Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Perspectivas Eleitorais nos EUA e Influências no Brasil

12 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , , , ,

A entrevista do presidente Donald Trump, que as pesquisas de opinião indicam estar pouco abaixo do candidato democrata Joe Biden, pode precipitar os resultados na próxima eleição, mesmo que existam ainda os analistas que continuam dando importância à situação da economia norte-americana em recuperação. Na cultura norte-americana, esconder a verdade da avaliação da relevância da covid-19 pode ser algo fatal, mesmo do ponto de vista eleitoral. Os meios de comunicação social dos Estados Unidos estão indicando que as entrevistas concedidas por Donald Trump a Bob Woodward, cujo livro será lançado nos próximos dias, ele que ficou famoso por ter provocado a queda do presidente Richard Nixon no caso conhecido como Watergate. Muitos estão criticando Woodward por não ter antecipado esta informação, reservando-a para o aumento de venda do seu livro.

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Bob Woodward com Carl Berstein, que acabaram provocando a renúncia do presidente Richard Nixon com o famoso caso que ficou conhecido como Watergate

Donald Trump, nas muitas entrevistas concedidas a Bob Woodward, que serão lançadas como um livro nos próximos dias com o título “Rage” (raiva), revela que mesmo sabendo dos riscos da covid-19 preferiu não provocar um pânico na população. O assunto foi apresentado na rede de televisão CNN.

Como já divulgado, esta pandemia provocou somente nos Estados Unidos mais de 180 mil mortes e 6.400 mil afetados, números mais elevados do mundo. Estão seguidos dos brasileiros com mais de 130 mil mortos e 4.200 mil afetados, que podem ser superados com os dados mais recentes da Índia. Os números norte-americanos poderiam ser mais baixos se todos eles tivessem sido alertados no início da pandemia e as autoridades tomadas as providências preventivas adequadas.

Como os Estados Unidos ainda possuem grande importância na comunicação social no mundo, se o presidente Donald Trump tivesse adotado uma atitude não eleitoreira os dados mundiais poderiam ser diferentes, ainda que não se saiba quanto. No caso brasileiro, sabe-se que o presidente Jair Bolsonaro respeita demasiadamente o que os norte-americanos fazem, principalmente o seu presidente, ainda que eles pensem mais nos seus interesses, e o Brasil tenha perdido espaço nos últimos anos na importância no cenário internacional.

Mesmo com todas as ponderações possíveis, inclusive do baixo conhecimento seguro sobre esta atual pandemia, tudo indica que mais informações, mesmo chocantes, poderiam antecipar alguns esforços preventivos da covid-19. Mesmo não havendo um consenso sobre todos eles, como se evitando aglomerações, inclusive sobre o reinício das aulas para os estudantes.

Lamentavelmente, não somente no Brasil, existem muitos que continuam subestimando os riscos das contaminações, com retomadas parciais de muitas atividades, não utilização de máscaras, além das dificuldades de higiene, principalmente das populações menos favorecidas.


Lições de Democracia Para Todos

9 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Esporte | Tags: , , , | 4 Comentários »

Confesso que em matéria de esportes tenho preferência pelos coletivos aos individuais, mesmo que os assim chamados também dependam de uma grande equipe que lhes deem os suportes necessários. Ainda assim, na disputa profissional como do US Open, um famoso campeão como Novak Djokovic acabou sendo desclassificado por ter cometido um erro considerado grave. Ele manifestou a sua contrariedade com o seu próprio desempenho no jogo lançando uma bola, involuntariamente, que atingiu o pescoço de uma juíza de linha, a ponto de deixá-la atordoada por um bom tempo, o que exigiu a presença de médicos na quadra. Há que se entender que uma bola lançada por Djokovic tenha uma velocidade respeitável e ele, arrependido pelo seu ato, correu para assisti-la.

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Navak Djokovic correu para assistir à juiza de linha que foi atingida no pescoço por uma bola involuntária que ele lançou, como manifestação de insatisfação com seu próprio jogo, mas ele foi desclassificado do US Open.

