Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Discriminação dos Japoneses

20 de junho de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Editoriais, webtown | Tags: , , , , | 37 Comentários »

Um interessantíssimo e fundamentado artigo foi publicado na importante revista The Diplomat, de autoria da Hiroko Ogawa, sobre a discriminação feita pelos japoneses. Como se trata de uma coletividade homogênea, mesmo com o aumento da presença dos estrangeiros no Japão, continua mantendo uma discriminação, chamando-os de gaijin, que deriva da palavra gaikokujin (que significa uma pessoa do exterior). Mas a autora admite que isto ocorra também com minorias como os ainus (nativos de Hokkaido) e japoneses retornados que residiram por muito tempo no exterior.

Hiroko Ogawa faz um detalhamento desta situação e espera que haja avanços sobre o assunto no Japão, mas parece que sua análise se refere mais sobre os aspectos das minorias étnicas. No entanto, ela nota que os japoneses discriminam tudo que é diferente do padrão adotado pela maioria, inclusive no que se refere ao comportamento das pessoas. E expressa à esperança que isto venha a mudar, ainda que leve muito tempo.

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Ela aponta que, mesmo no mangá, o desenho das histórias em quadrinho, as personagens mais sinistras são apresentadas como mais escuras. Nota-se nas escolas um ijime, o judiar das pessoas diferentes, mesmo as mais avançadas em conhecimento ou atrasadas, numa intensidade maior, mesmo que isto ocorra também em outros países.

Os estudos efetuados por Masayuki Fukazawa mostram que até as japonesas que mantinham contatos frequentes com os brasileiros que trabalhavam no Japão eram discriminadas. Pessoas que se vestiam de forma diferente em Harajiku também o eram e, mesmo agora está se tornando uma moda internacional, estes jovens ainda são considerados excêntricos pela maioria japonesa, ainda que não se espantem tanto com seus trajes, pois são até a vanguarda da moda do cool biz (comportamento das roupas no verão, com a redução do uso do ar condicionado, para economia da energia).

Uma filha de japoneses que morou em São Paulo, cujo pai era diplomado pela famosa Universidade de Keio, sofria discriminação quando da volta ao Japão, pois ela tinha adquirido o costume de perguntar aos professores como nas escolas brasileiras, o que não é ainda um padrão de comportamento comum entre os estudantes japoneses.

Acredita-se agora que estas discriminações estão diminuindo, pois até a nova Miss Japan tem o nome Maria, e as jovens japonesas estão preferindo uma cor bronzeada pelo sol, deixando serem as branquiinhas.

O que se espera, até com a redução da população japonesa, é que os descendentes de japoneses e outros cujas famílias moram no Japão por muitas gerações (como muitos coreanos) deixem de ser discriminados oficialmente, tendo a facilidade de aquisição da cidadania japonesa, não sendo obrigados a prestarem informações adicionais sobre as suas famílias, como estão contestando judicialmente, solicitando indenizações.


37 Comentários para “Discriminação dos Japoneses”

  1. Egregora
    1  escreveu às 21:27 em 20 de junho de 2011:

    A discriminação não diminui porque os estrangeiros que estão no Japão estão apenas de passagem e não se interessam em passar seus valores culturais. É mais fácil viver em guetos do que tentar conviver com os japoneses.
    Os estrangeiros que aqui estão também não ajudam muito na integração das culturas porque contestam tudo e não respeitam adequadamente as diferenças. É uma cobinação deteriorante que não tem permitido os japoneses avaliarem melhor o que cada cultura tem de bom.
    Os japoneses são problemáticos, mas os estrangeiros também não contribuem como deveriam.

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 00:43 em 21 de junho de 2011:

    Caro Agregora,

    Obrigado pelos comentários, mas existem também outros problemas. Os japoneses absoveram muito da cultura chinesa e coreana, por exemplos, mas como ganharam guerras no início do século passado, mas alguns acabaram desconsiderando estas contribuições que agora estão voltando a ser mais consideradas. Os povos que habitam um arquipélago com pequenas miscigenações tendem a agravar estes problemas, mas com a globalização e a disseminação das informações estes problemas estão diminuindo.

