Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

O Hashi e a Sua Origem

5 de novembro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Gastronomia, Notícias | Tags: , , ,

Um interessante artigo, publicado por Kate Bratskeir no site The Huffington Post, esclarece a origem do hashi, este genial e simples conjunto de dois palitos que começou a ser utilizado na China, inicialmente na cozinha quando se permitia controlar os alimentos que estavam sendo cozidos, evitando-se machucar com a alta temperatura. Evidencias do seu uso foram localizados nas tumbas na província de Henan, na parte central da China. Inicialmente eram de bronze e eram utilizados nos vasilhames e nas águas quentes, no preparo de alimentos, segundo o artigo. No ano 400 houve uma expansão da população, pois o hashi permitia alimentar-se em pequenas porções de alimentos, tendência que se espalhou pela Ásia.

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O uso do hashi permite que os alimentos sejam levados à boca em pequenas porções. Shutterstock / HLPhoto

Existem, segundo o artigo, versões que atribuem a Confúcio esta possibilidade, ele que era vegetariano, e apresentava a alternativa de ser um utensílio que desestimulava a violência, ao contrário de uma faca. Assim, o hashi seria um símbolo de paz.

Hoje, o hashi é recomendado àqueles que desejam manter ou reduzir o peso, pois ao contrário do garfo que estimula se alimentar em grande quantidade, o hashi obrigaria a pequenas porções. É preciso constatar que esta é uma versão Ocidental, pois se verifica que existem orientais que são capazes de ingerir uma grande quantidade de alimentos com o uso do hashi, pois se costuma também levar a tigela à boca, ajudando com o hashi a empurrar os alimentos para dentro.

As cargas culturais nem sempre são possíveis de serem entendidas pelos que não estão acostumadas com elas. Os japoneses ficam chocados quando alguém simplesmente enterra o hashi, por exemplo, sobre uma porção de arroz, deixando-os em pé, durante uma refeição com amigos. Na realidade, tanto no budismo como no xintoísmo, que possuem o hábito de oferecerem pequenas porções de alimentos aos falecidos, os hashis são usados nestas formas junto aos pequenos altares. Se isto é feito numa refeição, acaba dando a chocante impressão que se deseja a morte de um dos participantes. O costume correto é depositar os hashis nos seus descansos.

Para quem não está acostumado ao uso dos hashis, existem hoje algumas pequenas peças que ajudam a mantê-los juntos, facilitando o seu uso, inclusive para as crianças. Na sua ausência, os restaurantes costumam oferecer um elástico que exerça esta função.

Fala-se também sobre outras etiquetas para o uso dos hashis, mas o que se constata é que, mesmo entre os povos que os utilizam, existem variações pessoais no seu uso, não se devendo importar com algumas imperfeições. É preciso entender, também, que não se utilizando o garfo e a faca os alimentos devem ser servidos cortados em porções pequenas, e os japoneses não se constrangem em cortá-los com os dentes quando isto não ocorre.

Entre os chineses aparecem também hashis de plásticos (originalmente eram de marfim), mais longos, principalmente para se servir das apresentações coletivas para pratos individuais. Como são flexíveis, pode haver algumas dificuldades para o seu manejo. Este instrumento tornou-se tão popular em todo o mundo, que se verifica no Ocidente crianças manejando-os com grande habilidade.


Diversidade da Cozinha Japonesa Atual

26 de outubro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Gastronomia, Notícias | Tags: , , | 4 Comentários »