O regulamento do tênis profissional é claro neste comportamento mesmo involuntário e os juízes aplicaram o que estava previsto, mesmo se tratando de um campeão como Novak Djokovic, que, além da desclassificação, deverá ter uma multa correspondente ao que ele já havia ganhado neste torneio.

Mesmo tratando-se de um esporte profissional, a punição prevista era severa e os juízes responsáveis não tiveram dúvidas na sua aplicação, demonstrando uma norma democrática mesmo sobre uma personalidade conhecida. O que seria desejável é que também na política houvesse uma aplicação rigorosa das regulamentações democráticas existentes, de forma idêntica, não dependendo de quem tenha cometido a irregularidade.

As lições provenientes dos esportes poderiam ser importantes também para a política, notadamente nas verdadeiras democracias, não dependendo de quem tenham cometido as irregularidades ou que posições eles ocupem, ou os relacionamentos que possuam com os que estejam no poder.


Uma Nutriente Farofa Japonesa Chamada Okara

9 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Gastronomia | Tags: , , , | 4 Comentários »

Mesmo no Ceagesp de São Paulo, quando ainda havia o tofu caseiro, era comum se oferecer gratuitamente uma pequena porção do chamado “okara”, um resíduo nutriente da produção do tofu, versátil que pode ser utilizado de diversas formas, até na culinária sofisticada. Quando os japoneses eram pobres, como antes da Segunda Guerra Mundial, tudo que podia ser aproveitado como alimento o era, dentro do conceito genérico do “motainai”, ou um desperdício se não fosse utilizado. Quando se produz hoje o muito popular tofu, esmaga-se a soja para do seu leite produzir-se o tofu, como uma espécie de queijo, restando o okara, saudável e versátil para preparo de muitos pratos, sendo que o mais simples é uma espécie de farofa.

Um artigo de Anisa Kazemi foi publicado no jornal japonês Japan Today informando que o okara é quase milagroso, com baixo teor de gordura, alto teor de cálcio, proteína e fibra alimentar, e, com poucos ingredientes adicionais de preferência dos consumidores, pode se tornar semelhante à farofa brasileira, versátil para variados usos. A sugestão do artigo é usar vegetais como a cenoura, a bardana ou cebolinha verde, podendo combiná-lo com cogumelos shitake, todos produtos saudáveis.

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Okara, barato, nutriente e versátil, que pode ser aproveitado de formas variadas, até na gastronomia sofisticada.

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Museu no Japão Sobre a Escrita Chinesa e Outras Relíquias

9 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Um artigo de elevado interesse escrito pela redatora do jornal japonês Yomiuri Shimbun, Yuriko Hattori, informa sobre o importante museu, chamado indevidamente como de caligrafia, que reúne cerca de 20 mil itens, como utensílios de bronze, carapaças, monumentos de pedra e materiais de construção, entre outros, todos com inscrições de caracteres chineses, mostrando a evolução dos ideogramas conhecidos em japonês como kanji. Este rico acervo foi reunido por Fusetsu Nakamura (1866-1943) na China e está agora no Museu Taito Ward, em Tóquio.

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Toko Nabeshima fica em frente a materiais de construção inscritos com personagens no Museu de Caligrafia, em Taito Ward, Tóquio. Foto de Taku Yaginuma, que consta do artigo no site do Yomiuri Shimbun, que vale a pela ser lido na sua íntegra.

Em 1895, Nakamura foi para a China com Shiki Masaoka como correspondente durante a Guerra Sino-Japonesa, que terminaria logo depois. Impressionado com a cultura e a história dos caracteres chineses, Nakamura continuou viajando por cerca de meio ano pela China e outras partes do mundo e, após entrar em contato com cada vez mais materiais inscritos com caracteres chineses, tornou-se um colecionador dedicado. Tive a felicidade de conhecer parte de itens semelhantes e abundantes nos museus chineses.

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Pedras com inscrições de ideogramas chineses, constante do artigo publicado no site do Yomiuri Shimbun.

