25 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: câmbio valorizado, crescimento das exportações, editoriais do Nikkei, redução das importações
Os dados contraditórios japoneses mostram, em que pesem as dificuldades, que esforços estão sendo efetuados pelas empresas para compensar a extrema valorização do yen. As exportações de julho cresceram 23,5% com relação ao mesmo mês do ano anterior, quando em junho tinha crescido 27,7%. As estimativas para este ano são de crescimento de 22,9%, que não pode ser considerado um resultado ruim. As importações cresceram somente 15,7%, dobrando o superávit comercial. As exportações estão sendo beneficiadas pelo elevado crescimento da China e da Ásia como um todo.
Mas o Japão sofre um problema de deflação, ou seja, os preços estão caindo por falta de uma demanda interna. Com isto o índice Nikkei, o principal da Bolsa de Tóquio, está abaixo de 9.000 pontos, provocando constantes editoriais irados do principal jornal econômico japonês, que tem o mesmo nome do índice. O diário reclama da inércia governamental, que provoca uma extrema valorização do câmbio, quando comparado com o dólar e o euro, a mais alta nos últimos 15 anos.
O editorial lista uma série de medidas que podem ser tomadas, como a maior flexibilização do crédito pelo Bank of Japan, o Banco Central japonês, um dispêndio maior do Tesouro, em que pese o elevado endividamento público japonês. Uma desregulamentação maior da economia é proposta. Até uma redução tributária é cogitada, alegando que as autoridades ficam sem ação diante das desvalorizações do dólar e do euro.
Haverá uma eleição da presidência do partido no governo, o DPJ – Partido Democrático do Japão, no próximo dia 14 de setembro, e não se sabe se o premiê continuará o mesmo, pois está com um prestígio baixo. Não aparece nenhuma figura capaz de liderar a sociedade japonesa.
Na realidade, a média da população japonesa é extremamente conservadora e seus dispêndios em crises como a atual mantêm-se modestos, mesmo com os apelos das autoridades para maiores consumos, como o que foi conseguido por Lula da Silva no Brasil.
O Japão deixou de ser a segunda economia do mundo, perdendo recentemente a posição para a China. Apesar do elevado nível educacional de sua população, continua trabalhando coletivamente, sem nenhum destaque individual, quer empresarial como político. Já se encontra estagnada há mais de duas décadas, em que pesem as medidas de estímulo para aumento dos dispêndios em construção civil como ações de preservação do meio ambiente.
Esboçam-se esforços isolados, mas mostra-se incapaz de retomar o desenvolvimento como o que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, período que ficou conhecido como “milagre japonês” que serviu para estimular os demais “tigres asiáticos”.
Tudo isto parece demonstrar que o processo de desenvolvimento depende de um complexo de fatores que provocam uma mobilização como a que se observa recentemente na Coreia e na China, seguida também por outras sociedades emergentes, que não dependem somente dos instrumentos de política econômica.
24 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: economia em expansão, lucro das empresas coreanas, mercado interno e externo
Quando a maioria das economias no mundo passa por períodos de dificuldades, a coreana prova o seu vigor, mostrando que no trimestre que terminou em junho último suas empresas tiveram um crescimento dos seus lucros de 47% com relação ao mesmo período do ano passado. Isto ocorreu tanto pelo crescimento de suas exportações como pela ampliação do consumo do seu mercado interno, segundo artigo publicado pelo jornal econômico Nikkei. Mas com a desaceleração das economias norte-americana e chinesa, o futuro mostra-se pouco claro.
As 565 empresas listadas na Bolsa Coreana tiveram um lucro de US$ 14 bilhões no ano fiscal que terminou em dezembro último, de forma agregada, com um crescimento das vendas de 17% anuais, de forma não consolidada. A maioria das empresas opera no mercado internacional.
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24 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: diversas faixas de renda, interesses específicos, notícias constantes
As medidas tomadas pelas autoridades japonesas, como a dispensa dos vistos para os turistas chineses e os pacotes oferecidos pelas agências de turismo, provocam uma enxurrada de viajantes provenientes da China ao Japão, com suas variadas características. Provocam uma impressionante integração entre os dois países, com um significativo impacto sobre a economia japonesa. Os consumidores japoneses se mantêm conservadores, apesar de todas as medidas de estímulo oficial, e a demanda dos turistas chineses é bem-vinda para eles.
Os de maiores níveis de renda compram bens de luxo como relógios e aparelhos eletrônicos japoneses que gozam da imagem de apresentarem elevada qualidade. Os mais modestos, segundo notícias do jornal econômico japonês Nikkei, preferem cosméticos e roupas, portando listas que são até atendidas nas lojas de conveniência. Até as cadeias destes estabelecimentos procuram se equipar para atender as demandas destes turistas chineses.