    Paulo Yokota

  3. Carlos Silva
    3  escreveu às 22:05 em 20 de junho de 2011:

    Na verdade, há preconceito em qualquer país do planeta Terra.

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 00:36 em 21 de junho de 2011:

    Caro Carlos Silva,

    Obrigado pelo comentário. Realmente, existem preconceitos em todos os lugares, mas os povos que residentem e desenvolveram suas culturas num arquipélago, com menores miscigenações tendem a enfrentar mais estes problemas. Outras razões históricas como graves problemas no passado agravam estas tendências que estão diminuindo em toda a parte com a globalização e a disseminação das informações.

    Paulo Yokota

  5. Leiko Watanabe
    5  escreveu às 03:39 em 22 de junho de 2011:

    Bom sobre a “discriminacao”desumana que os japoneses fazem ,quero dar a minha opiniao,morando a vinte anos no pais cheguei a conclusao que ser estrangeiro principalmente ediundos de paises de terceiro mundo ou em estado de subdesenvolvimento para os japoneses significa que voce e um coitado alem de nao ter sequer o direito de ser respeitado como ser humano,convivi com varias pessoas que acham que pelo motivo citado acima voce tambem e intelectualmente subdesenvolvido,”um absurdo”tenho orgulho de ser brasileira e espero que meus compatriotas tambem tenham forcas para reivindicar o que e certo pelas leis humanas,japoneses tem que aprender a respeitar os direitos humanos sem sekuhara,powerhara e outros absurdos que se escuta por ser estrangeiro.Forca a todos os brasileiros.

  6. Paulo Yokota
    6  escreveu às 03:56 em 22 de junho de 2011:

    Cara Leiko Watanabe,

    Muito obrigado pelo seu comentário. Viví por um ano no Japão, antes de muitos brasileiros e continuo visitando regularmente. Sua observação ocorre não só no Japão como nos Estados Unidos e na Europa. Nós mesmos brasileiros achamos que os chineses e indianos são atrasados intelectualmente. Só a ampliação do conhecimento e a constatação da capacidade com criatividade pode mudar a nossa imagem como de outros subdesenvolvidos ou emergentes. Mas, agora são estes países que estão estimulando o mundo chamado desenvolvido.
    Continue lutando, pois as coisas estão mudando.

    Paulo Yokota

  7. Leiko Watanabe
    7  escreveu às 04:14 em 22 de junho de 2011:

    SrPaulo Yokota,o que mais me chateia sao que alguns brasileiros deixam de lutar pelos seus proprios direitos,fico muito triste quando “deixa pra la “ou japones e assim mesmo,comentarios que subestimam .Fui presidente da associacao de pais e mestres da escola de minha filha,escola japonesa,e foi ai que percebi que os pais brasileiros estavam sendo excluidos de fazer “hata toubam”nos farois entre outras coisas,reclamei na escola e a resposta foi”nihongo rikai dekinai”vamos e venhamos brasileiros com filhos que estudam nas escolas japonesas tem pelo menos compreensao do sistema o problema maior e que os japoneses nao procuram conviver de maneira igual tem sempre que estar em um nivel “acima”nao entendo este sentimento mas como voce disse as coisas estao mudando…e o que eu mais espero,pois essa geracao que nasceu e esta sendo criada no Japao tem o direito de ser respeitada.

  8. Paulo Yokota
    8  escreveu às 15:18 em 22 de junho de 2011:

    Cara Leiko Watanabe,

    Infelizmente conheço muitos casos semelhantes, e sei que isto doi muito. Mas, também acontece que muitos brasileiros realmente não conhecem nem a lingua nem os costumes japoneses. Como afirmei, os contactos dos japoneses com estrangeiros está aumentando, e eles estão sentindo a dificuldade que encontram no exterior, hoje que o Japão deixou de ser o brilhante país do “milagre econômico” posterior a guerra, e dependem dos emergentes para poder se sustentar.
    Acho que todos nos acabamos aprendendo, pois estamos numa aldeia cada vez mais global.
    Gambarê!