Os caracteres gravados nos cascos de tartaruga e ossos de vaca parecem pictogramas à primeira vista, mas, após um exame mais atento, caracteres legíveis como “O” em kanji, que significa “rei”, podem ser identificados. “Dos sistemas de escrita inventados pelas quatro grandes civilizações antigas do mundo, apenas os kanji da civilização chinesa sobreviveram até hoje. Também é interessante que nós, japoneses, possamos lê-los”, disse o pesquisador sênior do museu, Toko Nabeshima.

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Inscrições constantes de ossos indicam os primeiros ideogramas chineses.

As exposições no Museu contam como o estilo dos personagens mudou ao longo dos anos. Existem caracteres escritos em utensílios de bronze da dinastia Zhou; a escrita em pequenos selos, que foi adotada pelo primeiro imperador Qin para unificar os caracteres chineses por escrito; e a escrita da chancelaria, usada principalmente na dinastia Han. As inscrições nos epitáfios em blocos preenchidos na dinastia Tang são muito semelhantes aos kanji de hoje.

Destas escritas chinesas, muitas simplificações foram introduzidas na Ásia, como no Japão, que, além dos ideogramas, acabou usando alfabetos silábicos como os conhecidos “hiragana” e “katakana”. Na Coreia, também ocorreram simplificações semelhantes. Mas as vantagens dos ideogramas, pelos seus componentes, é que eles permitem saber o exato sentido das palavras, não gerando possibilidades de discussões de semânticas.


Shenzhen é Considerado o Vale do Silício da China

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , , | 2 Comentários »

A brasileira Tatiana Prazeres é colunista da Folha de S.Paulo e sendo fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia em Pequim, tendo sido secretaria de comércio exterior na Organização Mundial de Comércio, ela está credenciada para escrever sobre o desenvolvimento tecnológico que continua ocorrendo na China. Com a contribuição de Deng Xiaoping, muitos chineses aproveitaram as oportunidades de estudos no exterior, notadamente nos Estados Unidos. Hoje, ainda que considerado por muitos como politicamente autoritário, o fato concreto é que aquele país vem utilizando intensamente os mecanismos de mercado nos relacionamentos com o exterior, conseguindo ser um exemplo econômico que poderia ser aproveitado por outros países emergentes como o Brasil.  

Shenzhen na China, considerado o Vale do Silício naquele país que se multiplicou por outras cidades

Em Shenzhen é permitido, segundo a autora, que as empresas visem o lucro, demitam pesquisadores, remetam divisas para o exterior há quarenta anos, como a primeira área-piloto para atrair empresas estrangeiras. Hoje, existem 14 cidades na China que replicaram seu exemplo, experimentando mudanças para corrigir seus rumos, de forma pragmática. Provocou-se uma forte descentralização econômica. As maiores empresas chinesas que se voltam às tecnologias mais avançadas chegam agora a 30 mil, conhecidas internacionalmente.

Há um equilíbrio entre as forças do Estado e do setor privado e o que se conseguiu nestas cidades de desenvolvimento tecnológico utilizando o empreendedorismo local. Novas inovações continuam sendo adotadas, intensificando o intercâmbio com o exterior, o que chega a incomodar governos atuais como dos Estados Unidos.

Na atual fase, os chineses voltam-se ao esforço de utilizar o seu expressivo mercado interno, quando os recentes problemas reduziram o ritmo da globalização. Estes exemplos podem ser utilizados no Brasil com as devidas adaptações.

O que parece evidente é que há uma necessidade governamental de pensar em longo prazo, tendo um plano adequado para ser implementado pragmaticamente na medida em que vão ocorrendo mudanças significativas na economia mundial, não se restringindo às percepções emocionais restritas a poucos dirigentes.    


Metade dos Japoneses Mais Saudáveis com o Coronavirus

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Saúde | Tags: , , , | 2 Comentários »

O jornal japonês Mainichi publicou uma notícia aparentemente contraditória, apurada pela pesquisa feita pela Meiji Yasuda Life Insurance e distribuída pela agência noticiosa japonesa Kyodo. A pesquisa efetuada com 5.640 entrevistados mostrou que metade dos japoneses se sente “mais saudável ou ligeiramente mais saudável”, como consequência dos hábitos que introduziu devido ao surto de coronavírus. Os japoneses passaram a fazer mais exercícios físicos, alimentando-se de forma mais cuidadosa.   

