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Hiroshima e a Força da Dura Realidade

7 de Fevereiro de 2016
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

clip_image002 Nelson de Sá apresenta na Folha de S.Paulo um artigo com o anúncio inusitado da dura realidade do bombardeio atômico de Hiroshima. Nada pode ser mais expressivo, pois estaremos diante de três dos seus sobreviventes numa apresentação em São Paulo.

Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara em ‘Os Três Sobreviventes De Hiroshima’. Foto do artigo na Folha de S.Paulo

Seria um masoquismo, uma vingança ou algo parecido. Não sei, mas entre os acontecimentos mais dramáticos dos nossos tempos está o bombardeio atômico de Hiroshima, algo que não pode ser esquecido e não pode ser repetido em hipótese alguma. Seria a comprovação de que não somos humanos, mas umas bestas que não merecemos viver.

Conheço pessoalmente Takashi Morita, este incansável presidente da Associação das Vitimas da Bomba Atômica no Brasil. Ele luta bravamente para que seus membros tenham os mesmos direitos de check up e assistência médica, proporcionados regularmente em São Paulo, no Hospital Santa Cruz, do qual fui presidente.

Tomei conhecimento do bombardeiro de Hiroshima ainda na minha infância e, vendo uma revista que reproduzia a crueldade do que lá aconteceu, tenho até hoje na memória aquelas fotos. Estive em Hiroshima, mais de uma vez, para visitar o Museu que existe para deixar registrados os horrores lá cometidos. Mas quando ficamos de frente para as vitimas sobreviventes, o impacto é muito mais profundo e direto. Não são relatos ou fotos, são as duras realidades que temos que enfrentar pessoalmente de forma direta, sem nenhuma possibilidade de subterfúgio.

Pelo que entendi, o diretor Rogério Nagai, cujo avo é natural de Hiroshima, deve apresentar estes três sobreviventes, Takeshi Morita, Kunihiko Bonkohara e Junko Watanabe, no Centro Cultural Hiroshima, em São Paulo. Eles não precisam falar nada, pois mal se expressam em português, mas somente a presença dos três já causa um impacto a todos que comparecerem ao evento.

Qualquer outro material que for apresentado só pode acrescentar um quadro mais didático para aqueles que não conhecem mais sobre os lamentáveis acontecimentos de Hiroshima. A força do evento é a presença destes três sobreviventes. Mesmos seus depoimentos pessoais serão secundários, ainda que expressando como no artigo, a dramaticidade do bombardeio e suas consequências.

Foram vidas ceifadas injustamente, pois não eram responsáveis pela guerra, por quem não sabia das consequências que poderiam advir dos seus atos, cuja extensão só foi se tornando conhecida ao longo do tempo. Os sofrimentos impostos são imensuráveis, e nem as imaginações mais férteis são capazes de proporcionar mesmo parte da noção do que se viveu e continua a se viver até hoje.

Só podemos augurar que as marcas destes eventos sejam permanentes e ajudem que tais acontecimentos não mais se repitam, e conflitos bélicos sejam considerados acontecimentos desumanos para resolver divergências entre os seres humanos.



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