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23 de agosto de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: âncora da KING 5TV-News, em Seattle, jornalista e repórter, presidente do Nikkei Heritage Association of Washington | 2 Comentários »
Por iniciativa do escritório da Fundação Japão de Nova Iorque, a jornalista nipo-americana Lori Matsukawa está visitando o Brasil, ministrando palestras em várias cidades. Falando sobre o tema “O papel da mídia no convívio multicultural”, Ms. Matsukawa aborda o racismo, direitos civis e a questão da identidade da comunidade asiática na América do Norte. Na cidade de São Paulo, a palestra, seguida de debate, teve mediação do professor Sedi Hirano (pró-reitor de Cultura, USP), e participação dos professores Adriana C. de Oliveira (Univ. Federal do ABC) e Eugênio Bucci (ECA / IEA, USP) e do jornalista Jorge J. Okubaro (editorial, jornal “O Estado de S.Paulo”).
Ms. Matsukawa falou brevemente do histórico dos primeiros imigrantes japoneses nos Estados Unidos, de seus pais em Havaí e depois em Seattle. As conversações sobre a imigração começaram em 1860, e a primeira leva de imigrantes aportou em 1880, 18 anos antes da imigração japonesa para o Brasil. A integração dos japoneses dentro da sociedade americana foi profundamente afetada pela II Guerra. Além do mais, segundo a jornalista, a própria cultura americana impelia a um forte grau de racismo, pois exclusão e discriminação por motivos raciais eram fatos perfeitamente legais. Imigrantes não podiam registrar bens imóveis em seus nomes nem obter, até 1952, nacionalidade americana.
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23 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: evitando excesso de departamentalizações, sinergias dentro do próprio grupo, um exemplo concreto
Quando as empresas estavam em rápida expansão econômica, muitas procuraram criar subsidiárias que tinham como objetivo especializar suas equipes em determinadas tarefas, buscando uma eficiência decorrente do foco em negócios específicos. Parece que agora, quando a economia se torna indispensável com a acirrada concorrência, algumas procuram integrar melhor as suas subsidiárias para conseguir sinergias adicionais.
O jornal econômico Nikkei anuncia uma nova orientação do grupo Panasonic, que planeja para 2012 o completo controle de suas subsidiárias Panasonic Eletric e Sanyo, revisando seu modelo de marketing, passando a atuar com um pacote para atender todas as necessidades de uma residência ou de um edifício empresarial, inclusive energia solar. A Panasonic Eletric tem uma experiência atuando com materiais de construção desde 1935, onde as necessidades de cada residência ou edifício tinham suas carências específicas, antes mesmo de ingressarem no setor eletrônico.
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23 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: controvérsias, exposição no distrito 798 em Beijing, um começo
A Folha de S.Paulo, no seu suplemento Ilustríssima de domingo, dia 22 de agosto, publicou um interessante artigo de Fabiano Maisonnave com o título “Uma nova China? Arte, liberdade e censura”. Em se tratando de arte, sempre haverá controvérsias, como muito bem colocado no artigo, com algumas manifestações de satisfação pelo início da abertura das autoridades chinesas, como das críticas por que ela não é completa, sendo somente um acontecimento limitado.
Na realidade, no chamado distrito 798 de Beijing, alguns artistas que se manifestam rebeldes com os pontos de vista oficiais obtiveram um pequeno espaço onde podem apresentar seus trabalhos. Obras que seriam chocantes para o grande público chinês, que ainda conta com muitos admiradores das orientações impostas na era Mao, e poucos na Revolução Cultural, são expostas sem oposição aberta das autoridades. Pela descrição do artigo, até obras que ridicularizam Mao são apresentadas, o que em qualquer hipótese significa uma abertura.
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22 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Intercâmbios | Tags: China, Coréia, infraestrutura necessária, japao, promovendo o turismo dos asiáticos
O jornal Japan Times informa que houve uma reunião dos principais responsáveis pelo turismo dos três países do Extremo Oriente, China, Coreia e Japão, em Hangzhou, tendo estabelecido uma meta de 26 milhões de turistas anuais, o dobro da cifra do ano passado, 2009. Quem tem visitado estes países verificam que esta meta é perfeitamente atingível, tanto pelos locais a serem visitados como pelo atual ritmo de crescimento deste turismo, com uma adequada infraestrutura para atender a demanda decorrente.
Os aeroportos do Extremo Oriente, suas companhias de aviação, os transportes complementares ferroviários e rodoviários, as instalações hoteleiras, os serviços para atender a massa de turistas com qualidade, tudo cresce a uma velocidade impressionante. E o nível de renda das populações ansiosas para conhecer as formas de bem viver dos países vizinhos já são suficientes.
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22 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Curiosidades | Tags: admiração pelo esforço brasileiro, casamento ecológico, satisfação dos convidados | 2 Comentários »
Um inusitado esforço começou a ganhar corpo no Japão, como noticia o Japan Today. Jovens casais começam a realizar casamentos que demonstram o seu engajamento com os esforços feitos por um funcionário do Ministério do Meio Ambiente e por uma funcionária da Universidade das Nações Unidas. Convidam os amigos para o seu casamento na forma de e-mail, solicitando esforços dos mesmos para utilizarem o mínimo de papel.
