Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Lamentável Situação de Carlos Ghosn com seu Indiciamento

10 de dezembro de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , , | 4 Comentários »

Os jornais do mundo, com destaque para os japoneses, estão noticiando o lamentável indiciamento de Carlos Ghosn por suspeita de sonegação fiscal no período de 2010 a 2014, ele que prestou relevantes serviços para a Nissan e a Mitsubishi Motors, acabando por clip_image002influenciar toda a comunidade empresarial japonesa. Nova investigação, cobrindo 2015 a 2017, está determinando um novo período de prisão preventiva nas duras condições usuais naquele país, mesmo para personalidades do seu nível.

Carlos Ghosn está preso preventivamente para evitar destruições de provas sobre as possíveis irregularidades pelas quais está indiciado

Também Greg Kelly, um dos seus principais auxiliares que foi diretor da Nissan, responsável pela orientação nestas matérias fiscais, e a própria empresa Nissan estão indiciados pelas possíveis irregularidades visando a redução de impostos sobre suas remunerações consideradas elevadas pelos padrões japoneses. Os investigadores japoneses, que são extremamente minuciosos e rigorosos, conseguem usualmente uma quase unanimidade dos juízes às suas proposições. Carlos Ghosn alega que os documentos onde constam suas assinaturas são indicações das possibilidades de seus ganhos serem efetivados depois de sua aposentadoria, não sendo uma decisão definitiva de que elas tenham sido decididas, não gerando a necessidade de pagamento dos tributos. Os seus investigadores entendem que, pela legislação japonesa, os tributos já são devidos, havendo provas com suas assinaturas do conhecimento destas obrigações. Os correspondentes de 2015 a 2017 estão sendo calculados, para determinar o montante final do valor devido. Outras possíveis irregularidades também estão sendo examinadas.

Carlos Ghosn já não é mais o CEO da Nissan nem da Mitsubishi Motors, mas continua formalmente da Renault, mesmo afastado do cargo pela sua prisão. Ainda que representantes da Renault, da Nissan e da Mitsubishi Motors tenham manifestado o desejo da continuidade da aliança que foi montada pelas três empresas por Carlos Ghosn, bem como declarações do governo francês e japonês no mesmo sentido, para competirem com a Toyota e com a Volkswagen, estas dificuldades presentes não permitem supor realisticamente que isto seja possível.

Esta aliança resultou num aporte de 43% das ações votantes da Nissan pela Renault, que ficou também com o direito de determinar o CEO da empresa japonesa. Em contrapartida, a Nissan possui 15% das ações não votantes da Renault e 34% das ações votantes da Mitsubishi Motors, cujo CEO também seria determinado pela Renault. Hoje, a maioria do lucro da Renault é conseguida por meio destas ações da Nissan. Os japoneses aspiram por condições mais equilibradas atualmente.

Considerando também o futuro da indústria automobilística no mundo, com a introdução crescente de veículos elétricos e dos que não necessitam de motoristas, a aliança seria vantajosa para todos, mas tudo indica que as sequelas do que está ocorrendo atualmente não permitem facilmente que estes objetivos sejam perseguidos em conjunto.


4 Comentários para “Lamentável Situação de Carlos Ghosn com seu Indiciamento”

  1. Adriana Paoli
    1  escreveu às 19:47 em 10 de dezembro de 2018:

    O Estado francês deveria vender para a Nissan a sua participação societária na Renault. A aliança ficará mais equilibrada.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 09:02 em 11 de dezembro de 2018:

    Cara Adriana Paoli,

    Obrigado pela sugestão.

    Paulo Yokota

  3. Maria Santos da Silva
    3  escreveu às 13:14 em 11 de dezembro de 2018:

    Yokota, se o Carlos Ghosn fosse japonês seria punido com o mesmo rigor? Grata.

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 09:18 em 12 de dezembro de 2018:

    Cara Maria Santos da Silva,

    Houve até políticos japoneses que ficaram presos preventivamente por mais de 300 dias, enquanto se efetivavam as investigações, sendo depois condenados pelos juízes.

    Paulo Yokota


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