Foto de 50 pessoas fazendo ioga no prédio do Shibuya Sky em Tóquio antes de irem ao trabalho distribuída pela agência Kyodo e publicada no site do jornal Mainichi, cujo artigo vale a pena ser lido na sua íntegra

50,9% dos entrevistados pela pesquisa procuram ficar em forma física de diversas formas, em uma pergunta de múltiplas respostas, sendo que prestam mais atenção à dieta e nutrição, seguida por 35,3% que citaram exercícios que passaram a efetuar. 22,8% tentam não se estressar, sendo que 6% disseram que reduziram a ingestão de álcool. Tudo indica que os japoneses estão procurando se adapta às restrições provocadas pelo coronavírus.

Pelo que se saiba, não se dispõem no Brasil de pesquisas similares, mas muitos estão fazendo exercícios em suas residências, mais recentemente nos parques que estão permitindo exercícios físicos. Também as alimentações mais saudáveis parecem que estão em alta, reduzindo o consumo de gorduras ou produtos exageradamente doces que contêm açúcar, mas isto parece ocorrer na faixa da população mais esclarecida e em condições econômicas para tanto. Os menos privilegiados ainda não contam com condições para os seus hábitos de vida e entre os jovens, tanto que nas praias como nos bares de algumas regiões não estão sendo adotados os cuidados, como de uso de máscaras, evitar aglomerações, fazendo com que os afetados pelos vírus sejam elevados, inclusive provocando lamentáveis mortes que poderiam ser reduzidas. As autoridades parecem voltar-se tardiamente aos testes aplicados na população e o consumo de produtos alcoólicos aparenta estar em alta.

Pesquisas como as que foram divulgadas no Japão parecem úteis para orientar a população nas mudanças de alguns dos seus hábitos de vida.


As Influências Políticas de Quem Está no Poder

4 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Política | Tags: , ,

Eleições estão previstas em diversos países, para este ano ou nos próximos, mas mesmo que as pesquisas de opinião indiquem possibilidades de mudanças dos grupos que estão no poder, existem fortes indícios que os que se encontram atualmente no governo não podem ser subestimados. Nos Estados Unidos havia pesquisas que indicavam uma boa margem a favor dos democratas que estão atualmente na oposição, mas parece que ela está diminuindo, mesmo com a ocorrência de problemas como os raciais e dos danos causados pela pandemia do Covid 19 e suas amplas consequências econômicas e sociais para a situação. Não se pode subestimar a força dos republicanos comandados pelo atual presidente Donald Trump e seus conservadores.  No Japão, apesar das forças que desejam acelerar as mudanças dentro do próprio Partido Liberal Democrata, muitos analistas afirmam que Yoshihide Suga que tem a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, mesmo não sendo o mais popular nem dentro do seu partido, está entre os favoritos para se tornar o novo primeiro-ministro. No Brasil, mesmo que o presidente Jair Bolsonaro seja criticado por muitos, ele consegue contar até o momento com as condições políticas para a sua reeleição, ainda haja um prazo considerável para tanto.

As pesquisas de opinião davam uma boa margem de vantagem para os democratas, mas elas foram reduzidas nas últimas semanas

No caso dos Estados Unidos, ainda que existam muitos problemas, a economia continua em condições razoáveis, proporcionando empregos para a população local. Donald Trump vem radicalizando os conflitos com os chineses, inclusive na área militar, notadamente no Sudeste Asiático, explorando o sentimento nacionalista norte-americano. Isto vem reduzindo a margem que os democratas possuíam, não se sabendo claramente o que acabará acontecendo num país federativo que tem diferenças dos sistemas eleitorais por estados, não dependendo da maioria popular.

No Japão, que conta com um regime parlamentarista, a preferência do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, tudo indica, é ser substituído por Yoshihide Suga, que não tem apoio popular, nem das importantes facções que são relevantes no Partido Liberal Democrata, mas seria de continuidade da atual política japonesa. Parece que o Japão não ousa adotar uma posição de marcante liderança internacional, mantendo um bom relacionamento com os Estados Unidos e os principais países asiáticos, com os quais possui um significativo intercâmbio comercial e econômico.

