Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Toyota Retoma a Segunda Planta em Sorocaba

17 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: , ,

toyotalogo A matriz da Toyota na proximidade de Nagoya, Japão, divulgou no jornal econômico Nikkei desta quinta-feira, dia 17 de junho, a retomada do seu projeto da segunda planta em Sorocaba, Brasil, que tinha sido suspensa com a crise econômica. Ela terá capacidade de produzir pouco mais de 100.000 unidades anuais de veículos pequenos voltados ao mercado local e de países emergentes, com o início da produção prevista para o começo do próximo ano.

O mercado brasileiro acusou em 2009 um crescimento de mais de 11%, e nos primeiros quatro meses deste ano superou a Alemanha, tornando-se a quarta maior do mundo, depois da China, dos Estados Unidos e do Japão. O jornal Nikkei informa que a Fiat, Volkswagen e a GM controlam 60% do mercado brasileiro e a Toyota pretende aumentar a sua participação, mas com um orçamento menor que o inicialmente previsto.

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Imigração Japonesa no Brasil e Medicina Preventiva

16 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: , , , , | 3 Comentários »

Assinados os acordos do Tratado de Amizade e Comércio Brasil-Japão (1895), os entendimentos levariam a uma relação de profícuo intercâmbio entre os dois países e culminaram com o início da imigração japonesa no Brasil (1908). Uma vez concretizada a chegada dos imigrantes, além dos muitos problemas concernentes, o que mais preocupava líderes japoneses era a quase inexistência de assistência médica aos imigrantes tanto na Capital como no Interior. Muitos imigrantes morriam à mercê da falta de assistência médica, de orientação sanitária, por ignorância mesmo. Epidemias de malária, tracoma, leishmaniose (úlcera de Bauru) e ancilostomíase (amarelão) grassavam pelo Interior.

Em 9 de outubro de 1926, num pequeno prédio da Avenida Liberdade, 66, na cidade de São Paulo, um grupo de japoneses imbuídos de um mesmo sentimento de solidariedade, preocupados com os destinos desses imigrantes, reuniu-se para fundar uma associação de amparo fraterno. A Dojinkai – Sociedade Japonesa de Beneficência do Brasil, com estatutos e regulamentos devidamente registrados. A primeira Diretoria eleita nessa Assembleia teve como diretor-presidente o Sr.Yonosuke Yamada, e diretor-gerente o Dr.Sentaro Takaoka. O então embaixador do Japão no Brasil, Sr.Akira Arioshi, logo se tornaria sócio.

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Doutores Sentaro Takaoka e Shizuo Hosoe

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Persistências de Poucos Intelectuais Nikkeis

15 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura | Tags: , ,

O jornal O Estado de S.Paulo publica hoje dois artigos de persistentes intelectuais nikkeis que não têm merecido a devida atenção das entidades desta comunidade. O primeiro, sob o título “Um haicai arquitetônico”, do jornalista Jotabê Medeiros, trata do indigente trabalho de Akinori Nakatani na preservação do Casarão do Chá, de Mogi das Cruzes. Outro, sob o título “Teve a ousadia de criar uma geração literária”, do poeta Claudio Willer, em memória a Massao Ohno (1936-2010).

Akinori Nakatani, mais conhecido como um consagrado ceramista internacional, japonês de origem, é um dos poucos que ganharam o Primeiro Prêmio Presidente da República da Itália, da Bienal de Faenza, considerada a mais importante do mundo nesta especialidade. Radicado há décadas em Mogi das Cruzes, é um dos mais persistentes intelectuais que lutam por dezenas de anos pela preservação da Casa de Chá, com todo o empenho individual que é possível.

Massao Ohno, desde os anos cinquenta do século passado, começou suas atividades editando apostilas que eram usadas pelos que almejavam participar dos vestibulares que ganharam importância no ingresso nos cursos universitários do pós-guerra.

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Massao Ono, Carlos Seabra e Alice Ruiz, em 2004. Akinori Nakatani

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A Copa do Mundo é Um Grande Negócio Mundial

14 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: , , ,

As informações disponíveis dão conta que metade das verbas publicitárias relacionadas a todos os esportes é destinada ao futebol, o que dá uma ideia da sua importância. As empresas de materiais esportivos e de bebidas populares, bem como as televisões e outros meios de comunicação, além dos relacionados com as construções e os turismos, aproveitam a Copa do Mundo que atrai as atenções do público. E desenvolvem campanhas que disseminam mundialmente esta competição, chamando a atenção sobre a África do Sul e todos os astros envolvidos. Muitos começam a conhecer este país que é de zona temperada, localizando-se abaixo do Trópico de Capricórnio, quando a imagem é de um país africano tropical.

Mesmo nos países que não participam, ficando fora dos 32 que participam diretamente da atual Copa do Mundo, as televisões, os de bebidas e as lojas de material esportivo, principalmente, dão destaque ao evento. Como são produtos de consumo popular, como a Coca Cola, o evento se torna uma festa que só se rivaliza com as Olimpíadas, num mundo que necessita de ídolos.

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Kaká, garoto propaganda da alemã Adidas e da grife italiana Giorgio Armani. E as empresas brasileiras?

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Punição da Corrupção Política

12 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , ,

Lamentavelmente, enquanto os seres humanos existirem parece que as atividades políticas acabam se associando com as ilícitas em qualquer parte do mundo. Distinguem-se os que só se ligam com os que utilizam o poder para enriquecer, com os custeios das atividades eleitorais, sendo que mesmo nas democracias costumam ser caras, em qualquer país. Em muitos casos, as duas atividades se confundem.