Percorrendo a conhecida rua Omotesando em Tóquio, considerada uma das mais luxuosas do Japão, localizamos um interessante restaurante tipo vegetariano, mas que utiliza também alguns pescados de forma muito criativa. Colhendo mais informações pela internet, verifica-se que conta ainda com mais dois estabelecimentos na capital japonesa, contando com uma rede de fornecedores de vegetais da melhor qualidade. Num jantar completo que custaria cerca de US$ 25 por pessoa, tivemos oportunidade de apreciar mais de 20 pequenas porções criativas de alimentos da melhor qualidade. Começou com uma grande espécie de salada, todos sobre gelo picado, com um molho que era mantido quente com uma espécie de pequena vela. Todos devem ser apreciados crus, saborosos e provenientes de fornecedores que mantêm um acordo com a rede destes restaurantes. Tudo da melhor qualidade, impressionante pelo sabor, notando-se que alguns devem ser criações que não se encontram no mercado, como uma abóbora de ótimo sabor, além de alguns que nós brasileiros não conhecemos.

O estabelecimento está instalado no Omotesando Hills, que é um conjunto que conta com muitas pequenas lojas, além de alguns restaurantes no terceiro piso (4th floor em japonês, pois o primeiro é o andar térreo), com vista para a rua. A frequência era de jovens, mais mulheres, como também casais com crianças, num ambiente mais propício para o consumo de bebidas alcoólicas, tudo de muito bom gosto. Muitos japoneses preferem o balcão, ainda que mesas estivessem também disponíveis para quatro pessoas, além de um sofá que também acomodaria de forma confortável quatro clientes.

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Seguiu-se um caldo agradável, certamente de alguns vegetais, como uma pequena sopa, difícil de identificar todos os seus ingredientes. O conjunto de pratos, a parte principal, tinha cerca de 15 pequenos recipientes, todos com pequenas porções, basicamente de vegetais como base, mas temperados e cozidos com bom equilíbrio, alguns com pequenas porções de pescados.

O conjunto deve ser apreciado como um “slow food”, pois os sabores são diferentes, notando-se que os legumes utilizados são de boa qualidade. Para a época, todos os ingredientes estavam relacionados com o outono, com os produtos mais convenientes para a estação.

Como costumam ser as refeições japonesas, os finais eram compostos de uma sopa tipo “misso giru”, usando soja temperada, com outros ingredientes criativos. Também havia uma espécie de caldo, além de algumas conservas de vegetais. Foi servido um arroz muito bem temperado com um pescado da época, como se fora um risoto.

Para finalizar, foi servida uma sobremesa consistente de frutas, com uma espécie de gelatina de arroz, embrulhado numa folha de bambu, do melhor sabor, tudo com pouco açúcar. Junto, outro tipo de chá, aparentando ser de frutas, muito agradável.

Este jantar acaba sendo uma festa, e apesar da quantidade, deixa o cliente como se tivesse jantado de forma muito leve. E, pelo preço que não conta nem com serviço ou imposto em separado, acaba sendo muito barato para quem está acostumado com o padrão paulistano.

O serviço foi muito agradável, pois uma garçonete explicava cada prato e o gerente era muito simpático, dando a impressão que procuravam cativar para este tipo de cozinha.

Perguntei se entendia que o jantar foi muito rico, pois muitos produtos são do outono, e que serviam no pico do inverno. Foi me explicado que eram os produtos de origem vegetal que podem ser servidos nesta estação, frescos, além de algumas conservas que costumam ser ótimas no Japão.

Examinando na internet sobre esta rede de restaurantes vergie, notei que havia um artigo publicado no jornal The Japan Times, referente a outra estação do ano. É impressionante a diversidade da cozinha japonesa, tanto pelas regiões como nas diversas estações do ano.


Mudança de Hábitos Alimentares dos Japoneses

25 de outubro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Gastronomia, Notícias | Tags: , ,

Para os visitantes estrangeiros que conhecem razoavelmente o Japão, nota-se uma grande mudança nos hábitos alimentares em função das facilidades de importações de carnes de diversos países, notadamente da Austrália. Os japoneses costumavam consumir muito mais peixes e frutos do mar, de onde extraiam as proteínas necessárias, complementados por condimentos de soja que evitavam os efeitos indesejáveis do colesterol. Na atual volta ao Japão, nota-se uma elevação substancial do consumo de carnes bovinas nas mais variadas formas, quer como churrascos, filés, grelhados variados como nos chamados teppan ou na forma de shabu-shabu e sukiyaki, com elevado teor de gordura. Tudo indica que os preços baixaram, e estes produtos que eram considerados no passado de luxo, com tarifas de importação elevadas, agora se tornaram de acesso popular.

