Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Mudanças no Mundo Apesar das Dificuldades

3 de Abril de 2017
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Com os problemas que estão sendo enfrentados pelos Estados Unidos com o governo de Donald Trump e a Europa com o Brexit e outras tendências nacionalistas, parece que a China e a Índia assumem as lideranças nos desenvolvimentos, inclusive com discursos de livre comércio e sustentabilidade, apesar dos problemas de poluição e reformas que também enfrentam.

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Foto de Nova Déli, publicada no Nikkei Asian Review, mostrando a poluição enfrentadas pelos indianos

Um artigo de Pallavi Aiyar foi publicado no Nikkei Asian Review informando que ele vivia na China entre 2002 e 2009 quando as notícias sobre a poluição naquele país chocavam até os indianos. Hoje, a Índia enfrenta problemas semelhantes, ainda que registrem taxa de crescimento econômico que chegam a superar à da China. Com os problemas que estão ocorrendo nos Estados Unidos e na Europa, estes dois gigantescos países asiáticos, ainda emergentes, se tornam líderes atuais no processo de desenvolvimento, mas continuam enfrentando problemas graves de sustentabilidade, tanto com o meio ambiente como reformas que precisam efetivar nas suas economias. Os dois países, politicamente, apresentam diferenças, sendo que a Índia é considerada a maior democracia no mundo e a China conta com o poder concentrado no seu presidente Xi Jinping, por intermédio do Partido Comunista que praticamente é o único relevante naquele país.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump vai aprendendo a duras penas que não pode fazer tudo que pensa, pois, mesmo com o Congresso onde os republicanos são majoritários, existe naquele país um amplo sistema chamado de check and balance, onde o poder político é dividido com o Legislativo e o Judiciário. Ele deve encontrar dificuldades para o seu comércio exterior como na baixa prioridade para a sustentabilidade. No Reino Unido, apesar das decisões do seu plebiscito e das medidas concretas para a separação da União Europeia, está constatando que não encontrará nenhuma facilidade nas suas negociações comerciais com o continente.

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Xi Jinping recebe o presidente das Filipinas Rodrigo Dutente, apesar das suas diferenças. Foto publicada no site da Nikkei Asian Review

Os discursos de livre comércio e integração mundial da China recebem aplausos, mas as reformas internas que precisa implementar são difíceis de serem executadas, exigindo ousados esforços, não se contando com a unanimidade que Xi Jinping gostaria de contar, mesmo dentro do próprio âmbito do Partido Comunista. Mas ele conta com expressivas vitórias no relacionamento externo, como no caso da AIIB – Asian Infrastructure Investment Bank, e também registra avanços na redução da poluição. Na Índia, ainda que o primeiro-ministro Narendra Modi consiga avanços econômicos e políticos, as dificuldades como a da poluição não podem ser subestimadas, bem como a complexidade da democracia num país com tantas diferenças regionais, étnicas e religiosas.

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Narendra Modi e sua equipe reunidos com Xi Jinping e sua equipe

Se a China e a Índia mantiverem suas taxas de crescimento econômico acabarão superando todas as dificuldades internas, pois contam com recursos humanos preparados internacionalmente, capazes de enfrentar suas dificuldades de natureza técnica, mesmo no contexto do mundo globalizado com grandes dificuldades que não aparentam serem de curto prazo.

Os líderes como Xi Jinping e Narendra Modi estão mostrando a capacidade de diálogos com outros países, desde os mais importantes como Donald Trump com sua exuberância verbal como até com os mais modestos de países emergentes com grandes populações. O que aparenta ser relevante a longo prazo é que os fatores demográficos apresentam potencialidades de mercados internos expressivos que acabam interessando a todos os países. Os problemas mais complexos aparentam ser o do devido controle dos sistemas financeiros internacionais, onde os riscos de problemas sistêmicos ainda ameaçam a todos, mas que aos poucos vão sendo submetidos a algumas regulamentações, ainda modestas.

Neste contexto global, a importância do Brasil acabou se reduzindo ainda que fosse considerado até alguns anos passados como de elevada potencialidade. Só na medida em que hajam líderes políticos mais preparados pensando em prazos mais longos, os brasileiros poderão participar destes esforços mundiais, ainda que tenha ampla constelação de fatores naturais para tanto.



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