ou uma norte-americana? No mundo globalizado acredito que a tendência seria a da miscigenação. Muitos não sabem, mas na China como na Rússia existem muitas etnias, desde que aparentam serem orientais, como também árabes. Já tivemos muitas loiras Miss Brasil, quando a predominância do povo brasileiro é das mulatas. Uma contribuição de etnias minoritárias acabam dando um certo exotismo.

    Paulo Yokota

  17. Carlos Silva
    17  escreveu às 20:14 em 3 de junho de 2015:

    Querido Economista:

    A jovem é, indubitavelmente, bonitinha. Respeitosamente, já vi, porém, mestiças mais belas no Estado de São Paulo.

  18. Paulo Yokota
    18  escreveu às 18:45 em 6 de junho de 2015:

    Caro Carlos Silva,

    Obrigado pelo seu comentário.

    Paulo Yokota

  19. Igor Oliveira
    19  escreveu às 14:05 em 5 de junho de 2015:

    Quando se pensa em países como o Japão, a China ou a Coreia participando de concurso de Miss, ninguém imagina uma mulher negra como candidata. Da mesma forma, uma loura de olhos claros como candidata da Nigéria ou do Senegal. Daí, a estranheza de muitos em relação `a Ariana Miyamoto.

  20. Paulo Yokota
    20  escreveu às 18:44 em 6 de junho de 2015:

    Caro Igor Oliveira,

    Obrigado pela sua opinião.

    Paulo Yokota

  21. Tiago
    21  escreveu às 18:05 em 5 de junho de 2015:

    Oi Paulo Yokota,

    Eu acho a Miss Japão bonita. Pode não ser bonita para todos, mas pelo menos, não acredito que haja dúvidas em relação a sua elegância e classe.

    É alta, tem boa postura, esguia, se veste bem… miss não significa apenas beleza, tem que ter outras qualidades.

  22. Paulo Yokota
    22  escreveu às 18:39 em 6 de junho de 2015:

    Caro Tiago,

    Obrigado pelo comentário.

    Paulo Yokota

  23. josiane kawasaki
    23  escreveu às 18:27 em 1 de dezembro de 2015:

    Observo nos comentários que a preocupação em dizer que existem japonesas mais bonitas do que ela é imensa, e isso acontece em vários e vários concursos por todo mundo, alguém discorda do resultado e acha que existe mulheres mais bonitas por exemplo Eu, eu acredito que exista pelo Brasil mulheres e modelos muito mas bonita que Gisele .. a questão que incomoda parece não ser a beleza, e sim a cor …

  24. Paulo Yokota
    24  escreveu às 17:21 em 2 de dezembro de 2015:

    Cara Josiane Kawasaki,

    Obrigado pelo seu comentário. Se existe um conceito muito difícil de gerar uma unanimidade é a beleza, principalmente de uma pessoa. Parece que o que incomoda é realmente a cor.

    Paulo Yokota

  25. Alyson do Rosário Junior
    25  escreveu às 14:34 em 26 de março de 2017:

    Muito interessante e curioso isso! Só agora em 2017 fiquei sabendo disso, uma mulher de fenótipo negro ou pardo eleita representante oficial de um país como o Japão, dos mais homogêneos do planeta, no que se refere à composição racial.

    Deve ser mais uma decisão politica do que técnica, mas é muito animador saber que por todo o planeta há pessoas engajadas em promover a tolerância ao diferente e tentando dar fim a preconceitos de séculos!

    Assim como um negro exercer 2 mandatos como presidente dos EUA, esse fato, ser aceito e respaldado pela sociedade nipônica, dá mais esperança num futuro promissor da humanidade!

  26. Paulo Yokota
    26  escreveu às 09:50 em 27 de março de 2017:

    Caro Alyson do Rosário Junior,

    Obrigado pelo seu comentário. Mesmo ainda assim, o povo japonês apresenta baixo nível de miscigenação racial. Esperamos que o mundo continue reduzindo suas resistências, ainda que elas sejam apreciáveis.

    Paulo Yokota


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