Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Diferentes Visões do Mundo

15 de junho de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

imageConheci Lenina Pomeranz (foto) quando ela era minha veterana como aluna da então FCEA – Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo, que depois mudou de denominação para FEA-USP, que agora inclui também a Contabilidade que sempre existiu. Ela foi minha professora de Administração e acompanhei a sua carreira, ela que já tinha uma visão do mundo diferente da maioria daqueles que trabalhavam naquela instituição nos anos fins da década dos 1950. Por sua indicação, tornei-me auxiliar de pesquisa no Instituto de Administração. Ela era uma discreta componente do Conselho do Partido Comunista Brasileiro, que na ocasião estava na ilegalidade, mas não tinha nenhuma participação em ações que poderiam ser consideradas subversivas. Ela acabou por ir estudar na Polônia, com economistas como Oscar Lange, quando nas Nações Unidas se acreditava que o planejamento econômico poderia ajudar na melhoria dos países chamados na época de subdesenvolvidos. Depois seguiu para prosseguir suas pesquisas na então URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Depois de 1964, pelo que eu saiba, quando o Brasil passou para o regime militar e autoritário, ela sondou o professor Antonio Delfim Netto se poderia retornar ao Brasil sem sofrer restrições das autoridades da época. Informada que nada aconteceria, pois ela não tinha participado de ações violentas, retornou e continuou trabalhando em instituições que empregavam pessoas consideradas dissidentes do governo da ocasião.

É com grata satisfação que pela entrevista feita por Patrick Cruz, constante do suplemento Eu & Fim de Semana, do Valor, Econômico ela mostra uma visão sobre Vladimir Putin diferente do que é usual no Ocidente hoje. Ela lançou, segundo a entrevista, um livro “Do Socialismo Soviético ao Capitalismo Russo”, mostrando que esta transição tenha sido bem-sucedida, alegando que as acusações que se faz ao líder russo não são devidamente fundamentadas. A entrevista não se refere aos patrimônios russos que ficaram com alguns atuais milionários que eram amigos das autoridades, notadamente aqueles que já estavam no exterior, até porque não foi perguntada sobre o assunto.

Estas visões diferentes que também existem na Ásia mostram as diferenças e limitações dos diversos tipos de regime que se consideram democracia no Ocidente, onde o poder econômico fica evidente e nem todos os modestos eleitores têm o mesmo poder político dos que estão nas camadas elevadas da distribuição de renda e da riqueza. Ela se refere a uma democracia administrada na Rússia atual, como também na China existe um regime autoritário com forte concentração do poder aos que controlam o Partido Comunista daquele país.

Foi uma pena que o lançamento do seu livro não contou com uma divulgação ampla e com um mínimo de antecedência. Mas aqui fica o nosso abraço e as felicitações pela coragem de continuar a explicitar suas preferências, mesmo que não sejam da maioria atual, que também tende a mudar.



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