Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Sobre a Ascensão e Declínios das Cidades e Regiões

15 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , ,

Um notável professor de sociologia da FEA – Universidade de São Paulo, professor Heraldo Barbuy, nos ensinava sobre os estudos sociológicos das ascensões e declínios de regiões, inclusive dentro das grandes metrópoles. Havia uma tendência de um centro dinâmico, depois uma faixa com a formação de áreas decadentes, cercada por uma área em ascensão, até chegar à periferia. Um artigo publicado no The New York Times e reproduzido no suplemento da Folha de S.Paulo, do jornalista Edward Wong sobre Jili, na Província de Zhejiang, na China, nos leva a reflexões sobre o assunto.

Jili, segundo o artigo, teria sido a região onde se originou a produção da seda há cerca de 4.000 a.C., sendo o sinônimo de seda de boa qualidade na Dinastia Qing, com produção manual, quando vestia os imperadores da China. Passou por um longo período de prosperidade, inclusive no áureo da Rota da Seda. Com o seu declínio provocado pela produção da seda, inclusive industrial em outras localidades, hoje, os jovens da região procuram emigrar na procura de trabalhos nas regiões mais dinâmicas, restando uma pequena indústria não competitiva na cidade.

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Rota da Seda: as estradas estão indicadas em vermelho e a rota na água em azul

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O Luxo em Alguns Países Emergentes

15 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , , , , | 2 Comentários »

Lamentavelmente, o processo de desenvolvimento acelerado da economia é acompanhado, na maioria dos países, por uma maior concentração da renda, como acontece na China e na Índia. O Brasil é uma honrosa exceção em decorrência dos resultados atingidos pelo governo Lula da Silva, que se concentrou na melhoria da distribuição de renda, com a substancial melhoria da situação das camadas mais pobres, ainda que os extremamente ricos tenham se beneficiado dos elevados juros e lucros financeiros, que estão entre os mais altos do mundo.

Algumas revistas brasileiras, como a Veja São Paulo, Edição Especial, com o seu Almanaque do Luxo, trazem informações impressionantes sobre os consumidores que chamam de AAA. Outras como Wish e especializadas em clientes de determinadas ruas que concentram lojas voltadas aos consumidores de altíssimo poder aquisitivo de São Paulo apresentam apreciáveis anúncios de produtos de luxo internacional. A Folha Online postou matéria sobre a expansão das lojas das grandes grifes nesta Capital. Para estas camadas parece que as dificuldades econômicas não existem.

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Capa da Revista Wish e da edição especial de Veja São Paulo, Almanaque do Luxo

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Libertação da Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi

14 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , , ,

Todo o mundo saúda a libertação da Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi (nome que significa literalmente “a brilhante vitória de estranhas conquistas”), heroína de Mianmar, também conhecida como Burma em muitos países. Ela foi liberada da prisão a que estava submetida arbitrariamente por 16 anos descontínuos, parte na forma residencial. Ela recebeu o seu prêmio por lutar pela volta da democracia no seu país pela não violência, um país que prima pela arbitrariedade dos seus militares que se encontram no poder. Como a notícia saiu em todos os jornais importantes internacionalmente, utilizamos parte dos dados publicados pelo jornal inglês Financial Times, pelo jornalista Tim Johnston.

Ela é filha do general Aung San, também considerado herói nacional por ter conseguido a libertação do seu país do colonialismo inglês. Ela estudou filosofia, política e economia na prestigiosa Universidade de Oxford, na Inglaterra, entre 1964 a 1967, e casou-se com o acadêmico inglês Michael Aris, que conheceu naquela escola superior. Ela foi presa pela primeira vez em 1989 pela Junta Militar por ser a favorita nas eleições do ano seguinte, que o seu partido, Liga Nacional para a Democracia, ganhou fragorosamente, mas não o levou ao poder.