    Paulo Yokota

  9. Orozombi Benevides
    9  escreveu às 13:45 em 22 de junho de 2011:

    Ressalto que, como TURISTA, fui muito bem tratado pelo povo japonês, mesmo sendo brasileiro. Trata-se de um país formoso, com pessoas absurdamante gentis, delicadas e sorridentes. Em inglês, fiz questão de me identificar como brasileiro, sem problema algum, sendo que tratamendo a mim dispensado sempre foi gracioso.

  10. Paulo Yokota
    10  escreveu às 15:13 em 22 de junho de 2011:

    Caro Orozimbo Benevides,

    Certamente os japoneses são superficialmente gentís. Como colocou muito bem Oliveira Lima no seu classico livro “No Japão”, ele que conhecia muitos países, além da primeira impressão é necessário conhecer as misérias de um povo, o que se consegue depois de um longo período. A discriminação acaba ocorrendo na escola, no trabalho cotidiano e não ocorre somente com os brasileiros, mas entre eles mesmos, com relação aos que fogem do padrão médio japonês. Os brilhantes chegam a ser espancados nas escolas, algumas vezes. Mas, relativamente, isto acontece com muitos povos, infelizmente, e de forma mais acentuada quando existe pouca miscigenação e se habita um arquipélago.

    Paulo Yokota

  11. Juliana Gomes
    11  escreveu às 20:44 em 22 de junho de 2011:

    O meu atual namorado é negro e trabalhou no Japão, por certo tempo. Ele me contou que jamais foi discriminado na Terra do Sol Nascente. Consoante as palavras dele, o povo japonês é “geneticamente educado”.

  12. Paulo Yokota
    12  escreveu às 22:07 em 22 de junho de 2011:

    Cara Juliana Gomes,

    Obrigado pelo comentário. Que ótimo que ele tenha sentido desta forma. Não sei quanto tempo ele trabalhou no Japão e em que tipo de atividade, bem como qual a qualificação dele para este tipo de análise. Se é um artista como um músico, por exemplo, certamente ele foi bem recebido, pois isto depende do círculo que as pessoas frequentam. Isto de “geneticamente educado” é uma conclusão nâo científica, pois o problema que nós estamos discutindo não depende da genética, e pouco da educação. As diferenças etnicas e religiosas, por exemplo, acabam gerando até guerras, lamentavelmente.
    Paulo Yokota

  13. Olavo Alves
    13  escreveu às 15:31 em 23 de junho de 2011:

    Dr. Paulo:

    Sou descendente de portugueses, africanos e indígenas e, em São Paulo, nunca me senti discriminado pelos japoneses e nipo-brasileiros. Fiz amizade no colégio e faculdade com pessoas de sobrenomes Sato, Suzuki, Watanabe, Tanaka etc. Conheci, também, os avós nipônicos deles. Indiscutivelmente, eu era e sou muito bem tratado pelos nikkeijins. Estou de acordo com o Carlos Silva quando disse que “há preconceito em qualquer país do planeta Terra”. A minha admiração pelo Japão não diminuirá, após a leitura do presente artigo.

  14. miku
    14  escreveu às 04:51 em 24 de junho de 2011:

    http://www.ipcdigital.com/br/Noticias/Comunidade/Shizuoka/Estrangeiros-discriminados-devem-procurar-a-Justica Na minha opiniao tem muita gente se enganando com o artigo publicado,nao tem ninguem repudiando os japoneses em si e sim algumas atitudes que eles tomam ao entrar em contato com estrangeiros,brasileiros que moram no Japao conseguem entender o relato na flor da pele,como este caso citado acima.Julgar sem conhecimento nao e o suficiente.

  15. Paulo Yokota
    15  escreveu às 13:01 em 24 de junho de 2011:

    Caro Miku,

    Obrigado pelos seus comentários. Os depoimentos dos brasileiros que vivem no Japão é importante, pois como V. afirma, sofrem estas questões na flor da pele. Parece-me que seja conveniente haver uma moderação, pois casos isolados não devem ser generalizados.

