Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Restauração Meiji e a Política de Shinzo Abe

6 de Fevereiro de 2018
Por: Kazuhiro Kurita | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

clip_image002Da história de qualquer país, que deveria comportar interpretações menos flexíveis, sempre é possível extrair um quadro conveniente que permita analisar a situação atual, ainda que de forma extremamente resumida. Parece ser o caso do artigo do The Economist para a análise da atual política do governo Shinzo Abe.

Foto da família do Imperador da Era Meiji constante do artigo no site da revista The Economist

Pouco se conhece da Era Meiji no Ocidente e mesmo estas notas não contam com o rigor que seria desejável do ponto de vista acadêmico. Além de ser um resumo em alguns parágrafos do que comportam livros. A revista The Economist traça um quadro da época para ajudar na análise da atual política do governo Shinzo Abe que, respeitando a tradição japonesa da Família Imperial, procura enfrentar os problemas decorrentes da redução de sua população e suas consequências sobre a economia nipônica, ao mesmo tempo em que conta com a vizinha China acelerando o seu processo para se tornar a líder no mundo.

Muitos sabem que o Japão se manteve por cerca de dois séculos praticamente isolado do resto do mundo diante do risco que viam do cristianismo ser usado politicamente para dominar aquele país. O feudalismo da época já apresentava visíveis sinais de deterioração e em 1853 os navios norte-americanos exigiam a abertura do comércio (o que inspirou a ópera Madame Butterfly). Os jovens samurais e mercadores derrubaram o Shogunato Tokugawa em 1868 dando fim a sete séculos do antigo regime feudal, mas preservando o símbolo do Imperador Meiji (Iluminado), então com 12 anos, evidentemente com o comando de uma burocracia.

Tendo enviado missões japonesas para os Estados Unidos e a Europa, procurava-se conhecer o que acontecia no mundo moderno da época tendo trazido importantes inovações como a construção de vias férreas com o uso do vapor e a telefonia. O sucesso da modernização foi rápido, tanto que em 1895 o Japão já vencia a guerra com a China, tornado a Corea sua colônia. Em 1905, vencia a guerra contra a Rússia, para surpresa do mundo Ocidental, o que empolgou demasiadamente os seus militares, a ponto de imaginarem que poderia tornar o Japão uma espécie de Reino Unido da Ásia. Tudo desmoronou com a derrota na Segunda Guerra Mundial.

Hoje, se procura ativar a economia japonesa depois de décadas de deflação e estagnação, mas não contam com fortes lideranças políticas ou empresariais para se destacar mesmo na Ásia, com um imperador com um papel simbólico sem nenhuma participação no governo. Para muitos, esta situação é obsoleta, mas para a população japonesa, como também acontece em muitos países europeus, acaba sendo algo simbólico muito difícil de ser mudado.



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