No entanto, é preciso constatar que a constituição física dos japoneses difere dos ocidentais, tendo o aparelho digestivo mais longo em cerca de um metro. Este consumo excessivo de carnes bovinas gordurosas acaba propiciando problemas circulatórios como enfartes, além de tenderem ao aumento do câncer no aparelho digestivo. Ao mesmo tempo, nota-se que o consumo de neutralizantes das gorduras danosas como a soja em seus variados tipos de consumo está se reduzindo relativamente, com o aumento de produtos de trigo, quer na forma de pães como de massas. Tudo isto é uma novidade para os japoneses e se bem balanceados não apresentariam problemas, mas o que se teme é o exagero.

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Carnes bovinas gordurosas como o famoso Kobe beef

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Carne bovina grelhada está em alta no Japão

Ninguém pode ser totalmente contrário à importação de carne bovina pelos japoneses, mas parece que está se verificando um excesso no seu consumo. Quando se percorre regiões de restaurantes como em Tóquio, nota-se que os estabelecimentos oferecem este produto nas formas mais variadas e em grande número.

Existem algumas churrascarias brasileiras, mas o que se nota são grelhados de diversos tipos, apreciando-se os que estão acompanhados de camadas de gordura, que não são propícios para os consumidores japoneses. Como eram caros no passado, e agora estão acessíveis para todos, muitos pratos são oferecidos, notadamente, com as formas de preparo de outras partes do mundo.

Os japoneses costumavam consumir pequenas porções nos sukiyaki ou no shabu-shabu, mas nota-se que o número de grelhados, fritos em óleos ou com molhos tipo madeira dos franceses, entrou em moda a ponto dos consumidores de proteínas de peixes terem dificuldades para encontrar os estabelecimentos que os ofereça.

No passado, procurava-se neutralizar parte da gordura com nabos ralados, gengibres e outros ingredientes, ou acompanhados de verduras. Mas nota-se que está se consumindo as carnes, acompanhados de forma ocidental, com batatas ou massas de trigo, temperados de forma que não facilita a digestão pelos orientais.

Nota-se que muitos artigos científicos estão sendo disseminados por autoridades médicas alertando sobre os riscos do consumo exagerado, mas parece que a publicidade acaba sendo mais forte, como se vê na televisão.


Novidades Gastronômicas em Tóquio

22 de outubro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Gastronomia, Notícias | Tags: , , ,

Sempre é possível se surpreender com a gastronomia japonesa, principalmente quando se dispõe de restaurantes de qualidade com a metade dos preços, em dólares, quando comparado com São Paulo, que os paulistas costumam considerar como um importante centro gastronômico, que lamentavelmente vem perdendo em qualidade como em competitividade. Trabalhando e passeando em Tóquio é possível se impressionar com o que se dispõe de novo e melhor, notadamente em frutos do mar, onde os japoneses encontram poucos concorrentes no mundo. Visitando um dos centros de lojas de luxo, como o conhecido Roppongi Hills, deparei-me com cartazes chamativos do Sakanaya-Rokuzo que, como explicado no seu site em inglês, é um estabelecimento que trabalha com peixes e complementado pela expressão que indica seis, que também está relacionado com o primeiro ideograma do famoso bairro noturno.

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Built around the concept of being “the only sakana-ya (fish restaurant) in all of Roppongi Hills”, we are a fish diner where guests can enjoy a drink along with dishes that use fresh seafood delivered straight from the fishing harbor daily.

