Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Dificuldades Estimulam a Criatividade

12 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: , , ,

Quem não tem cão caça com gato. Duas grandes e tradicionais empresas, como a Nippon Steel, pela sua subsidiária de engenharia, estabeleceram com a Oji Paper, uma gigante do setor de papel, um projeto conjunto para aproveitar resíduos de papel e de celulose para produzir etanol. Estas empresas já operam no Brasil. Normalmente, o etanol vem sendo produzido da cana ou de cereais como o milho, produtos escassos no Japão, com maior eficiência.

As dificuldades estão forçando as empresas a usar de todos os seus conhecimentos para aproveitar tudo o que é possível, utilizando os conhecimentos e as matérias-primas que dispõem, para produzirem energias limpas.

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De Comidas, Sabores e Odores

11 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: , , , , | 2 Comentários »

“Por que tem gente que odeia tanto o coentro?” pergunta Harold McGee, do New York Times, suplemento da Folha de S.Paulo, 17/05/2010. “Por que tanta gente ama o coentro?” replicaríamos nós.

Hoje em dia, o coentro é erva fina da culinária do Nordeste brasileiro, da Ásia, de Portugal, da Espanha, do Peru e alhures. Estudos indicam que predisposição genética pode explicar a rejeição. Ou, simplesmente, talvez seja falta de aventura e boa vontade que nos faz rejeitar de cara certos sabores e odores de comidas que não nos são familiares.

Na verdade, diz-se que o coentro lembra o sabor de sabão para algumas pessoas (que já lamberam sabão?). Para outras, suscita o aroma de roupa de cama infestada de… percevejos. Não sem razão. Segundo Harold McGee, quimicamente, o coentro é composto de fragmentos de moléculas chamados aldeídos, do mesmo tipo dos encontrados em sabões e loções, e em insetos da família de percevejos. Argh!!

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Ceviche de corvina e coentro in natura

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Mal Comparando São Paulo Com Istambul

11 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura | Tags: , , ,

Sempre existe a pretensão de considerar a cidade em que algum comentarista mora como umas das melhores do mundo, e os paulistanos exageram na regra. Acham que a nossa cidade é capital mundial da gastronomia, uma das maiores miscigenações étnicas e culturais conhecidas etc. São Paulo tem suas qualidades, mas também muitos defeitos que precisam ser reconhecidos.

Comparando com Istambul, ela possui oito mil anos de história, enquanto São Paulo tem pouco menos de 500 anos. O tamanho de ambas as metrópoles pouco difere quando considerados os seus arredores. O que parece comum é o tráfego terrível, com motoristas pensando que são pilotos de Fórmula 1. Em pontos turísticos e número de visitantes estrangeiros, Istambul supera em muito. Variedade de restaurantes, São Paulo ganha, mas em qualidade tanto de hotelaria quanto de instalações ela perde.

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Gastronomia Popular em Istambul

10 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Gastronomia | Tags: , , , , | 2 Comentários »

Certamente, a gastronomia popular em Istambul, que é boa, vem sofrendo naturais mudanças com as influências que recebe de todo o mundo, ajustada à ampla disponibilidade local de matérias-primas e as culturas locais. Como em muitas outras grandes metrópoles do mundo, notadamente no Mediterrâneo, percebe-se a sua evolução, mas continuam sendo os “kebabs”, os assados, os que estão mais à disposição da clientela popular. Não só dos locais, como da multidão de turistas vindos de todo o mundo, com ênfase nos que possuem tradições árabes e muçulmanas de todas as matizes. Malaios, indonésios, iranianos, da Ásia, do Sudeste Asiático com as mulheres vestidas de formas mais variadas, desde toda coberta de preto, cabeças e rostos protegidos como até as mais modernas com vestimentas ousadas.

Verifica-se a ampla disponibilidade de saladas, com vegetais e legumes frescos de boa qualidade, intensamente produzidos no país. O “messe”, um conjunto de entradas, oferece uma ampla variedade de pratos frios e quentes, a que se seguem assados com amplas opções, desde carnes dos mais variados tipos e frutos do mar, tudo consumido com muito vagar, e conversas animadas. O que atrai muitos turistas é a produção do pão árabe, preparado na hora por senhoras, que já sofre influências como dos “crepes” franceses, e já vem com variados ingredientes. Uma evolução clara é o menor uso do sal no preparo, que fica disponível na mesa para os clientes, junto com o óleo de oliva, mais usado no preparo. Nesta época, início do verão, impressiona a oferta de frutas e castanhas na rua.

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Assuntos Que Incomodam e São Um Vespeiro

9 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , ,

Uma das questões da Humanidade que mais incomoda a muitos é o da nacionalidade. Quando jovem, tive a oportunidade de contribuir com trabalho voluntário no chamado Advisory Committee on Technical Services, do World Churches Council, com sede em Genebra, na Suíça. Muitos trabalhos eram efetuados em conjunto com o Comitê de Refugiados da ONU, que procura atender os muitos que ficam sem pátria pós qualquer guerra. São os chamados apátridas, cujos países desapareceram, e só possuem documentos precários da ONU, sem terem um país ou passaportes. É muito triste a situação de um ser humano que não pode fixar as suas raízes em algum lugar.

Orham Pamuk, Prêmio Nobel da Turquia, foi exilado deste país por defender os curdos e os armênios que passam por esta situação. Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel de Myanmar (antiga Burma), está presa na sua residência por mais de uma década, por suas convicções políticas e democráticas, num país controlado por militares obtusos.

