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Rio de Janeiro Exige Estratégias de Longo Prazo

19 de Março de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , ,

Muitos já percebem que medidas de grande impacto na mídia, como a intervenção militar nos problemas políticos de segurança pública do Rio de Janeiro, apresentam dificuldades por não terem sido profundamente estudadas, acumulando problemas de muitas décadas, quando o chocante assassinato da vereadora Marielle Franco exige programas que não podem ser resolvidos em meses.

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O interventor militar na segurança do Rio de Janeiro não comenta o assassinato da vereadora Marielle Franco

Elio Gasperi, que mantém uma coluna no O Globo e na Folha de S.Paulo, vem trabalhado por décadas em assuntos relacionados com o Rio de Janeiro, principalmente do que teria ajudado a desencadear o movimento de 1964 e evoluções posteriores. Ele sugere que o assassinato da vereadora é um novo marco dos que possuem influência na região, demarcando as áreas que consideram próprias, onde dificilmente os militares podem atuar de forma significativa. A ampliação desta intervenção apresenta riscos elevados para o Brasil como um todo.

Pode-se ir mais longe, referindo-se às forças influentes quando a capital brasileira era ainda naquela cidade. Bem como as aventuras políticas dos cariocas que importaram Leonel Brizola do Rio Grande do Sul que dizem ser suspeito de ter feito um acordo com o crime organizado para a convivência na cidade maravilhosa com o governo estadual.

O que aparenta ser evidente é que os militares não possuem capacidade do poder de polícia, numa cidade onde o crime organizado tem participação influente tanto na Polícia Civil como Militar, evidentemente fortemente corrompidas. Qualquer plano para minorar os problemas sofridos pelo Rio de Janeiro exigem equacionamentos mais profundos, que possam ser executados por décadas, incluindo toda ordem de assistência social à população mais carente que tem arcado com o grosso das lamentáveis mortes. As medidas exigem um amplo amparo social, que vai da saúde à educação, não se restringindo à segurança pública.

Existem exemplos de áreas de metrópoles como Nova York, onde o crime organizado tinha praticamente o seu controle. Medidas persistentes de longo prazo ajudaram a recuperar o controle pelas autoridades. Não se pode admitir que não houvesse soluções semelhantes no Rio de Janeiro, desde que programas tecnicamente bem elaborados, para a execução de longo prazo, envolvendo as autoridades federais e estaduais.

Todos percebem que a população local tem uma importância relevante com a sua participação ativa, o que parece estava sendo estimulado pela vereadora Marielle Franco e um grupo que a cercava com ideias idênticas. Não parece que seja um problema militar que deve cuidar dos problemas de segurança, como reduzindo substancialmente o abastecimento de armamentos para o crime organizado.

Numa emergência, os militares podem ajudar com suas qualificações, como nas sistematizações das informações e prestígio que ainda contam junto à população, mas a sua longa exposição acabaria provocando problemas que já existem na polícia civil e militar local. Não se trata de um problema fácil e o que se dispõe de experiências internacionais precisa ser aproveitado, exigindo uma paciência de Jó e recursos substanciais, mesmo quando a economia brasileira enfrenta dificuldades.



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