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Embrapa Cria Novo Tipo de Tomate

12 de julho de 2018
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais e Notícias | Tags: , ,

Quando a Embrapa enfrenta dificuldades de verbas para a continuidade de suas pesquisas básicas e envelhecimento dos seus pesquisadores, a entidade procura sobreviver clip_image002anunciando resultados no setor de tomate, onde as atividades privadas já são dominantes, apresentando um novo produto com mais licopeno que contribui para a saúde e mais resistente a pragas, exigindo menos uso de agrotóxicos, além de ser mais produtivo.

Cada grama do fruto produzido pela Embrapa tem até 144 microgramas de licopeno contra as concentrações de 40 a 90 microgramas das variedades de tomate-cereja do mercado, segundo artigo publicado no site de O Globo, que merece uma leitura completa

Num artigo de Ana Lucia Azevedo, publicado no site de O Globo, informa-se que pesquisadores da Embrapa usaram técnicas de melhoramento genético para desenvolver uma nova variedade de tomate que contém até três vezes mais licopeno do que a considerada normal. O tomate já tem uma concentração elevada deste elemento, que lhe dá a cor vermelha e protege os seres humanos contra raios solares. Informa-se que o nutriente funciona como antioxidante e está associado à prevenção do câncer, principalmente o da próstata, além de proporcionar outros benefícios. O novo tomate do tipo cereja promete fazer mais bem à saúde não só pela maior concentração de licopeno, mas também por demandar bem menos agrotóxicos na produção por ser mais resistente a pragas comuns, além de ser mais produtivo.

A pesquisa é resultado de anos de estudo de uma equipe da Embrapa Hortaliças, em Brasília. Em parceria com a empresa Agrocinco, empregou técnicas de cruzamento convencionais para desenvolver o novo tomate cereja, batizado como BRS Zamir. Segundo os pesquisadores, ele é três vezes mais produtivo que as variedades comuns, além de um sabor bem mais doce, devido ao equilíbrio entre açúcares e ácidos.

Segundo o pesquisador Leonardo Boiteux, líder do projeto, cinco a oito tomates por dia satisfazem a necessidade diária de licopeno (entre 10 a 60 miligramas) recomendada para a prevenção de doenças como o câncer. E isso se o tomate for consumido cru. Se cozido, o licopeno do fruto se torna mais facilmente assimilável pelo organismo. O licopeno é termoestável e resiste bem ao calor. O tomate seco permanece riquíssimo desse nutriente.

A nova variedade não é transgênica e pode usada tanto no cultivo orgânico quanto no convencional (com agrotóxicos). Já há cultivo orgânico comercial em São José do Rio Preto, em São Paulo. E o Zamir já foi avaliado com sucesso também em plantações em Goiás, Paraná e São Paulo.

A genética clássica foi usada para cruzar tomateiros até chegar ao resultado que se desejava. O grupo empregou técnicas moleculares para identificar os genes associados às características almejadas e em que variedades de tomate eles se expressavam. O tomate tem naturalmente genes de importância nutricional e para a agricultura, como os que conferem resistência a pragas e regulam o crescimento, explica Boiteux. Ao identificá-los, os cientistas cruzaram as variedades certas até chegar ao Zamir. O gene bif faz com que o Zamir bifurque os cachos. Com isso, tem mais flores e, logo, mais frutos. Ele dá até 75 frutos por cacho enquanto que o normal é 12, segundo o pesquisador.

A vulnerabilidade às pragas faz do tomate uma das culturas onde mais se empregam agrotóxicos. Mas este por ter resistência natural maior às pragas, como o fungo oídio, o Zamir precisa de menos proteção. Com isso, a cultura desse tipo de tomate abre caminho para o cultivo com menos uso de agrotóxico.



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