O Brasil, apesar dos muitos problemas sanitários, econômicos e sociais que não facilitam os relacionamentos com os principais países europeus, procura manter o intercâmbio comercial e financeiro com a China, mesmo com as grandes diferenças ideológicas com aquele país asiático, de forma pragmática. Tudo indica que Jair Bolsonaro dá uma elevada importância para a sua futura possibilidade de reeleição, enfatizando a polarização política dentro do país. Também não se pode subestimar estas suas possibilidades, de seus familiares e de correntes que os apoiem, mesmo que existam muitos outros grupos políticos que não concordem com ele, sendo que os benefícios sociais para os menos favorecidos não tenham condições de sustentabilidade econômica por muito tempo.

Aqueles que têm capacidade política de transformar as aspirações dos eleitores em suas posições, mesmo de forma populista e até demagógicas, podem empolgar a parcela da população a seu favor, o suficiente para a vitória eleitoral. Os usos exagerados dos novos mecanismos eletrônicos das redes sociais acabam tendo consequências, mostrando que os mecanismos tradicionais da democracia sejam contornados de formas perigosas. O que se espera é que as legitimas aspirações dos eleitores acabem prevalecendo nos pleitos eleitorais, mesmo com todos os defeitos que possam existir em qualquer país.


Reforma Administrativa do Governo Federal

3 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , , , , , , , , , | 2 Comentários »

Se o objetivo da reforma administrativa do governo federal brasileiro fosse procurar o mínimo de racionalidade, existiriam muitos exemplos ao longo da história do mundo para inspirar este complexo processo. No entanto, parece que se trata somente de reduzir a importância das carreiras no serviço público, dotando o governo da possibilidade de livre nomeação daqueles que lhes sejam convenientes, com simples novos aumentos dos custeios. O exemplo mais conhecido e antigo é o da China, onde se preparava os mandarins, pelos seus méritos, para ajudarem o imperador a administrar aquele gigantesco país. Na Era Meiji, no Japão, foram criadas as universidades imperiais, começando com a de Tóquio, com objetivos semelhantes.

École Nationale d’Administration Publique, França

O que se tornou mais famoso no mundo foi a École Nationale d’Administration Publique da França para formar funcionários públicos para depois passarem a serem parlamentares. Na Alemanha, preparou-se os funcionários do setor fazendário, que ajudou os brasileiros a fazer algo semelhante. No Brasil, na carreira militar existem diversos cursos de nível para se chegar ao generalato, o que se aprendeu com Napoleão Bonaparte. A Fundação Getúlio Vargas tinha no Rio de Janeiro um curso de administração pública e outro de administração privada em São Paulo. A FEA-USP, com professores vindos da Escola Politécnica, passou a contar com condições de formarem administradores públicos, e mais recentemente a London School of Economics criou do curso de Antropologia Organizacional para ministrar sobre o comportamento grupal de funcionários de qualquer tipo de organização. Portanto, existe um amplo cabedal de conhecimentos técnicos para os que desejam efetuar uma verdadeira reforma administrativa, visando o aumento de sua eficiência.

Tivemos oportunidade usar parte destes conhecimentos no Banco Centrai do Brasil e do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, fazendo com que os funcionários fossem promovidos por mérito e por antiguidade, como está estabelecido na legislação, pois muitos dos seus direitos estão assegurados, não sendo simples promover mudanças. Sem um planejamento prévio bem elaborado, o Judiciário terá que assegurar aos funcionários direitos adquiridos, ficando tudo somente no discurso bem intencionado.

Está se observando no Brasil atual que os funcionários públicos possuem um grande poder político, pois tanto os parlamentares como membros do judiciário dependem dos pareceres elaborados por estes funcionários com longa experiência, que conhecem os detalhes de muitos processos que foram se aperfeiçoando ao longo do tempo. Eles dificilmente atuarão contra seus próprios interesses e conhecem detalhes importantes, que não são do conhecimento dos que eventualmente passam pelo governo por tempos limitados.