Antes da entrada, o estabelecimento já oferece algo incomum, que é uma espécie de uma pequena porção de um cozido, com o aproveitamento de sobras de peixe (todos sabem que também nos peixes as carnes junto aos ossos são mais saborosas), junto com legumes, como o nabo, com um molho pouco usual. Algo parecido é da tradicional cozinha japonesa, o chamado arani, que aproveita a cabeça do peixe e as carnes que não são utilizadas para o sashimi ou o sushi. Trata-se de comida popular, coisa de pobre, que aproveita todas as partes de um peixe.

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Comecei aproveitando ostras frescas, graúdas, que estavam apresentadas em gelo picado como no Ocidente, mas com alguns ingredientes japoneses, com o molho também especialmente preparado. Mas, os que desejam podem apreciá-las somente com um pouco de limão e sal, como é usual.

Nunca tinha visto peixes como um pargo grelhado na brasa, com alguns temperos japoneses. Suave, de carne branca, deve servir como acompanhamento de um bom saquê que não posso consumir por causa do álcool, mesmo que em pequenas dosagens. Nos restaurantes de peixes do Japão faz-se questão de informar de que região eles são procedentes, pois dependendo do produto existem épocas mais adequadas para a sua pesca, que agora é no outono.

O restaurante anuncia que o robata-yakikushi e o mushi-ryouri são as suas especialidades. Explicando de forma simples, são grelhados em espetos, que costumam ser de carnes de variados tipos e legumes, mas que apresentavam frutos do mar de elevada qualidade, inclusive vieiras e polvos. Mas o que mais surpreendeu foram os pratos preparados no vapor, que não conhecia nesta forma, ainda que seja adepto de muitos pratos que ficam mais leves com cozimentos no vapor que permitem o controle adequado do ponto, que é fundamental nos pescados mais delicados.

Recomendaram o donabe mushi. Sobre um fogão portátil em amplo uso nos restaurantes japoneses, tinha uma panela de cerâmica, com água e sobre a qual havia uma espécie de esteira, onde estavam legumes de variados tipos, para serem levemente cozidos no vapor. Fatias finas de peixe eram depositadas por pouco tempo, depois de desligado o fogo. O vapor e o calor restante eram suficientes para o rápido cozimento do peixe, no ponto corretíssimo.

Estes produtos eram apreciados numa espécie de tigela que poderia receber molhos variados. Algo como um vinagre especial, molho de um missô líquido com gengelim, um caldo de ameixa japonesa em conserva, limão ou nabo ralado com uma pitada de pimenta. Divino, para ser dosado de acordo com a preferência do freguês.

Para finalizar, pois tudo o que veio antes para os japoneses é um mero aperitivo, a refeição tem que terminar a refeição com algo como arroz ou udon, que é um macarrão japonês, que nos casos mais finos são chamados teuchi, ou feito na hora com as mãos. O udon, preparado com a ajuda da água que tinha recebido parte do caldo das verduras, adicionado com alguns molhos tradicionais japoneses, recebia também um ovo semicozido, como se costuma preparar um risoto. Eu que conheço um pouco do assunto, nunca tinha experimentado o udon desta forma, com um pouco de cebolinha picado.

O mais surpreendente foi quando recebi a conta de todo este banquete. Algo como R$ 60 por pessoa, no jantar. Acredito que em São Paulo, por menos de R$ 200 por pessoa, dificilmente se conseguiria uma refeição que foi acompanhada com chá e chope.


