Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Diferenças Culturais Sensíveis no Japão

3 de outubro de 2019
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Os jornais japoneses estão estampando fotos de dirigentes da Kansai Eletric se desculpando publicamente por pequenas irregularidades que cometeram. Ainda que os benefícios não clip_image002somem US$ 1 milhão, que é uma cifra modesta para uma empresa que trabalha com energia nuclear, isto faz parte dos hábitos adotados no Japão. Isto permite entender por que o caso de Carlos Ghosn se prolonga por tão longo tempo, não se chegando a uma solução final.

Dirigentes da Kansai Eletric admitem publicamente que receberam “presentes” que somam cerca de US$ 1 milhão

Mesmo que os processos sobre estas investigações ainda estejam no seu início, os dirigentes da Kansai Eletric admitem publicamente que erraram, solicitando desculpas para o público. Isto é usual no Japão, o que não aconteceu até agora com o Carlos Ghosn na questão envolvendo a Nissan, não acelerando a sua solução definitiva. Fica evidente que existe no Japão este tipo de cultura que não é a mesma vigente no Ocidente.

O usual no caso de Carlos Ghosn é que ele tivesse admitido que cometesse algumas irregularidades no Japão e no exterior, o que aceleraria a conclusão do seu caso. Mas, por se apegar à interpretação que entende que seja internacional, ele ficou preso por um período longo e está solto com muitas restrições no seu comportamento.

Há que se entender que cada país tem uma legislação própria, além de hábitos decorrentes de sua cultura. As empresas no Japão, além de seguir a legislação vigente, entende que faz parte de uma sociedade e sua cultura deve ser respeitada. Há algo de moral que não se restringe aos dispositivos legais.

Pelo noticiário japonês o principal executivo da Kansai Eletric parece pretender manter-se no cargo, ainda que os dirigentes tenham admitido um comportamento, no mínimo, duvidoso. Este tipo de prestação de satisfação à opinião pública é frequente no Japão, não se restringindo a um montante de “presentes” que não é muito elevado no caso de usinas atômicas.

Nos casos brasileiros, a disseminação dos acordos de leniência que acabam reduzindo substancialmente as penas sobre réus confessos, uma adaptação do que vigora nos Estados Unidos, deixa a opinião pública com muitas dúvidas. Dá a impressão que as questões morais são irrelevantes, prendendo-se somente aos termos da legislação e sua aplicação, dando aos juízes um poder exagerado, segundo muitos analistas. Isto não coibiria a repetição de novas irregularidades no futuro, parecendo não ajudar o Brasil.



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