Em alguns países, mesmo os mandatários máximos acabam sendo atingidos pelas punições. Noticia-se que a Alta Corte de Taiwan condenou o ex-presidente Chen Shui-bian e sua esposa a 20 anos de prisão, como Alberto Fujimori do Peru continua preso.

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Dificuldades Estimulam a Criatividade

12 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: , , ,

Quem não tem cão caça com gato. Duas grandes e tradicionais empresas, como a Nippon Steel, pela sua subsidiária de engenharia, estabeleceram com a Oji Paper, uma gigante do setor de papel, um projeto conjunto para aproveitar resíduos de papel e de celulose para produzir etanol. Estas empresas já operam no Brasil. Normalmente, o etanol vem sendo produzido da cana ou de cereais como o milho, produtos escassos no Japão, com maior eficiência.

As dificuldades estão forçando as empresas a usar de todos os seus conhecimentos para aproveitar tudo o que é possível, utilizando os conhecimentos e as matérias-primas que dispõem, para produzirem energias limpas.

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De Comidas, Sabores e Odores

11 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: , , , , | 2 Comentários »

“Por que tem gente que odeia tanto o coentro?” pergunta Harold McGee, do New York Times, suplemento da Folha de S.Paulo, 17/05/2010. “Por que tanta gente ama o coentro?” replicaríamos nós.

Hoje em dia, o coentro é erva fina da culinária do Nordeste brasileiro, da Ásia, de Portugal, da Espanha, do Peru e alhures. Estudos indicam que predisposição genética pode explicar a rejeição. Ou, simplesmente, talvez seja falta de aventura e boa vontade que nos faz rejeitar de cara certos sabores e odores de comidas que não nos são familiares.

Na verdade, diz-se que o coentro lembra o sabor de sabão para algumas pessoas (que já lamberam sabão?). Para outras, suscita o aroma de roupa de cama infestada de… percevejos. Não sem razão. Segundo Harold McGee, quimicamente, o coentro é composto de fragmentos de moléculas chamados aldeídos, do mesmo tipo dos encontrados em sabões e loções, e em insetos da família de percevejos. Argh!!

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Ceviche de corvina e coentro in natura

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Mal Comparando São Paulo Com Istambul

11 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura | Tags: , , ,

Sempre existe a pretensão de considerar a cidade em que algum comentarista mora como umas das melhores do mundo, e os paulistanos exageram na regra. Acham que a nossa cidade é capital mundial da gastronomia, uma das maiores miscigenações étnicas e culturais conhecidas etc. São Paulo tem suas qualidades, mas também muitos defeitos que precisam ser reconhecidos.

Comparando com Istambul, ela possui oito mil anos de história, enquanto São Paulo tem pouco menos de 500 anos. O tamanho de ambas as metrópoles pouco difere quando considerados os seus arredores. O que parece comum é o tráfego terrível, com motoristas pensando que são pilotos de Fórmula 1. Em pontos turísticos e número de visitantes estrangeiros, Istambul supera em muito. Variedade de restaurantes, São Paulo ganha, mas em qualidade tanto de hotelaria quanto de instalações ela perde.

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Gastronomia Popular em Istambul

10 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Gastronomia | Tags: , , , , | 2 Comentários »

Certamente, a gastronomia popular em Istambul, que é boa, vem sofrendo naturais mudanças com as influências que recebe de todo o mundo, ajustada à ampla disponibilidade local de matérias-primas e as culturas locais. Como em muitas outras grandes metrópoles do mundo, notadamente no Mediterrâneo, percebe-se a sua evolução, mas continuam sendo os “kebabs”, os assados, os que estão mais à disposição da clientela popular. Não só dos locais, como da multidão de turistas vindos de todo o mundo, com ênfase nos que possuem tradições árabes e muçulmanas de todas as matizes. Malaios, indonésios, iranianos, da Ásia, do Sudeste Asiático com as mulheres vestidas de formas mais variadas, desde toda coberta de preto, cabeças e rostos protegidos como até as mais modernas com vestimentas ousadas.

Verifica-se a ampla disponibilidade de saladas, com vegetais e legumes frescos de boa qualidade, intensamente produzidos no país. O “messe”, um conjunto de entradas, oferece uma ampla variedade de pratos frios e quentes, a que se seguem assados com amplas opções, desde carnes dos mais variados tipos e frutos do mar, tudo consumido com muito vagar, e conversas animadas. O que atrai muitos turistas é a produção do pão árabe, preparado na hora por senhoras, que já sofre influências como dos “crepes” franceses, e já vem com variados ingredientes. Uma evolução clara é o menor uso do sal no preparo, que fica disponível na mesa para os clientes, junto com o óleo de oliva, mais usado no preparo. Nesta época, início do verão, impressiona a oferta de frutas e castanhas na rua.

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Assuntos Que Incomodam e São Um Vespeiro

9 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , ,

Uma das questões da Humanidade que mais incomoda a muitos é o da nacionalidade. Quando jovem, tive a oportunidade de contribuir com trabalho voluntário no chamado Advisory Committee on Technical Services, do World Churches Council, com sede em Genebra, na Suíça. Muitos trabalhos eram efetuados em conjunto com o Comitê de Refugiados da ONU, que procura atender os muitos que ficam sem pátria pós qualquer guerra. São os chamados apátridas, cujos países desapareceram, e só possuem documentos precários da ONU, sem terem um país ou passaportes. É muito triste a situação de um ser humano que não pode fixar as suas raízes em algum lugar.

Orham Pamuk, Prêmio Nobel da Turquia, foi exilado deste país por defender os curdos e os armênios que passam por esta situação. Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel de Myanmar (antiga Burma), está presa na sua residência por mais de uma década, por suas convicções políticas e democráticas, num país controlado por militares obtusos.

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Vista noturna do atual Museu de Ayasofya, em Istambul

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