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Mais de cinco mil pessoas foram saudar a Prêmio Nobel em sua casa. Foto France Press

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Cúpula da APEC no Japão

12 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Integração | Tags: , ,

Mal terminou a reunião de cúpula do G20 – Grupo dos 20 países mais importantes economicamente do mundo, realizado na Coreia do Sul, já começa no Japão a reunião do mesmo nível da APEC que reúne 21 importantes líderes dos países da Ásia e do Pacífico, entre eles os mesmos Estados Unidos, China, Japão, Rússia, Austrália, Canadá, México, Chile, Peru e os do sudeste asiático. Os norte-americanos enfraquecidos, tanto pelas suas dificuldades de ativação de sua economia como das eleições que levaram a oposição ao domínio do Congresso, não conseguiram uma posição clara de condenação da política chinesa no G20. Agora, defrontam-se novamente na APEC, onde o tema principal é o acordo de livre comércio entre os seus membros no Japão, mas que guardam dificuldades idênticas às da reunião na Coreia do Sul.

A diferença é que na APEC aconteceram seis reuniões preparatórias em nível ministerial durante este ano, mas, mesmo assim, as recentes condenações da política norte-americana devem ser novamente levantadas, enquanto às relacionadas à chinesa são controvertidas.

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Máquina Caseira de Pão de Arroz

12 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Tecnologia | Tags: ,

O jornal econômico Nikkei informa o lançamento, com grande sucesso, do novo aparelho da Sanyo, hoje uma subsidiária da Panasonic, que permite produzir pão a partir do grão comum de arroz. O que já existia de forma limitada no Japão é o pão produzido de uma farinha de arroz, cujo preço sempre foi muito mais elevado que o do arroz em grão, cereal largamente consumido pelos orientais. Os aparelhos para o preparo do arroz foram os primeiros introduzidos há décadas, inicialmente para a forma consumida pelos orientais, mas que passaram a ser utilizados também no Ocidente, permitindo variações como o preparo de alguns tipos de risoto.

Os destinados à produção do pão de trigo também têm um largo consumo, para um tipo mais semelhante ao pão de forma, permitindo que se utilizem outros cereais como centeio e assemelhados. O sucesso de venda deste novo aparelho após o seu anúncio foi tão grande que o seu lançamento acabou sendo antecipado, e atualmente só é possível atender os consumidores que já fizeram a sua encomenda antecipadamente. Ele custa, no varejo, um pouco mais de US$ 600 cada.

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Resumo das Decisões do G20 em Seul

12 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Integração | Tags: , , , , , | 2 Comentários »

A importante reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Seul, na qual compareceu o presidente Lula da Silva acompanhado da presidenta eleita Dilma Rousseff, procurou um avanço nos entendimentos possível entre posições divergentes de países relevantes no atual cenário internacional. Não se podia esperar por decisões radicais, mas tudo indica que há uma consciência geral que o mundo passa por uma fase importante, e que todos necessitam envidar esforços para correção dos desequilíbrios que possam ser identificados.

No comunicado conjunto que veio sendo elaborado ao longo de semanas de negociações entre as delegações dos diversos países, anuncia-se um Plano de Ação de Seul que orienta as principais medidas a serem tomadas até a próxima reunião em fins de 2011, a ser realizada na França.

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Líderes mundiais durante encontro do G20, em Seul. Foto AP

Ficou decidido que serão elaborados indicadores dos desequilíbrios econômicos que estejam ocorrendo nas relações entre os diversos países, com a ajuda do FMI – Fundo Monetário Internacional, a fim de permitir a identificação e a correção para a sustentabilidade da economia globalizada, e eles devem ser objetos de decisão na próxima reunião de 2011.

Reafirmou-se que o câmbio entre as diversas moedas deve continuar a ser estabelecido pelo mercado, evitando-se a desvalorização competitiva que está ocorrendo atualmente, mantendo-se a flexibilidade cambial. Na análise da situação mundial, prestigiou-se o papel do FMI, que está sofrendo ajustamentos para acomodar a importância que os países emergentes ganharam no cenário internacional.

Os diversos fóruns específicos, realizados no âmbito das Nações Unidas, foram reconhecidos, como os relacionados com o clima, a biodiversidade, insistindo-se que os esforços de liberalização do comércio devem ter prosseguimento, ainda que as rodadas como a de Doha continuem com dificuldades, estimulando iniciativas de acordos regionais ou bilaterais de livre comércio ou de parcerias econômicas.

