Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

The Economist Sugere que Estamos Fora da Realidade

7 de Maio de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Ainda na década dos 1950, trabalhando como auxiliar de pesquisa no Instituto de Administração da USP com o sociólogo e professor Olacyr Nogueira, ajudamos a elaborar alguns indicadores sociais do desenvolvimento, utilizando dados de saúde pública e educação, entre outros dados estatísticos disponíveis no Estado de São Paulo. Hoje, o Banco Mundial e a Comunidade Europeia intensificam o uso de outros dados, além das Contas Nacionais, com o PIB, para refletir melhor a realidade da melhoria do padrão de vida das populações em diversos países.

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Ilustração constante do artigo no The Economist que vale a pena ser lido na íntegra

Por incrível que pareça, os gastos dos governos com os salários pagos nas propagandas de cigarros, na produção de napalm e outros armamentos que prejudicam a coletividade são considerados como parte do PIB que teoricamente refletiriam a melhoria do nível de bem-estar da população. Enquanto todos os trabalhos voluntários, que nos Estados Unidos chegariam em 2010 a 26% do PIB, são ignorados, pois não implicam em salários pagos para quem trabalha na melhoria da saúde e outras necessidades sociais da coletividade. É evidente que existem consideráveis distorções que precisam ser compensados por outros indicadores sociais que reflitam as melhorias na educação, na saúde, no atendimento dos idosos e necessitados. O Banco Mundial e a Comunidade Europeia, segundo o artigo publicado no The Economist, estariam preocupados com outros indicadores que reflitam adequadamente as melhorias do bem-estar das populações.

O artigo cita outras distorções. Uma maçã teria o mesmo valor para um pobre como para um bilionário, quando todos sabem que existe um valor marginal decrescente dos recursos utilizados por ambos. Evidentemente, o PIB não estaria refletindo o que a renda poderia proporcionar de felicidade para estes consumidores. Custos sociais, como da poluição ou das mudanças climáticas, são omitidos por estes critérios que foram estabelecidos pelas Nações Unidas depois da Segunda Guerra Mundial. Como poucos envolvidos com a comunicação social conhecem estas tristes realidades, os dados são utilizados de forma que refletem verdadeiros fake news, iludindo a população.

No passado, utilizamos dados como a evolução das doenças transmissíveis, mortalidade das crianças no nascimento ou até um ano de idade ou ainda a repetição dos alunos nas escolas públicas. Hoje, alguns critérios foram alterados com promoções automáticas dos alunos mesmo que não estejam alfabetizados. Solicitei demissão da USP, onde tinha estabilidade, quando na prova do último ano de Economia, um aluno se comunicava com setas relacionando palavras, pois ele não sabia escrever utilizando o verbo. Certamente, o responsável por esta lamentável situação não era o aluno, mas todos os meus colegas da Faculdade desde o seu primeiro ano e eu não desejava ser conivente com esta calamitosa situação.

Parece indispensável que todos tenham a consciência destas limitações, pois os dados das Contas Nacionais são utilizados como se fossem precisos, quando mal conseguem dar uma aproximação grosseira da realidade. Muitos duvidam das estatísticas da China quando o mesmo acontece em todos os países, inclusive os desenvolvidos. É de se ficar espantado quando diferenças de décimos de uma unidade nos crescimentos, como do PIB de um determinado país, acabam mudando até as orientações de políticas como as monetárias, quando não existem precisões nestas grosseiras estimativas.



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