O Interesse Pela Culinária no Brasil

26 de setembro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais e Notícias, Gastronomia | Tags: , , , ,

Um suplemento Paladar publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo informa com detalhes o que foi o amplo evento realizado nos dias 20 e 21 de setembro nas dependências do Anhembi Morumbi Vila Olímpia, em São Paulo, que pelo oitavo ano vem comprovando o elevado interesse de todos quantos estão ligados com a culinária no Brasil. Chefs já consagrados ao lado de outros menos conhecidos procuram divulgar suas habilidades utilizando matérias primas até pouco conhecidas, disponíveis na imensidão deste país, com as suas acentuadas diferenciações regionais. O local escolhido, o Anhembi Morumbi da Vila Olímpia, por ser uma escola tradicional de culinária, dispõe das condições adequadas para as diversas “aulas” e palestras que foram dadas, onde os participantes tiveram oportunidade de ver os mais conhecidos preparando desde pratos sofisticados até os mais simples. A novidade que está ganhando força também em São Paulo é o que está se divulgando como cozinha de rua, apresentado de forma simples.

Informa-se que o evento contou com a participação de chefs que já conquistam um prestígio elevado na população, principalmente nos segmentos interessados nas leituras novas que estão sendo dados até para as culinárias mais tradicionais das diversas regiões brasileiras. Mas, também os que atuam nos restaurantes mais cotados do Brasil atraindo novos profissionais que desejam conhecer parte dos segredos que os tornaram tão prestigiados. Como, além de acompanharem as preparações, contam com oportunidades raras para experimentares os resultados dos trabalhos, não há como não interessarem tanto os profissionais da culinária como os que comentam nos meios de comunicação as novidades que continuam sendo lançadas no Brasil. Muitos ingredientes pouco conhecidos também são apresentados, mas há que se considerar que nem sempre estão disponíveis de forma regular, de forma que possam ser utilizados profissionalmente. O que muitos estão tomando conhecimento é sobre a disponibilidade de muitos queijos, ainda preparados artesanalmente, que se diferenciam como já existem em centros tradicionais e oferecidos regularmente em estabelecimentos especializados.

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Quando se fala em culinária, não se podem separar as bebidas que os acompanham. Tanto os vinhos como cervejas artesanais, além dos destilados com grande variedade estão mostrando que neste país existem produtos de qualidade que até estão sendo conhecidos no exterior.

Mas, é interessante que também chefs já conhecidos estão apresentando de forma mais popular as suas criações, como se fosse comidas de rua, para que um público mais amplo possa conhecer parte dos seus trabalhos, que são apreciados mais nas alimentações cotidianas, apresentando algo mais do que pode ser encontrado normalmente.

Muitas das receitas apresentadas nestes eventos também estão ficando disponíveis pelos meios eletrônicos, proporcionando a possibilidade de acesso também daqueles que não tiveram a oportunidade de comparecer pessoalmente neste tipo de evento. O que fica muito claro é que o público interessado na culinária continua numa acentuada expansão, deixando de ser somente uma moda, mas uma tendência para a melhoria da alimentação.

Mas, parece que para estes conhecimentos sejam consolidados, há que se ter a consciência que muitos trabalhos ao longo do tempo terão que ser exercidos, não sendo somente algo que possa ser experimentado como algo simplesmente criativo. Para que tenham uma verdadeira qualidade, é preciso entender que muito trabalho e esforço foram acumulados ao longo de muito tempo. Tudo exige muito trabalho acumulado.


Dengue Até no Japão

2 de setembro de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Saúde | Tags: , , ,

Os doentes com a dengue, doença contraída pela picada de mosquitos é mais conhecida como uma que ocorre em regiões tropicais. Não se verificava no Japão deste a Segunda Guerra Mundial, mas neste ano já se observaram 22 casos, conforme informações do Ministério da Saúde daquele país, transmitida pela agência Jiji. A maioria é de moradores de Tóquio, mas as informações são de que as pessoas contraíram a doença com picadas de mosquito quando estavam no Parque Yoyogi, onde existe uma concentração de árvores. Mesmo os que moram em outras províncias frequentaram este parque, e as autoridades japonesas estão pulverizando inseticidas nos arredores desta localidade, inclusive na área verde ao lado, onde fica o popular Santuário Meiji. Não se registraram casos de morte, mas os mais graves pacientes chegaram a ter hemorragias.

