Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Um Desenvolvimento Econômico Mais Equilibrado

26 de Janeiro de 2016
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

clip_image002A transição é sempre dolorosa, não somente no Brasil, pois até na China a desaceleração do seu crescimento está provocando problemas internos, assim como em todo o mundo. A reunião do BIS – Bank for International Settlements, o Banco Central dos Bancos Centrais, mostrou ao Brasil que o problema mundial era mais grave que os brasileiros gostariam de admitir.

Sede do BIS na Basileia, Suíça

Quando Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil, voltou a Brasília assustado com as informações que recebeu do BIS, procurando a presidente Dilma Rousseff, muitos analistas brasileiros apressados informaram que ele estava recebendo instruções para manter a taxa Selic, comprometendo a independência da sua instituição. Ainda que o assunto já esteja esclarecido, muitos críticos do governo continuam questionando a política monetária informando que a independência do Banco Central do Brasil já não mais existia.

Havia uma má informação no mercado imaginando que a crise era somente brasileira e que o recrudescimento da inflação era devido a questões internas. Não há dúvidas que existem dificuldades locais, mas o problema é global afetando muitos países no mundo, não sendo conveniente que haja uma elevação dos juros no momento, pois deve ocorrer uma queda no futuro próximo.

Em que pesem as dificuldades climáticas, as informações do setor rural mostram que ele continua dando a sua contribuição, ajudando no PIB bem como a geração de divisas com suas exportações. Mas o setor industrial está sofrendo dificuldades, como os setores de serviços, havendo necessidade de um desenvolvimento mais equilibrado, com a compreensão dos políticos. Todos desejam que seus problemas sejam resolvidos, não entendendo que as dificuldades não profundas, exigindo sacrifícios de todos.

O professor Antonio Delfim Netto concedeu uma entrevista ao Valor Econômico informando que no regime presidencialista brasileiro a presidente Dilma Rousseff precisa assumir o comando político propondo ao Congresso reformas importantes para superar as dificuldades de credibilidade que perduram no país. Sem a disposição do setor privado não há como voltar ao crescimento, como já está acontecendo até na Argentina.

Só o setor industrial brasileiro, ajudado pelos demais setores, pode ajudar a colocar o país nos trilhos, havendo muito trabalho a ser efetuado, que tem que começar com a urgência possível. Os economistas precisam ajudar fornecer um diagnóstico mais claro, sem ficar insistindo somente nas críticas ao governo, que merece muitas delas.

O Brasil conta com ricos recursos naturais, uma população miscigenada de variadas origens, uma forte disposição ao trabalho e precisa abrir a sua visão para um horizonte mais amplo, sabendo que somente com muitos empenhos poderá voltar às trilhas que percorreu no passado. Teremos um futuro mais brilhante se desejarmos trabalhar duro em vez de criticar somente os outros.



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