    Paulo Yokota

  16. Paulo Ramos
    16  escreveu às 18:57 em 24 de junho de 2011:

    Cidade Maravilhosa

    Meu Amigo Paulo Yokota:

    Até o momento, eu estava apenas acompanhando o debate, sem me manifestar. Mas acho que está havendo, sim, generalização por parte de alguns comentaristas. Afirmo isso com supedâneo em nipo-brasileiros que labutaram no Japão e sentem saudades desta nobre nação. Estas pessoas carregam, hoje, grande experiência de vida. Obviamente, elas afirmam que a Terra dos Samurais tem qualidades e defeitos, como o nosso Brasil.

    Ver através da emoção significa a maneira como sentimos e interpretamos a realidade. O ser humano com baixa autoestima acredita, por exemplo, que todos o menosprezam. O indivíduo que sente medo, tem medo de relacionar-se com outras pessoas etc. Existem brasileiros que laboram no Japão e ainda não se conscientizaram disso. Agora, o sujeito que é confiante e otimista sabe, também, enxergar o lado belo e positivo das coisas. Polidez, delicadeza, bons modos etc. são qualidades marcantes do povo nipônico. Eu SEI disso.

    Doutor Yokota, indico ao senhor os artigos da Martha Medeiros (“Um pulo até o Japão”) e do Arthur Dapieve (“A culpa é do Japão”). É possível encontrá-los na Internet.

    E, por favor, leve em consideração, também, as opiniões dos leitores Olavo Alves, Orozimbo e Carlos. São grandes otimistas.

    Aliás, eu sou otimista nato. Por isso, amo o meu Brasil e o Japão.

    Grande abraço e voltarei.

  17. Paulo Yokota
    17  escreveu às 02:09 em 25 de junho de 2011:

    Caro Paulo Ramos,

    Obrigado pelos comentários. Uma avaliação equilibrada sobre um país exige um conhecimento decorrente de uma longa vivência, pois todos temos aspectos positivos e negativos. Sempre envolve considerações de caracter psicológicas, e para ser justo, muitos dos 320.000 brasileiros que foram viver e trabalhar no Japão, a maioria se saiu bem, havendo alguns que possuem organizações internacionais, bem acima dos que os descendentes dos imigrantes japoneses conseguiram no Brasil. Víví e trabalhei no Japão, como em muitos outros países mundo afora, e acho que o Japão como o Brasil estão acima da média. Vou tentar acessar os trabalhos que me recomendou. Mas, prefiro análises de pessoas que viveram no Japão e conheciam profundamente outros países, como Oliveira Lima que tem um livro excepcional em português com o título “No Japão – sua Terra e sua gente” (como estou no momento na França, não tenho condições de conferir o seu título exato. Mas prefiro o dele aos mais conhecidos como do grego educado na Inglaterra Lafcardio Hearn que passou a chamar-se Koizumi Yakuno ou do português Wenceslaw de Moraes, que escreveram livros clássicos sobre o Japão, mas se tornaram quase fanáticos sobre o Japão.
    Na média, tanto o Japão como o Brasil que eu prefiro, apresenta condições de proporcionar felicidades para os que vivem nestes países, e acredito que o Japão está se internacionalizando, deixando de ser um arquipélago que desenvolveu recentemente o que chamam de “cultura de Galapagos”.

    Paulo Yokota

  18. Leandro Moreira
    18  escreveu às 03:32 em 27 de julho de 2012:

    Paulo Yokota, tenho uma tia e dois primos (filhos dela) que moram há 30 anos no Japão. Eles são brasileiros de nascimento e minha tia foi casada com um japonês. Tenho muita vontade de conhecer o Japão. Vou te fazer uma pergunta: é verdade que as pessoas do Japão são muito civilizadas e educadas ? O que o senhor acha ? Ficarei grato se responder. Um abraço.