Comparando com o Brasil ou outras áreas tropicais, o caso do Japão é de controle mais fácil, por estar concentrado num lugar público, e não espalhado pelas regiões residenciais. Como se sabe, o controle da multiplicação dos mosquitos acaba ficando mais complexo quando todos os lugares com possibilidade de contar com águas paradas podem facilitar a disseminação destes mosquitos, que picando pacientes infectados, acabam transmitindo para outros a dengue.

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                     Mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela

A dengue não é transmitida pessoa a pessoa, mas somente pela picada de doentes que possuem a doença, que é transmitida pelo sangue com a picada de outra ainda sadia. O seu combate concentra-se sobre a eliminação dos transmissores.

Verificou-se que no passado alguns japoneses que tinham visitado outros países tinham contraído a dengue. Entre os doentes estão atores que filmavam um show de televisão naquele parque de Yoyogi, e os pacientes costuma sofrer febre repentina, três a sete dias depois de picados, acompanhados de dores de cabeça e algumas erupções cutâneas.


Aumento dos Alimentos Funcionais no Mundo

29 de agosto de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Saúde | Tags: , , ,

Um interessante artigo elaborado pelo professor emérito hindu Tejraj M. Aminabhavi da Soniya College of Pharmacy, Dharwad, India foi publicado pelo Nikkei Asian Review informando sobre o nutracêuticos, que seria uma junção da nutrição e farmacêutica. Ele pode ser acessado em inglês no: http://asia.nikkei.com/Tech-Science/Tech/Tejraj-M.-Aminabhavi-Nutraceuticals-advances-in-health-supplements. Segundo o autor as ervas naturais têm sido usadas na Ásia há séculos pelos antigos indianos, chineses, egípcios e sumérios da Mesopotâmia. Têm benefícios terapêuticos nas lutas contra a fadiga e a prevenção ou atrasos de doenças relacionados com a idade: artrite, câncer, síndrome metabólica, problemas cardiovasculares, Alzheimer, Huntington, osteoporose, catarata, distúrbios cerebrais entre muitos outros. A International Food Information Council definiu os alimentos que têm benefícios para a saúde, alem da nutrição básica, como “alimentos funcionais”. Estes podem variar de brócolis para alimentos enriquecidos, tais como cálcio e suco de laranja enriquecido com vitamina C, produtos à base de soja e suplementos dietéticos.

clip_image002                        Professor Tejraj M. Aminabhavi, da Soniya College of Pharmacy, 
        Dharvad, India, também muito respeitado nos meios acadêmicos norte americanos.

Segundo ele, com o advento da nanotecnologia em aplicações farmacêuticas, abriram-se novos caminhos para a estabilidade, solubilidade e aumento da permeabilidade de nutracêuticos problemáticos. Muitos detalhes técnicos são fornecidos sobre as vantagens hoje possíveis nestes medicamentos no artigo mencionado.

Os nutracêuticos estão crescendo em notoriedade com o aumento da consciência dos consumidores com relação à saúde. Espera-se crescer ainda mais pelas mudanças do estilo de vida nos países emergentes no Oriente Médio, na Ásia do Pacífico e na América Latina.

Muitos produtos nutracêuticos já estão nas prateleiras, na maioria antioxidantes e probióticos, mas não muitos que utilizam a nanotecnologia, que já existem. Como os da NutraLease em Israel, os da BioDelivery Sciences International, uma empresa norte-americana e a Aquanova, uma empresa alemã.

Europa, Estados Unidos e o Japão dominam o mercado de alimentos funcionais, tendo 85% do mundial. Em 2015 nos Estados Unidos o tamanho do mercado deve chegar a US$ 90 bilhões, e o mundial a US$ 243 bilhões. Os emergentes como a Índia e o Brasil, os países da Ásia do Pacífico, como o Japão e a China devem ser grandes consumidores destes produtos.

Estas notícias são alvissareiras.


