Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Perspectivas Futuras da Índia

24 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , , ,

Alguns artigos são publicados em jornais importantes indicando que a Índia continua crescendo rapidamente, tendo até possibilidades de ultrapassar a China nas próximas décadas. Um dos elementos utilizados nestas análises é a sua demografia. Além de apresentar um crescimento populacional mais elevado, sua estrutura é bem mais jovem, contando com mais mão de obra ativa, e menos idosos dependentes. Chama atenção, também, pelo seu sistema democrático, que atrai muitos que possuem ideologias que dão grande importância às liberdades de iniciativa, fazendo com que o seu setor privado seja mais expressivo.

O jornal Folha de S.Paulo traz hoje um interessante artigo do jornalista Toni Sciarretta com o título Índia recria economia com capital privado forte, mostrando a sua diferença com outro BRIC, o Brasil. Lá, informa o jornalista, a classe E está sendo incorporada ao mercado pela iniciativa privada, que cria produtos acessíveis, enquanto aqui é o governo que induz a melhoria da distribuição de renda, acrescentando novos consumidores. Ambos os países apresentam trânsitos caóticos, que também se encontram em algumas partes da China.

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A Censura na China

24 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , ,

A Folha de S.Paulo, no seu suplemento Ilustríssima, traz uma coluna do jornalista Fabiano Maisonnave com o seu Diário de Pequim, centrado na lamentável censura que existe naquele país sobre a manifestação pública de alguns assuntos que as autoridades chinesas tratam, ainda que sejam possíveis, privadamente. O artigo relata os percalços, por exemplo, do ícone chinês Han Han, que aos 28 anos é um escritor best-seller, cantor, editor de revista, piloto de corridas e sex simbol, para tratar do censurado assunto da premiação Nobel para o dissidente político Liu Xiaobo no seu site muito acessado.

Para marcar criativamente o assunto, ele postou: “ ”, que foi entendido por muitos comentaristas, quase 17.000, com um “entendido”, “concordo” ou “bel” e outras formas de comunicação burlando a censura quando seu site usa Prêmio Nobel ou Liu Xiaobo. Quando estive recentemente em Xangai para visitar a Expo 2010, notei que o meu lap-top sofria pequenas interferências quando usava a internet, possivelmente com a censura.

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Governador de Tóquio Pretende Mudar Tsukiji

24 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , ,

Tsukiji é o maior e mais famoso mercado de peixes do mundo, frequentado pelos profissionais do ramo japoneses e internacionais, fornecedores e compradores. Também se tornou uma das principais atrações de Tóquio, atraindo turistas de muitos países, notadamente de madrugada quando operam. Toda a sua redondeza é ocupada por estabelecimentos ligados ao mercado, como o comércio de todos os tipos de ingredientes usados por restaurantes que trabalham com frutos do mar. Instrumentos utilizados por profissionais, como facas, produzidos por renomados artesãos, e utensílios de cozinha profissional. E até bons sushi-ya, ou casas que trabalham com sushi e sashimi. Eles utilizam ingredientes frescos, até ainda vivos. As coisas mais exóticas ligadas a restaurantes podem ser encontradas na região, até os mais inusitados e provenientes de todo o mundo. Uma cuidadosa visita a Tsukiji permite conhecer a rica variedade de produtos disponíveis para os profissionais de cozinha, com alguns preços de assustar os leigos.

E o espaço disponível nos seus arredores é insuficiente para toda a movimentação que o mercado provoca. Fica localizado próximo do conhecido bairro de Ginza, perto do centro de Tóquio, desde a época em que a localidade era adequada para este tipo de comércio. Há muito tempo discute-se a sua relocalização para um espaço mais amplo e conveniente, pois é destinado ao comércio atacadista, mas estes projetos acabam levantando movimentos contrários.

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Guias Como Michelin no Japão

23 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Gastronomia | Tags: , ,

O jornal Valor Econômico reproduz um artigo da jornalista Mariko Sanchanta, do The Wall Street Journal, comentando que o Guia Michelin elege o Japão como o centro culinário do mundo, ao premiar 12 estabelecimentos da região de Kansai, ou seja, Quioto, Osaka e Kobe, mais que Tóquio ou Paris. A edição anterior se referia à região de Kanto, ou seja, Tóquio, que já impressionava por contar com mais estabelecimentos estrelados que as grandes capitais do mundo gastronômico. Nesta edição, evitam-se as críticas efetuadas anteriormente e as avaliações foram feitas pelos inspetores japoneses. No entanto, é preciso compreender que isto só serve para a orientação dos turistas e não para os verdadeiros gourmets.

De qualquer forma, o que consta do artigo é que somente em Tóquio, já em 2006, se contava com 160.000 restaurantes, incluindo os estrangeiros, enquanto Paris tinha 15.000. O que se encontrou foi uma grande dificuldade, pois muitos estabelecimentos não permitiram que seus pratos fossem sequer fotografados.