  19. Paulo Yokota
    19  escreveu às 08:55 em 27 de julho de 2012:

    Caro Leandro Moreira,

    Como todos os povos, existem aspectos positivos como negativos. Os japoneses costumam respeitar muito os outros, o que V. pode entender como civilizados e educados. Habitando uma península, eles estão procurando se ajustar a um mundo que se globalizada, em todos os aspectos, inclusive cultural. Os relacionamentos deles com os estrangeiros não eram fáceis, mas estão melhorando. Eles são bastante formais, mas estão aprendendo a serem mais descontraidos, e admiram os brasileiros pela forma descontraida com que vivem.

    Paulo Yokota

  20. Matheus
    20  escreveu às 17:40 em 2 de agosto de 2012:

    Fico triste. Sou brasileiro e gosto muito da cultura japonesa e dos japoneses. Mas os brasileiros, devem olhar o passado. Quando a imigração nipônica aconteceu, os japoneses sofriam muito preconceito, e eram tratados praticamente como escravos aqui no Brasil. Bom, resumindo o relato, claro. Eu realmente fico triste com a discriminação, de ambos os lados. Tenho apenas 16 anos, mas eu realmente gostaria de me relacionar com nipônicas, realmente gosto do Japão e de sua cultura. Obrigado pela atenção.

  21. Paulo Yokota
    21  escreveu às 22:38 em 2 de agosto de 2012:

    Caro Matheus,

    Acredito que este problema está sendo minorado, pois com a atual globalização em todos os setores, dos problemas de falta de conhecimentos recíprocos estão melhorando.

    Paulo Yokota

  22. Zano
    22  escreveu às 11:55 em 20 de setembro de 2012:

    Olá! Gostei muito do site e minha experiência foi a seguinte: moro no Rio de Janeiro, aqui não tem muitos japoneses, mas os poucos em que tive contato pessoalmente, não houve preconceito algum, muito pelo contrário, fui muito bem tratado, e conversamos bastante e sempre foram simpáticos. Espero um dia poder viajar ao Japão!!

  23. Paulo Yokota
    23  escreveu às 18:50 em 20 de setembro de 2012:

    Caro Zano,

    Obrigado pelo comentário. O artigo refere-se aos japoneses que vivem no Japão. Os que vivem no Rio de Janeiro, na sua maioria são brasileiros descendentes de japoneses. Normalmente, eles possuem menos preconceitos, mas como relação aos afro-brasileiros, não está totalmente eliminado. Conhecer o mundo, não somente o Japão, é muito importante, enriquece-nos muito.

    Paulo Yokota

  24. Claudio Borges
    24  escreveu às 00:10 em 13 de Maio de 2013:

    Caro amigo, gostei de seu artigo e digo que é importante para a mistura de cultura brasileira.
    Permaneci 9 anos com uma descendente de japoneses de Hokaido. Mesmo com as alianças compradas e escolhidas por ela, fomos impedidos de casar tão logo ela tenha dito para sua família.
    Posteriormente ela mesma sofreu muito com o afatamento “isolamento” familiar até que desistiu de tudo e voltou para a casa dos pais levando nossos filhos e assim dificultando minha visitação e convívio com eles.
    “Burajirujin wa dame da” é uma palavra que ouvi muito aqui … isso é discriminação ?

  25. Paulo Yokota
    25  escreveu às 14:45 em 13 de Maio de 2013:

    Caro Claudio Borges,

    Lamento a situação descrita. Infelizmente, este tipo de discriminação é comum no Japão, como um povo que vivei muito isolado em um arquipélago.

    Paulo Yokota

  26. eduardo pereira
    26  escreveu às 15:59 em 10 de julho de 2013:

    Olá, Sou negro (pertencente a espécie humana, eu juro). E residi por 2 anos no Japão. E posso categoricamente afirmar o seguinte: as chances de uma pessoa negra se sentir em casa no Japão são infinitamente maiores do que no Brasil.

    E olha que eu era operário de chão de fábrica. Nem por isso me diminuí ou me senti a margem da sociedade por isso.

    Nunca tive problema utilizando transportes públicos (nunca, nunca mesmo uma pessoa saiu de perto de mim por eu ser estrangeiro) Muito pelo contrário.