Presença da Otsuka Pharmaceutical no Brasil

28 de agosto de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Saúde | Tags: , ,

Segundo informações constantes de um artigo de Fernando Scheller publicado no O Estado de S.Paulo a empresa do Estado do Paraná, Jasmine, distribuidora de alimentos saudáveis no mercado brasileiro, acaba de ter o seu controle adquirido pela francesa Nutrition et Santé, que é uma subsidiária da Otsuka Pharmaceutical, uma grande produtora de produtos farmacêuticos do Japão. Seria uma estratégia semelhante a adota pela maior empresa farmacêutica japonesa, a Takeda. Informa-se que a Jasmine vinha crescendo em suas vendas em torno de 20% ao ano ao longo da última década.

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A Jasmine tem uma ampla lista de 150 itens de alimentos saudáveis, desde biscoitos, cereais matinais, funcionais, infantis, orgânicos, adoçantes, bebidas e snacks, possuindo certificações de diversas agências. São desde produtos prontos para consumo, como ingredientes de qualidade que podem ser utilizados para as mais variadas finalidades.

No Japão como em muitos países asiáticos não se faz distinção de medicamentos com produtos voltados à saúde, que na realidade possuem as mesmas finalidades.

As empresas japonesas que estão ampliando suas atenções pelo mundo, estão utilizando suas capacidades econômicas e financeiras para ampliarem suas atividades em mercados que apresentam potencialidades de expansão. Como a população japonesa está em declínio, os países emergentes como o Brasil apresentam possibilidades atrativas, além de serem produtores de algumas matérias primas, acabam sendo escolhidas.

Entre os produtos que apresentam boas perspectivas de mercado estão a chia e a quinoa, que são produzidas nos países andinos, além de adoçantes como a stevea em que o Brasil é um grande fornecedor.

Também nestes mercados estão aumentando as consciências das necessidades de se evitar elementos nocivos como agrotóxicos, fazendo com que o mercado de produtos orgânicos esteja em alta. Portanto, além do mercado interno, existem produtos que possam ser colocados no mercado internacional.


Dramas das Vitimas das Bombas Atômicas que Vivem no Brasil

27 de agosto de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais e Notícias, Saúde | Tags: , , ,

Existe uma Associação de Paz das Vitimas das Bombas Atômicas que vivem no Brasil, presidida pelo Takeshi Morita, hoje com 90 anos, que foi atingido em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945, quando trabalhava como policial. A sua sede fica em São Paulo num supermercado da propriedade dele chamado Sukiyaki, onde estão afixados 101 nomes destas vitimas que viviam em São Paulo, muitos já falecidos. Eles só recebem anualmente uma ajuda equivalente a 300 mil yens anuais, menos de US$ 3.000, e são submetidos a um check up anual no Hospital Santa Cruz. No seu pico chegaram a 270 vitimas que vivem no Brasil, mas já estão reduzidos a menos da metade. Os que residem no Japão recebem a assistência integral para doenças provocadas pelas radiações, como 4.440 que vivem no exterior reconhecidos como “hibakusha”. Com a idade avançada, média de 79 anos, não contam mais como viajarem para o Japão para receberem tais tratamentos.

O assunto mereceu um artigo escrito por Junichiro Nagasawara e publicado no The Japan Times, pois eles entregaram uma petição ao Primeiro Ministro Shinzo Abe quando de sua visita ao Brasil. Eles pleiteiam receber as assistência no Brasil. São citados alguns casos concretos como Yoshitaka Samejima, 85 anos, nascido no Brasil e começou a estudar no Japão aos 11 anos, e participou das operações de resgate do exército japonês em Nagasaki, em 10 de agosto de 1945, um dia após o bombardeio atômico naquela cidade. Ele desenvolveu sintomas de radiação, como doenças de pele, aos 60 anos. Tendo sofrido um derrame cardíaco no ano passado não tem condições de suportar uma viagem a Nagasaki para a continuidade do seu tratamento. Takeshi Morita continua acompanhando estes assuntos e mostra uma caderneta com os dados médicos que são registradas as ocorrências, emitido pelo governo japonês.