Numa análise ainda preliminar, deve-se admitir que esta reunião do G20 acabou sendo de grande utilidade para a colocação franca das posições de muitos países sobre os problemas econômicos internacionais, ainda que não seja possível tomar ações corretivas por ora. Ficou claro, no mínimo, que há um consenso sobre os desconfortos de todos, havendo necessidade da elaboração de indicadores que permitam o estabelecimento de negociações sobre os limites de suas variações, bem como os mecanismos que serão adotados para suas correções.

Seria muito difícil conseguir resultados mais concretos, mas as reafirmações dos chefes de governos e das principais organizações mundiais sobre estes problemas aparentam um avanço, estabelecendo um compromisso com os aperfeiçoamentos necessários, que deverão ser discutidos e negociados durante um ano.


Denso Escolhe Brasil Para Implantar um Centro de Pesquisa

11 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Tecnologia | Tags: , | 2 Comentários »

A General Eletric anunciou sua intenção de efetuar US$ 500 milhões de investimentos no Brasil, inclusive estabelecendo um centro de pesquisas para utilizar a criatividade dos brasileiros. De forma similar, a Denso japonesa, uma das maiores empresas de autopeças no mundo, anunciou no jornal econômico japonês Nikkei que decidiu estabelecer em Santa Bárbara do Oeste, Estado de São Paulo, um centro de pesquisas para produtos voltados aos países emergentes.

Além das notícias que alimentam a guerra econômica mundial antecedendo a reunião do G20 na Coreia do Sul, as empresas que operam mundialmente parecem convencidas que os países emergentes, como o Brasil, devem ser objeto de atenções especiais para uma nova fase que envolve pesquisas, preparação de mão-de-obra qualificada, usando as qualificações dos recursos humanos locais. Não se trata somente da competitividade da produção utilizando a mão-de-obra barata ou outras facilidades, mas de um profundo convencimento que estes mercados tendem a continuar com elevadas taxas de crescimento. Já noticiamos as pesquisas e treinamento de mão-de-obra que os japoneses desejam fazer na Bolívia.

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Shigueru Japanese Food no Itaim Bibi

11 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Gastronomia | Tags: , , | 4 Comentários »

Para os que apreciam a verdadeira culinária japonesa, os detalhes são importantes, e quem já veio adulto do Japão costuma ter conhecimentos que nem sempre são usuais entre os estrangeiros que aprenderam a prepará-la. Isto começa com os molhos básicos usados neste tipo de culinária. Mas quando os japoneses se instalam no Brasil, precisam incorporar algumas coisas adaptadas à clientela local. O novo restaurante Shigueru, instalado na conhecida rua Leopoldo de Couto Magalhães, 275, no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo, próximo à avenida Juscelino Kubitchek, consegue um adequado equilíbrio entre estas exigências.

Shigueru Hirano, seu proprietário e chef, acumulou uma importante e preciosa experiência atendendo uma clientela dominada por não nikkeis no bairro da Vila Madalena, com o seu Tanuki. Sabe selecionar os materiais a serem usados, fugindo um pouco do trivial neste tipo de restaurante, indo além dos usuais sushi e sashimis. Mereceu um comentário do Josimar Melo, crítico da Folha de S.Paulo.

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Reflexões Sobre os Gênios Populares e os Intelectuais

10 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , , ,

O sábio Joãozinho Trinta já tinha sintetizado que “intelectual é que gosta de miséria”. Lula da Silva, um presidente operário, sem curso superior, foi capaz de, com o seu carisma, fazer com que o povo brasileiro mantivesse o seu consumo na recente crise para preservar o seu emprego. Ele superou em prestígio popular os intelectuais que possuíam dezenas de diplomas “doctor honoris causa”, mostrando que a população tem uma inteligência coletiva. Só isto bastaria para ficar com a massa, fugindo dos “pensadores” que preferem “curtir uma fossa”.

joaozinho_trinta Acompanhando o recente noticiário internacional fica-se com a impressão de que a maioria dos líderes mundiais está confusa, tendo até proposta da volta do padrão ouro. Jornalistas de todo o mundo acabam sendo parciais, destacando as notícias desastrosas, dando pouca importância aos heróicos esforços feitos pelo povo, principalmente pelos mais modestos, para superar as naturais limitações impostas pela vida. Apesar dos contínuos prenúncios dos profetas do apocalipse, o mundo continua melhorando de padrão de vida, na distribuição universal da renda, de eficiência tecnológica, obrigando os chamados “desenvolvidos” a caírem na realidade, enquanto emergentes como “besouros que não poderiam voar” conseguem obter crescimentos impressionantes. Graças à mobilidade social, os que tinham posições mais modestas estão virando consumidores, enquanto muitos que tinham privilégios curtem a sua decadência ou vivem como vampiros sugando o sangue alheio.