Para se conseguir avanços importantes, há que se utilizar os conhecimentos destes especialistas, o que parece que não está acontecendo no momento.


Dificuldades Impossíveis de Serem Superadas Pela Retórica

3 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , ,

Quando o IBGE divulga uma queda histórica do PIB brasileiro de 9,7% no 2º trimestre deste ano, não parece muito feliz que o ministro da Economia Paulo Guedes afirme que isto seja o “barulho de um raio” que caiu no passado. Isto aparenta uma retórica do atual presidente da República que faz muito uso deste tipo de apalavrado, quando as questões que o Brasil enfrenta são muito sérias, necessitando do sacrifício de todos. O risco é que Guedes venha a ser considerado o principal responsável do governo por este pobre desempenho do Brasil, por não contar com condições para obter a colaboração de todos, principalmente da classe política brasileira e da pesada administração pública, incluindo muitos militares.

Paulo Guedes sobre a queda do PIB brasileiro no 2ª Trimestre deste ano afirma que se trata do barulho do raio que caiu em abril

Todos sabem que Paulo Guedes é um economista com parte de sua importante formação feita na Universidade de Chicago, tendo atuado no Brasil no setor financeiro privado, sem uma experiência profunda do setor público. Uma parte de sua equipe já deixou recentemente o governo onde existem muitos que não partilham dos seus pontos de vista. O próprio presidente da República tem feito reparos a sua atuação, de quem tem recebido advertências sobre a necessidade do controle do déficit público. Até agora, apesar de muitos desconfortos, Paulo Guedes continua no principal cargo da área econômica brasileira.

A grande maioria dos economistas brasileiros entende que a economia brasileira só tem condições de uma recuperação lenta ao longo de muito tempo de grandes sacrifícios. No entanto, sempre existem os que acreditam em fórmulas milagrosas para resolver os problemas brasileiros. Resultados econômicos chocantes como os atuais dificilmente são suportáveis politicamente sem algumas mudanças, no caso brasileiro.

Segundo os dados da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil figura no bloco intermediário da queda do PIB no segundo trimestre com relação ao do primeiro, havendo muitas grandes economias como dos Estados Unidos e da Europa que obtiveram resultados piores. O caso brasileiro é chocante porque não se esperava algo tão elevado, com uma perspectiva futura que não fosse brilhante.

A Folha de S.Paulo publicou diversos artigos tratando do assunto, que merecem a devida atenção.  


Fazendo o Possível no Combate ao Covid 19 no Brasil

2 de setembro de 2020
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Saúde | Tags: , , , , | 2 Comentários »

Além dos médicos e hospitais, muitos brasileiros estão se empenhando atualmente no que esteja ao seu alcance, voluntariamente, para minorar os assustadores danos que estão sendo provocados pela pandemia Covid 19 no Brasil. Nas muitas favelas nos grandes centros metropolitanos e até indígenas na Amazônia estão se organizando para fazer o que é possível, superando as limitações governamentais que não estavam adequadamente preparadas, como em muitos outros países, para algo tão devastador como a atual crise. Notadamente na velocidade de sua propagação e diversidade de suas facetas. Tudo indica, pelas informações disponíveis, que existem muitos tipos de vírus, sendo muitos deles aqui no Brasil. Autoridades se empenham também, mas ninguém esperava que os problemas fossem tão extensos e dinâmicos, a ponto de poder se afirmar que. mais de seis meses depois dos primeiros indícios desta doença, ainda conhecemos parte das dificuldades geradas pelo coronavírus que foi detectado inicialmente na China.

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Imagens do Covid 19, segundo os especialistas

Mesmo nos intensos esforços mundiais para se chegar às vacinas eficientes, ainda haverá necessidade de muitos trabalhos científicos que demandam, naturalmente, tempo razoável para se chegar a resultados positivos. Tudo indica que estes vírus estão evoluindo, dificultando o seu combate. O que se informa é que estas vacinas tendem a atender somente a um percentual dos que as utilizam, não se sabendo ao certo o período pelo qual possuem validades, mas que parecem ser limitados, sugerindo que tenham que ser repetidas nas suas aplicações de tempos em tempos.