Ela vestiu uma roupa ecológica de fibras naturais durante o casamento e, em vez do tradicional bolo, plantaram uma árvore. Os presentes chamados “hidekimono” que os noivos costumam dar para os convidados eram de sabão ecológico, minimamente embrulhado de forma a evitar danos ecológicos. Em algumas festas, os pratos são servidos nas porções que os convidados irão consumir, para evitar desperdícios, todos preparados com matérias-primas orgânicas.
O casal apresentou um show assinando o compromisso proveniente do Brasil para evitar os gases de carbono nas greenhouses, fizeram uma doação para a campanha e informaram que na festa e na lua de mel deles estão economizando oito toneladas de emissão de poluentes.
Os convidados se mostraram solidários e satisfeitos por estarem colaborando com a campanha. Casamentos similares estão se multiplicando no Japão, dando conta do engajamento dos jovens em programas ecológicos. São notícias alvissareiras que demonstram que estão indo além dos discursos, com demonstrações concretas que existem muitas formas de colaboração para uma vida sustentável neste planeta.
21 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Curiosidades | Tags: artigo do Japan Times, um programa recomendado, visitando um produtor de Shizuoka
O chá produzido no Japão veio do continente asiático para o arquipélago há cerca de 1.500 anos, onde o tipo chamado verde se tornou o mais conhecido. Os que têm o privilégio de viajar de Tóquio para Hamamatsu, na província de Shizuoka, cidade que concentra muitos trabalhadores provenientes do exterior, como do Brasil, contam com uma vista parcial destas plantações. Mesmo pelo Shinkansen que vai a Osaka, passando por Quioto e seguindo para o Sul, é possível ter uma rápida visão desta maravilha.
A jornalista Mandy Bartók escreveu uma matéria ímpar com o título “Taking a tea break in Shizuoka”, que foi publicada no Japan Times do último dia 15, domingo, de onde se extraiu as informações básicas desta nota, sendo suas as espetaculares fotografias ilustrativas. A área visitada pela jornalista produz cerca de metade da produção japonesa, e já tem uma história de cerca de 800 anos.
Visitantes escolhem chá em Greenpia Makinohara. A cesta contém folhas suficientes para cerca de 20 gramas de chá. Fartura de copos para os visitantes. Refeição no restaurante do centro Maruobara. Fotos de Mandy Bártok
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19 de agosto de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Trem Rápido | Tags: déficits iniciais, exemplos chineses, volume de tráfego
Mesmo tentando ser o mais imparcial possível, há que se admitir que muitas coisas da China surpreendem até os mais céticos sobre a capacidade chinesa na implementação de ousados projetos. Numa recente viagem a Xangai, experimentei pessoalmente os avanços que atingiram esta cidade, conhecida de outras viagens, tanto seu novo aeroporto quanto o monorail como todas as obras que lá estão feitas nos últimos anos.
Mesmo que parte desta nota pareça uma propaganda, existem aspectos que merecem a nossa atenção, quando o Brasil está num processo de concorrência do seu sistema de trem rápido que deverá ligar Campinas-São Paulo-Guarulhos até chegar ao Rio de Janeiro. No monorail que liga o aeroporto a Xangai, constatei que em três minutos já tínhamos atingido a velocidade de 300 quilômetros horários, sem turbulências, pois o sistema utiliza uma tecnologia de levitação.
Este trem rápido liga Beijing a Tianjin há mais de dois anos, percorrendo uma distância de 120 quilômetros, a uma velocidade máxima de 350 quilômetros/hora. Transporta 50.000 passageiros por dia, e cobra uma tarifa que não chega a R$ 20,00 em primeira classe, mas ainda deu um prejuízo de pouco menos de US$ 100 milhões no seu primeiro ano de operação. O trem faz 57 viagens ao dia, saindo a cada 15 minutos, adequado, evidentemente, à escala chinesa, de duas cidades de grande porte.
Pelos depoimentos que podem ser visto no vídeo que incluímos neste site, tanto há passageiros estrangeiros como chineses que preferem este trem rápido a utilizar um avião ou outros meios de transporte. O preço da passagem para os chineses que o utilizam habitualmente acaba ficando caro, quando considerado os muitos dias que utilizam, e os salários médios. No entanto, para os que possuem posição como de gerentes, as informações são que seus salários médios mensais chegam hoje a cerca de US$ 10 mil.
Mesmo no Japão, os trens rápidos na primeira classe são utilizados por poucos que desejam seus lugares marcados. A grande maioria utiliza a normal, que também é confortável.
O governo chinês pretende implantar sistemas semelhantes entre muitas cidades, cobrindo cerca de 12.000 quilômetros nos próximos anos, havendo um em funcionamento que cobre uma distância superior a 1.000 quilômetros. A velocidade da implantação destas melhorias também surpreende.
O vídeo foi incluído para os mais incrédulos, e podemos afirmar o que vimos são de qualidade semelhante, assim como as rodovias, metrôs, avenidas e pontes, igualando aos disponíveis nos países desenvolvidos.
Acesse o vídeo http://www.chinadaily.com.cn/video/2010-07/30/content_11068599.htm