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Chefs premiados pelo Guia Michelin, que elegeu o Japão como o centro culinário do mundo

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Rangetsu e os Pratos Preferidos de Akira Kurosawa

22 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Gastronomia | Tags: , , ,

O Restaurante Rangetsu prepara cardápio especial para celebrar o centenário de nascimento do cineasta japonêsAkira Kurosawa, homenageado da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Uma série de importantes eventos vai comemorar a data. A Mostra Internacional de Cinema, cujo cartaz oficial traz um desenho de Kurosawa, vai exibir uma cópia restaurada do clássico Rashomon; o Instituto Tomie Ohtake recebe uma exposição com os desenhos criados pelo mestre japonês; a editora Cosac Naify  publica À Espera do TempoFilmando com Akira Kurosawa, livro da diretora, assistente e produtora do cineasta Teruyo Nogami, que está especialmente no Brasil para a Mostra, a exposição e o lançamento. Somado a isso, o restaurante Rangetsu preparou um cardápio especial, assinado pelo chef Shin Koike, com os pratos preferidos do cineasta japonês, que podem ser degustados no jantar a partir do próximo dia 25 até o dia 27 de novembro.

O chef Shin Koike explica que Kurosawa apreciava o kurogue buta (porco negro), que ele prepara como entrada, como milanesa acompanhado de rice curry. Há também um course completo batizado de “Ran”.

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1 e 2. RAN – Menu completo. O prato principal é o shabu shabu
3. Tonkatsu – Milanesa de carne de porco negro
4. Medalhão – Medalhão de porco negro enrolado com bacon

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Eleições Brasileiras e as Repercussões no Exterior

22 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , ,

As repercussões que a atual eleição brasileira provocam na imprensa internacional mostram a importância que o Brasil adquiriu no cenário mundial. Lamentavelmente, as campanhas que vêm sendo desenvolvidas não fazem justiça nem aos candidatos nem ao país, pois estão demasiadamente concentradas nos ataques pessoais e nos aspectos de menor importância.

Os eleitores estão mais interessados, bem como todos que se preocupam com o Brasil, com os grandes rumos que serão perseguidos pelo vencedor do pleito eleitoral nos próximos anos. Por se tratar de um país emergente com grande potencial, comprometido com o resto do mundo num processo de globalização, todos se mostram interessados como o eleito irá governar este vasto território e sua população.

Em que pesem os sistemas vigentes na China e na Índia, nota-se que eles possuem uma visão do futuro, sabendo onde pretendem chegar. E são nossos concorrentes diretos, conquistando uma participação crescente no cenário internacional. Todos reconhecem que o Brasil dispõe de mais recursos naturais, um povo disposto ao trabalho, miscigenado, com relacionamento pacífico com todos os países do mundo, podendo obter melhores padrões de vida para si e contribuir para a melhoria de muitos povos deste universo.

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Temos os naturais problemas de um país em desenvolvimento rápido, obstáculos que temos que transpor. Como faremos isto, com que recursos, com que estratégia? Qual é o sonho que perseguimos como nação, como nos relacionaremos com nossos vizinhos, com os nossos parceiros internacionais?

Parece que ainda estas e outras questões fundamentais não estão suficientemente esclarecidas. Muitos eleitores já tomaram as suas decisões, mas para que possamos contribuir galvanizados num programa, parece conveniente que estejamos convencidos dos rumos que vamos trilhar juntos.

Já realizamos muito, aproveitando os nossos recursos, tanto naturais como dos humanos que se miscigenaram neste país, servindo como um exemplo para o resto do mundo. Mas para continuar a evoluir, temos que realizar aperfeiçoamentos de grande profundidade, pois o resto do mundo não está paralisado. Pelo contrário, luta com todas as armas para conquistar seu espaço, que será parcialmente ocupado dos outros.

Como pretendemos consolidar nossas posições, melhorando a nossa educação, a nossa saúde, desenvolvendo nossas tecnologias, contribuindo para uma convivência mais inteligente, até com os que pensam de forma diferente das nossas?

Todos reconhecem que temos boas condições, mas vai exigir muito trabalho para que elas se tornem realidade, aglutinando o máximo das nossas forças. Os obstáculos são naturais, temos que identificá-los adequadamente, e estabelecer a estratégia mais conveniente para superá-los, estabelecendo as prioridades do que vamos resolver antes. Os recursos com que contamos são naturalmente limitados, mas de formas diferenciadas. Existem mecanismos para alavancar outros, gerar novos de forma mais eficiente. Para que todos estejam engajados nas futuras jornadas é preciso que se saiba o que eles pensam sobre os que pretendem ser nossos líderes.

Chega de perder tempo, vamos para os assuntos fundamentais.