Parece existir razoável consenso que medidas preventivas são necessárias para a detecção precoce dos possíveis afetados, muitos assintomáticos, que evitem às contaminações de outras pessoas, chegando a muitos óbitos evitáveis. Dos muitos testes para tanto parecem destacar os chamados RT – PCR que retiram materiais das narinas e da garganta para constatar a presença de vírus. Ou os testes chamados Ig M e Ig G que indicariam presenças de anticorpos do vírus nos sangue retirado, no presente ou no passado, em prazos variados, sem que sejam totalmente precisos, necessitando de outros dados complementares, a critério dos médicos, para diagnósticos mais claros dos pacientes.

Na medida em que estes testes sejam generalizados no Brasil como em muitos países, parece razoável supor que maior número de pacientes sejam considerados portadores destes vírus, com gravidades diferentes, por contarem com outros problemas como respiratórios, diabetes, cardíacos, obesidade, idade etc. O que parece insuficientemente esclarecido para a população brasileira pelo uso da mídia é o que fazer quando os pacientes são diagnosticados, com os hospitais públicos com limitações para atender a todos, salvo as autoridades que contam com instituições especialmente voltadas para eles.

São abundantes as informações que muitos pacientes com coronavírus não conseguem o atendimento nos hospitais públicos que já estão sobrecarregados, chegando a muitos óbitos evitáveis. Ainda que os especialistas esperassem haver um pico dos dados de contaminações e óbitos, as liberações parciais e precoces dos isolamentos recomendados parecem provocar novas elevações dos afetados, além da possibilidade da repetição das contaminações, que ainda não estão claras, mas com fortes indícios de serem importantes. Muitos da população brasileira e de alguns países resistem a estes isolamentos, criando dificuldades adicionais para as autoridades responsáveis pelos seus controles. Discute-se no momento a volta das crianças e estudantes para as escolas, pois para eles o convívio com colegas faz parte do seu preparo para o futuro, além de deixarem seus pais sobrecarregados. Nem todos os professores estão adequadamente preparados para ministrarem aulas transmitidas eletronicamente a distância, ainda que existam casos eficientes, adaptados dos usados no exterior.

Os hospitais privados, mesmo os considerados filantrópicos e de elevada qualificação, apresentam custos com os quais nem todos podem arcar, até porque não se sabe quanto tempo os pacientes ficarão utilizando seus serviços. Os isolamentos nas suas residências também apresentam necessidades que implicam em custos, como as desinfecções das dependências e suas variadas formas, além do pessoal qualificado para assisti-los em todas as suas demandas. Sabe-se pouco sobre as ventilações adequadas destes locais, com notícias dos vírus no ar, inclusive nos esgotos das residências não utilizadas há muito tempo. Não há informações sobre as desinfecções eficientes destes muitos aparelhos, pois até os ares-condicionados não são regularmente limpos e capazes de eliminarem os vírus nas suas manutenções.

O que parece indispensável é fazer o que é possível, e não o que seria desejável teoricamente no Brasil, com acentuadas diferenças regionais. Algumas pessoas ficam psicologicamente afetadas com os isolamentos recomendados e já se contam com serviços de psicólogos voluntários, inclusive a distância, para ajudá-las. A telemedicina começa a ser mais utilizada no Brasil, havendo a possibilidade de se contar com alguns voluntários também para serviços mais simples. Similar ao que já se faz no fornecimento de alimentações e produtos de higiene, incluindo álcool gel, máscaras etc. para os mais necessitados da população brasileira, neste momento de grave crise, ainda que não seja para todos.

A angústia de muitos se devem à falta de informações de como precisam se comportar no quadro em que se encontram. Acabam-se fazendo ou não o que “ouviram dizer”, sem que se tenha uma base científica mínima desejável para tanto. Havendo uma entidade confiável para o fornecimento de informações básicas, tudo indica que já seria um passo a frente no combate a esta pandemia no momento atual.

Ainda parece prematuro estabelecer-se protocolos para as diversas situações, mas diversas tentativas para o combate precisam ser experimentadas, para que se torne possível selecionar os considerados mais eficientes e viáveis, dentro da atual situação brasileira.