Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Porcelana de Arita Volta a Brilhar na Europa

18 de Fevereiro de 2016
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

clip_image002Numa bolsa especial concedida pelo governo japonês, um grupo de brasileiros, composto pelos casais do embaixador José Botafogo Gonçalves, Akihiro Ikeda, eu e minha esposa, foi convidado a conhecer as cerâmicas de alta temperatura e porcelanas nos principais ateliês japoneses, incluindo os dos chamados Tesouros Nacionais Vivos. Entre eles, estavam os de Arita.

Foto da apresentação na Maison Wa em Paris, conforme consta do artigo publicado no The Japan Times

As cerâmicas de alta temperatura e as porcelanas originárias da China antecederam em muito o seu desenvolvimento na Europa, e durante a Era Meiji havia um grande interesse daquele continente sobre o que se fazia na Ásia, inclusive no Japão. Os chineses produziam porcelanas quando os europeus ainda tinham somente chegado às cerâmicas de baixa temperatura, como os produzidos pelos indígenas brasileiros, como é possível constatar no Museu de Serves, na França. Não era à toa que havia interesse dos europeus nas criações asiáticas, inclusive de Arita, posteriormente.

Depois de um período da redução deste interesse, os japoneses voltam a apresentar muitas produções de peças únicas criadas a mão pelos japoneses, havendo principalmente em Paris alguns estabelecimentos que voltam a mostrar suas produções à Europa e ao mundo. É o que trata o artigo de Daisaku Uchimura e Motoko Mitsuyasu, publicado no The Japan News.

É interessante que se observem estes ciclos com os desafios apresentados para os artistas pelo mercado de objetos de arte, ainda que sejam porcelanas aparentando volumes expressivos do mesmo tipo. Mas, por serem peças únicas, seus preços acabam sendo elevados e mostram toda a capacidade destes artistas, muitos considerados Tesouros Nacionais Vivos, tendo toda a sua produção adquirida pela Casa Imperial para serem expostas nos museus.

A França é um país que sabe apreciar as artes e mesmo se tratando de porcelanas acabam valorizando-as e distribuindo até para o exterior, como aos Estados Unidos. As províncias japonesas procuram estimular a colocação dos produtos de seus artistas no exterior, utilizando todas as tradições que já contam com mais de 400 anos. Muitas empresas estão envolvidas nestes esforços e há um forte intercâmbio com a Europa, iniciado na Era Edo (1603 a 1867) e continua se renovando.

Na realidade, a produção da cerâmica de alta temperatura atual da Europa foi absorvida pelos ingleses no Japão no século XX, havendo hoje várias escolas. Muitas das porcelanas foram comercializadas pelos holandeses, mesmo no período quando o Japão estava isolado até a Era Meiji, sendo famosas as peças de cor azul que era uma característica da produção japonesa.

Estas influências chegaram ao Brasil depois da Segunda Guerra Mundial, com muitos artistas japoneses que imigraram para este país, contando com algumas criações consideradas até no Japão, pela ousadia das inovações.



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