Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Tributo a Pina Bausch

2 de março de 2012
Por: Kazuhiro Kurita | Seção: Depoimentos | Tags: , ,

Nunca entendi muito a dança contemporânea, mas Pina Bausch em pessoa explica que a dança começa exatamente aí mesmo, onde termina a possibilidade das palavras. Palavras evocam coisas, mas quando se entra no campo onde as palavras não alcançam, não existem mais coisas nítidas e bem definidas: apenas a vaga noção de sentimentos, emoções e pensamentos.

É quando se deixa de questionar os movimentos corporais e se passa a apreciar apenas o efeito visual desses movimentos que começa a fruição da dança contemporânea, e a se perceber as sensações exprimidas pelos movimentos. O trabalho de Pina mostrado no filme impressiona pelos dois lados: a vivacidade rítmica rica, criativa e intensa, mas meramente visual, e as recorrentes sensações de angústia e vazio. Segundo Pina, tais sensações estão relacionadas com o objeto central da alma humana que é a eterna busca, o desejo. Objetivos que movem o ser humano nada mais são que camuflagem para justificar e direcionar um insaciável estado de desejo, profundo e permanente, que provém do vazio e resulta em eterna angústia.

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