Os centros dinâmicos mundiais passaram a ser dos chineses, hindus e brasileiros, entre os povos de maiores dimensões territoriais, mas também dos coreanos, vietnamitas e dezenas de outros emergentes. Os desenvolvidos, como os escandinavos, norte-americanos, europeus e japoneses, parecem ter entrado num ciclo de canibalismo consumindo suas próprias entranhas, como aconteceu ao longo da história com muitos povos que passaram por suas fases de ascensão, apogeu e queda. O mundo não vai acabar, mas convém estar plugado nos emergentes, que devem se proteger dos especuladores financeiros e seus agentes, verdadeiros parasitas dos trabalhos da massa dos que se dedicam à produção.

Que continuem os “desenvolvidos” com seus elevados graus de suicídios, que mostram que não é somente a riqueza que traz a felicidade humana. Os meus colegas economistas pseudointelectuais já deveriam ter aprendido da psicologia que um clima otimista ajuda a superar muitos problemas provocando verdadeiros milagres, e o pessimismo coletivo aprofunda as dificuldades, não gera a confiança no futuro, indispensável para o investimento físico e a criação do emprego.

Não basta inundar o mundo com liquidez financeira e acelerar os fantásticos fluxos internacionais de recursos só para proveitos pessoais. As bolhas só beneficiam os operadores financeiros, com riscos que não são capazes de calcular, apesar dos sofisticados modelos matemáticos ou econométricos. Parece necessária a humildade com as limitações da análise acadêmica, bem como dos instrumentos de política econômica. Que haja consciência do “dismal science”, ou a melancólica ciência que é a economia, como o professor Delfim Netto identificou ter origem em Thomas Carlyle já em meados do século XIX.

Thomas Carlyle A comunicação social, com todos os seus riscos, parece de importância fundamental para a superação do atual estado depressivo no chamado mundo desenvolvido, que continuará a ter a sua importância, ainda que esteja na sua fase descendente. Parecem ser algumas das lições que podem ser retiradas da atual guerra, que se generalizou, deixando de ser cambial para ter retroagido para um aumento do protecionismo comercial, com prejuízo para todos. Como a libra esterlina que caiu em desuso, o mesmo poderá acontecer com o dólar norte-americano, mas o mundo não sentirá a sua falta.

Os seres humanos continuam criativos, vão acabar encontrando formas de combinar a iniciativa produtora com a alegria de viver com liberdade.


Honorável Maestro Seiji Ozawa

10 de novembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura | Tags: , , ,

Seiji Ozawa se tornou o primeiro regente japonês a receber título de membro honorário da Orquestra Filarmônica de Viena, em tocante cerimônia em Tóquio, transmitida pela NHK-News. Nascido em 1935 na Manchúria, sua família fez parte do contingente de japoneses deportados para o Japão durante a II Guerra. Com forte inclinação para música, cedo se apaixonou por clássicos europeus. Estudante na Toho School of Music, em Tóquio, estagiou em orquestras (Sinfônica da NHK, Filarmônica do Japão), na área de regência e composição. Concluído o curso com louvor, viajou pela Europa. Em competição internacional para regentes em Besançon, França, se classificou em primeiro – o que lhe abriu caminho para bolsa de estudos na prestigiosa Berkshire Music Center Tanglewood, Massachusetts, EUA, summer home do Boston Symphony Orchestra. Era verão de 1960, e sua vida ficaria para sempre ligada a este Centro e, por conseguinte, à Sinfônica de Boston – para onde seria convidado para ser consultor musical, depois nomeado diretor de música, e finalmente, consagrado maestro. Diretor artístico do Berkshire Music Center desde 1972, ele regeu a Sinfônica de Boston em diversas ocasiões no Tanglewood Summer Music Festival, para estudantes e amigos de música do mundo inteiro.

Seiji Ozawa

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