    Também utilizei hospitais, clínicas e demais repartições públicas sem ter nenhum tipo de problema com isso.

    Meu principal conselho para quem pensa em migrar para o Japão é o seguinte: não leve seu racismo na bagagem. E aceite as coisas boas (e são várias) que este grande país tem a oferecer. Libertem-se de seus próprios esteriótipos e pré-julgamentos. Eles serão inúteis em sua jornada pela terra do sol nascente.

    Aliás, o Japão é um país que eu preciso visitar outras vezes pois morro de saudades não apenas da polidez das pessoas mas também da humanidade das pessoas. Sim!!! embora muitos duvidem, os japoneses são capazes de incríveis gestos de humanidade e calor humano.

    E eu sou a testemunha vida disso.

  27. Paulo Yokota
    27  escreveu às 19:16 em 10 de julho de 2013:

    Caro Eduardo Pereira,

    Muito obrigado pelo seu comentário. Acredito muito em suas palavras. Apesar de afirmar que no Brasil não há discriminação, infelizmente, observa-se comparando com muitos outros países que as oportunidades para os brasileiros de raça negra ainda são menores do que para outros. Mesmo nos Estados Unidos, onde até Martin Luther King conseguir pacificamente a sua vitória, não se via muitos negros em altas posições. Hoje, Barack Obama chegou a Presidência, mas sofre restrições de alguns segmentos norte-americanos. No que se refere especificamente ao Japão, acredito que diminuiu muito com relação aos que são claramente estrangeiros, mas ainda existem sobre os que possuem a cara de japoneses, mas são, por exemplo, brasileiros, não dominando totalmente a cultura local. Os reconhecidos como estrangeiros facilmente parecem que até existe uma admiração para alguns. No entanto, se uma mulher japonesa afirma que vai casar com um negro (e na minha família tenho um caso, sem sofrer restrições) alguns mais idosos nem sempre aceitam integralmente. Mas, todos procuram se comportar de forma politicamente correto.

    Paulo Yokota

  28. Jefferson Mendes
    28  escreveu às 16:57 em 29 de janeiro de 2014:

    Um artigo bem interessante…

    Eu fui um dos únicos negros nas três escolas onde estudei (geralmente existia mais um ou dois), a grande maioria eram brancos e uma minoria oriental.

    Com apenas dois negros na escola, seria normal ganhar apelidos e às vezes até ser mal tratado por alguém, isso é normal pra exceção.

    Mas o estranho é que todos os japoneses (e uma filha de chineses) me tratavam mal gratuitamente, eu nunca entendi isso.

    Para completar na época eles tinham computadores e internet, e eu só tinha um videogame, então me tratavam como um lixo mesmo (nem olhavam na cara às vezes).

    Eu acho que de todos só uns dois me trataram sem preconceito.

    Abs

  29. Paulo Yokota
    29  escreveu às 17:42 em 29 de janeiro de 2014:

    Caro Jefferson Mendes,

    Muito obrigado pelos seus comentários.

    Paulo Yokota

  30. João Paulo Barros
    30  escreveu às 14:13 em 30 de agosto de 2014:

    Olá Paulo Yokota e demais comentaristas! Tudo bem? Eu espero que sim. O Japão é um dos países que eu mais respeito. Eu nunca morei no Japão, tenho vontade de ir só como turista e voltar, porém, tenho vontade de aprender a língua japonesa mesmo sem viver no Japão. Eu gosto muito de elementos da cultura japonesa, como gastronomia, mangás e animês, artes marciais.