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Takashi Morita, presidente da Associação de Paz da bomba atômica Vítimas no Brasil, mostra um notebook médico emitido pelo governo japonês para as vítimas da bomba atômica que vivem no Brasil, em São Paulo in July. | KYODO Publicado no The Japan Times

Yasuko Saito, 67 anos, filha de Takashi Morita, segunda geração das vitimas da bomba atômica informa que os dramas sofridos por estas pessoas precisam ser transmitidas para as gerações futuras, alertando sobre o uso de energias perigosas como as atômicas.

Hoje, um professor de 40 anos, Andre Lopes Loula desempenha o papel de membro executivo da Associação e organiza sessões com estudantes para ouvir as experiências dos Hibakusha. Planeja-se publicar uma coleção de testemunhos de hibakushas do Brasil e de outros países sul americanos.


Novos Alimentos Semipreparados

21 de agosto de 2014
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias, Gastronomia | Tags: , ,

Uma matéria preparada por Kosuke Iwano para a Nikkei Asian Review informa que a Nissin está ampliando suas pesquisas e desenvolvimentos para lançamento de novos produtos, com maior eficiência nos processos produtivos. Eles são os pioneiros que vieram lançando os macarrões de preparo instantâneo, os conhecidos Ramen de frango desde 1958 e atendem as necessidades daqueles que não dispõe de tempo para o preparo adequado de alimentos mais elaborados. Como muitas donas de casa passaram a ter empregos em todo o mundo, mesmo de tempo parcial, não contam com o tempo para cuidar de suas casas e dos preparos de refeições para seus familiares. Estes produtos que somente com água fervida já podem ser consumidos, apresentando uma qualidade cada vez mais aceitável, estão com suas demandas em expansão nos mais variados mercados.

As pesquisas que estão sendo efetuadas no Japão já permitem que o arroz com curry, muito consumidos pelos japoneses também sejam preparados somente com água fervida, como os macarrões de sabor ajustado para os paladares da cozinha como a tailandesa. Estão sendo adicionadas novas linhas que permitem atender as preferências de diversas populações que estão aderindo a estes tipos de alimentos semelhantes aos fast foods. Há um reconhecimento que mesmo nos países emergentes, como muitos asiáticos, também as mulheres estão entrando no mercado de trabalho formal, ao mesmo tempo em que novas faixas da população ingressam nas classes médias mais modestas, passando a consumir produtos que podem ser encontrados nos supermercados ou lojas de conveniência. Chegam a ser de consumo habitual, além de eventuais.

clip_image001    Nissin está chegando com novos sabores de apelar para o paladar dos clientes em todo o mundo.

Depois de 50 anos a demanda global de macarrões instantâneos tinham alcançado mais de 100 bilhões de refeições por ano. Eles esperam que dentro de 10 anos cheguem a 130 a 140 bilhões de refeições. Mesmo a Nissin não consegue atender toda esta demanda, sendo que 17,5% das vendas no último ano fiscal (que termina em março no Japão) teria ocorrido no além mar. Estão ampliando suas parcerias em muitos países.

Agora a Nissin visa o mercado chinês, testando a linha chamada Hap Mei Do em Hangzhou, que tem um molho com sabor de produtos marinhos. O produto tem boa aceitação entre os jovens e com a publicidade esperam conseguir um crescimento anual de 30% por ano. Planejam estar com um staff de mil funcionários em torno do ano de 2016 naquele país.

Os planos da Nissin na Indonésia é aumentar a participação do parceiro local dos atuais 49% para 98% do capital. Expandiram em 2013 suas atividades para a Turquia e o Kenia e esperam elevar as vendas no exterior para 50% no ano fiscal de 2025, para abastecer 80 países em todo o mundo, tornando-se uma empresa global.