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Vista noturna do atual Museu de Ayasofya, em Istambul

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Oito Mil Anos da Atual Istambul

8 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Depoimentos | Tags: , ,

etkinlik-sergi-bizantion-ist-sergi-212_ Uma exposição imperdível acontece em Istambul, no Museu Sakip Sabanci da Universidade de mesmo nome desta família. Ela conta com mais de 500 obras excepcionais reunidas em todo o mundo, de 59 museus de 17 países, sendo 19 instituições da Turquia. Faz parte do chamado “Istambul 2010 – Capital Europeia da Cultura”. Inclui desde os que foram descobertos pelos arqueólogos, do período neolítico até hoje, que se encontram em Portugal até a Rússia, da Irlanda até o Catar. Já vi muita coisa boa mundo afora, mas com esta o meu queixo continua caído.

A cidade de Bizâncio, que passou por ocupações dos persas, dos gregos e troianos, transformou-se na capital do Império Bizantino, chamando-se Constantinopla, capital de Roma do Oriente, quando os romanos foram divididos em duas metades. Os bizantinos e romanos deixaram importantes marcas que ainda existem. Com a queda dos romanos, o Império Otomano durou sete séculos. Seu território expandiu-se e contraiu-se ao longo do tempo. Incluiu a Síria e o Líbano. Outras importantes etnias da região perderam seus países, como os armênios e os curdos. Ainda vamos postar mais coisas sobre esta exposição.

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O METI Anuncia Suporte Para Atividades Culturais

8 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Intercâmbios | Tags: , , ,

O governo japonês, por intermédio do seu Ministério de Economia, Indústria e Comércio Exterior, anuncia que vai dar suporte para atividades culturais no exterior. Envolveria “design”, “fashion” de toda natureza como serviços, o que pode parecer estranho, pois melhoraria a compreensão da cultura daquele país, mas teria um impacto baixo na promoção de sua economia interna.

É evidente que para os envolvidos em atividades culturais é uma boa notícia, e ainda que possa promover o intercâmbio comercial, seu poder multiplicador aparenta ser baixo. Pode estar envolvendo a prestação de serviços como já vem sendo efetuado no Brasil, na área do saneamento. Ou mais recentemente na Índia, onde está se propondo cooperar nos estudos de projetos de infraestrutura e suas avaliações, como foi feito no passado.

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Alguns Sinais de Melhoria na Economia Japonesa

7 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , | 2 Comentários »

O que costuma ser de difícil compreensão até para os economistas é a importância dos salários reais, comparativamente aos de seus parceiros comerciais, para determinar o que está acontecendo de relevante num país específico. Se algumas empresas estrangeiras sentem as primeiras greves na China, fazendo com que os salários dos seus operários se elevem, como na indústria automobilística, algo de muito importante está acontecendo. Deve reduzir a sua capacidade de exportação, como se o seu câmbio tenha se valorizado.

O câmbio, por incrível que pareça, quando desvalorizado, provoca redução nos salários reais, aumentando a capacidade de aumento das exportações e redução das importações, vis a vis seus parceiros comerciais. O inverso também é verdadeiro. O Japão, ainda a segunda economia do mundo, segundo os japoneses, vem registrando aumentos dos seus superávits comerciais, como noticiado no seu jornal econômico Nikkei. Isto significa que, depois de muita insistência, sua economia começa a dar sinais de recuperação, ainda que de forma incipiente.

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Sonhos e Nostalgias Com Xangai

7 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: , , , ,

Anos 1960-1976: sob a doutrina do Pensamento de Mao, Xangai, como outras metrópoles chinesas, teve grande parte da sua população desalojada e enviada para zonas rurais do vasto interior chinês, para aprender com os camponeses. Famílias estabelecidas tiveram suas propriedades confiscadas nas cidades, como relatam as escritoras Xinran e Jung Chang. Outras foram para os campos por livre e espontânea vontade. Perseguindo o ideal marxista/maoísta, os chineses abraçaram a causa comunista experimentado os valores da vida comunitária rural, de igualdade e justiça social. Jovens mães deixaram filhos aos cuidados do Estado ou dos avós. Como no caso das mães das duas escritoras.

O rápido desenvolvimento industrial e a ascensão econômica global da China a partir de 1980 trariam de volta o êxodo dos campos para as cidades. Xangai, então hub da região que mais crescia, no delta do poderoso Yangtsé, era a que mais seduzia jovens em busca de oportunidades.

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Vista parcial de Xangai à noite e cartaz de divulgação do filme Shanghai Dreams

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Habilidades Comerciais Milenares

7 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura | Tags: , ,

Quando se observa os comerciantes como do Grand Bazaar, de Istambul, imagina-se que muitos comerciantes sul-americanos, notadamente brasileiros, absorveram parte da cultura comercial destes povos milenares, como os turcos. Como os mascates que levaram seus produtos por todo o interior da América do Sul, e hoje ocupam as principais regiões comerciais das grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro. Na realidade, o Oriente Médio veio negociando com os asiáticos, especialmente com os chineses, utilizando a histórica e milenar Rota da Seda, desde a época dos fenícios.

Istambul foi sempre disputada desde a época Bizantina, quando se tornou capital da Roma Oriental, pois era um ponto estratégico para o comércio, não só com o Mar Negro, Mediterrâneo como com o Egito. E daí para toda a Ásia. Acabou prevalecendo a sua cultura otomana, fortemente reafirmada no seu atual nacionalismo. Não só a cidade do ponto de vista urbano e de seus monumentos, como existe uma refinada cultura comercial que se expressa na habilidade no trato dos clientes. Ainda que tenham feito um péssimo negócio, os clientes saem como tendo obtido ganhos e satisfeitos.

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Ayasofya, igreja transformada em um majestoso museu em Istambul

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