    Só que o problema do racismo e da xenofobia não são fáceis de se resolver plenamente, mas é possível resolver sim. O fenômeno é mundial e existe até no Brasil, tanto contra estrangeiros quanto entre brasileiros de uma região do Brasil contra brasileiros de outra região do Brasil. O racismo é uma manifestação da ignorância das pessoas. Tem pessoa que é tão complexada, tão fraca intelectualmente e emocionalmente que é capaz de acreditar que o nível de melanina no corpo define a superioridade e a inferioridade das pessoas. O racismo é pura falta de educação adequada. A xenofobia é mais complicada, porque envolve choque de culturas diferentes. Mas também não deixa de ser manifestação da ignorância das pessoas. Uma pessoa ter nascido em outro país, falar, ler e escrever em outra língua e ter outra religião não faz dela uma ameaça. E, a generalização da culpa também caracteriza fraqueza intelectual e emocional. O racista e o xenófobo são pessoas muito mal informadas, que se baseiam em fantasias de suposta superioridade e suposta inferioridade, e fazem isso porque são fechados às suas comunidades e culturas, são alheios ao resto do mundo. Parte da culpa também é da imprensa que, para poder vender mais, estimula o preconceito, a estigmatização étnica para publicar notícias sensacionalistas ao público. O problema pode ser resolvido ou muito diminuído se as pessoas forem muito bem informadas, terem mais contactos com outras culturas.

  31. Paulo Yokota
    31  escreveu às 10:59 em 31 de agosto de 2014:

    Caro João Paulo Barros,

    Obrigado pelos seus comentários.

    Paulo Yokota

  32. Larissa Gomes
    32  escreveu às 18:57 em 21 de fevereiro de 2015:

    Caro Sr. Yokota:

    Na boa, preconceito todos nós temos, seja a pessoa de qual nacionalidade for. Os japoneses de São Paulo e seus descendentes sempre me trataram bem. Estive no Japão, em 2000, e fiquei espantada com a EDUCAÇÃO do povo nipônico. Sou branca e de olhos verdes e fui tratada como uma dama.

    Beijos.

  33. Paulo Yokota
    33  escreveu às 10:06 em 22 de fevereiro de 2015:

    Cara Larissa Gomes,

    Obrigado pelos seus comentários. Os descendentes dos japoneses como os que vivem no Brasil, adquiriram muito do , comportamento local, e V. tem razão quando comenta que todos temos alguns preconceitos, em variados graus. O que me parece é que no Brasil, dada a elevada miscigenação racial e cultura, tende a ser mais baixo, mas existe.
    Quando a sua experiência no Japão, todos os visitantes costumam ser bem recebidos. Oliveira Lima, no seu livro “No Japão…” já no inicio do século XX, ensinava que no começo observa-se os aspectos positivos, e somente com o tempo vai se notando as mazelas. Para uma avaliação adequada há que se considerar a fusão de todas estas observações.

    Paulo Yokota

  34. ricardo oliveira
    34  escreveu às 08:47 em 28 de setembro de 2015:

    Caro Paulo Yokota, parabens pelo seu artigo pois nos obriga a pensar em diversos tipos de discriminacao (perdao pela falta de acentuacao). Resido no Japao ha 11 anos e afirmo que jamais sofri nenhum tipo de discriminacao por ser estrangeiro, mais especificamente brasileiro. Porem, o que mais me espanta eh a discriminacao por parte do proprio brasileiro que foi criado e alfabetizado no pais. Talvez haja casos isolados, mas ja presenciei esse ijime com novatos que chegam para aprender o trabalho sem o devido conhecimento do idioma e a pessoa (brasileiro) tratar de forma arrogante e com menosprezo.

  35. Paulo Yokota
    35  escreveu às 23:13 em 28 de setembro de 2015:

    Caro Ricardo Oliveira,

    Obrigado pelo comentário. Realmente, a discriminação mais lamentável parece-me que é a que nós mesmos cometemos e este tipo do que os japoneses chamam de ijime ocorre com os que pensamos que não se comportam como nós esperamos.

    Paulo Yokota

  36. Mei
    36  escreveu às 21:14 em 6 de setembro de 2016:

    O nome Maria não tem nada a ver, Maria é um nome UNIVERSAL e o Japão também adotou como um nome próprio do país … Maria é um nome japonês tanto quanto MIEKO!

  37. Paulo Yokota
    37  escreveu às 07:56 em 7 de setembro de 2016:

    Cara Mei,

    Obrigado pelo comentário,

    Paulo Yokota


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