Mudanças Econômicas Brasileiras Assustam Japoneses

22 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Integração | Tags: ,

Um artigo publicado no principal jornal econômico japonês, o Nikkei, mostra que as medidas tomadas pelas autoridades brasileiras começam a atingir os seus objetivos. Havia um excesso de ingresso de recursos financeiros de curto prazo, que provocava uma valorização exagerada do câmbio no Brasil. Além de aumentar o IOF sobre estas aplicações que vinham do exterior, provocou-se uma tributação sobre as margens para operações no mercado futuro.

Os investidores japoneses não conseguiam remunerar suas aplicações no Japão e passaram a procurar outros países onde os juros eram mais elevados. O Brasil, considerado como um risco baixo, passou a ser alvo de muitos administradores de fundos. Com as novas tributações, os retornos passaram a ser menores.

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Folhetos para a venda de aplicações e gráfico que mostra crescimento de investimentos no Brasil

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Desaceleração Econômica e Inflação Chinesa

22 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , ,

Muitos jornais em todo o mundo noticiam, com certo alarde, que a economia chinesa passou a crescer menos, mas está ainda num patamar muito elevado se comparado com o resto do mundo, ou seja, 9,6% ao ano. Este seria um nível com o qual até mesmo outros emergentes gostariam de contar. Ao mesmo tempo, mostram que a inflação naquele país chegou a 3,6% nos últimos 12 meses, acima da meta que persegue na sua política econômica. Sempre existem algumas visões diferentes para avaliar estes dados.

Muitos vinham criticando que a China crescia muito em função do seu câmbio desvalorizado, invadindo o resto do mundo com suas exportações. Passando a estimular o mercado interno, a China certamente sofrerá uma pressão inflacionária, que não é nada alarmante, e ainda abaixo do que continua ocorrendo no Brasil. Na realidade, parte da inflação brasileira decorre do exagerado aquecimento da economia chinesa, que vem puxando os preços das principais commodities, inclusive agropecuária.

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Crescente Importância dos Emergentes no G20

22 de outubro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: , ,

O site da Folha divulga uma notícia da agência Efe, proveniente de Washington, afirmando ter uma alta funcionária do Tesouro norte-americano, que solicitou manter-se incógnita, apelado para a Índia e o Brasil não darem as costas para o G20 no momento em que o grupo precisa se unir. Visaria conseguir avanços num acordo cambial geral bem como equilíbrio comercial mundial. Os países emergentes, incluindo a China, ganham importância cada vez maior no cenário internacional e reivindicam mais participação nas decisões que afetam todos os países.

Mas o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, não está programado para participar da reunião do grupo que ocorrerá, inicialmente, em nível ministerial ainda no próximo fim de semana. O de nível presidencial, onde o presidente Lula da Silva ainda não confirmou presença, deve ocorrer em novembro próximo em Seul, na Coreia do Sul.

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Presidente Lula e o ministro da Fazenda Guido Mantega

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A Rota do Chá e do Cavalo II

22 de outubro de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Livros e Filmes | Tags: , , ,

Colhidas de árvores nativas centenárias desde antes da era Cristã, a colossal demanda por folhas da Camellia sinensis provocou seu cultivo em larga escala nas regiões subtropicais amenas do sudoeste chinês. A colheita pode durar de 6 a 8 meses após as chuvas de monções, e é feita com triagem rigorosa das folhas por delicadas mãos femininas, a fim de preservar as plantas e a qualidade das folhas. Chineses sempre beberam infusões de chá verde fresco, mas para facilitar o transporte e a conservação, adotou-se o processamento de fermentação das folhas por secagem natural; quando adquiriam cor acobreada, interrompia-se a decomposição natural por calor – em forno, ou a vapor. O produto era então comprimido em bolos, ou em formas de discos, ou tijolos. As folhas assim processadas continuavam a fermentar, mesmo depois de acondicionadas e transportadas no dorso de mulas e cavalos em longas viagens, que duravam meses. O popular chá pu’er é processado até hoje dessa maneira.

Chama Dao, Rota do Chá e do Cavalo, era o caminho através do qual se comerciavam cavalos de guerra tibetanos, peles, tapeçarias etc., por chá, sal, açúcar, vindos do sudoeste chinês. Tornou-se via crucial de comunicação e comércio entre as culturas das atuais Yunnan e Sichuan, e Lhasa, no Tibete. Atingia até Pérsia e Mongólia, através de Butão, Nepal, Índia. Postos fiscais por onde passavam caravanas deram origem a vilas, povoados, e cidades. Pontilhados de templos, estátuas e locais de oração, todo o trajeto se impregnava de uma aura de religiosidade e fé das mais diversas seitas budistas, de etnias como han, dai, uighur, naxi, bai, hui. Esta rota atravessava o “teto do mundo” por mais de 4.000 quilômetros de trilhas tortuosas, vinte cadeias de montanhas – com picos de mais de 6.000 metros, dois planaltos desérticos, canyons e gargantas profundas, poderosos rios de montanhas – Jinsha/Yangtsé, Lancang/Mekong, Nujian/Salween, e seus afluentes não menos avassaladores.

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