Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Lições de Três Décadas de Crescimento da China

30 de setembro de 2019
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia e Política, Editoriais e Notícias | Tags: , , , , ,

clip_image002Segundo um artigo de Xin Zhiming, publicado no China Daily, depois da primeira metade do século XX sem crescimento econômico, a China conseguiu nas últimas três décadas um desenvolvimento bem acima da média mundial, com muito pragmatismo, aproveitando a sua elevada taxa de poupança e seus recursos humanos, que eram pobres.

A atual tecnologia chinesa de transportes ferroviários rápidos está sendo exportada para muitos países no mundo

De 1913 a 1950, a economia chinesa apresentou um decréscimo médio de -0,02% ao ano, enquanto o resto do mundo apresentava um crescimento anual médio de 1,82%. Inicialmente, para sair desta situação, contou com um planejamento central que falhou na distribuição eficiente dos seus recursos, notadamente seus abundantes recursos humanos. Isto foi descrito por economistas como Justin Yifu Lin e reforçado pelo jornalista Xin Zhiming no China Daily.

Para sair da pobreza, fundou-se em 1949 o People’s Republic of China. optando-se pelo planejamento centralizado que falhou no seu objetivo, ainda que entre 1952 a 1978 tenha conseguido um crescimento médio de 4,4%. No final dos anos 1970, optou-se pela reforma para a economia orientada pelo mercado, acelerando o seu crescimento. Encorajou-se o aumento da produção agrícola e a China conseguiu, entre 1978 a 2018, um crescimento médio de 9,4% ao ano.

Não se menciona no artigo que recebeu um apoio importante dos Estados Unidos que, na OMC – Organização Mundial do Comércio, a China foi considerada uma economia de mercado, ainda que não seguisse todas as suas regras, permitindo-se a importação substancial de seus produtos a custos baixos sem tarifas expressivas, utilizando a abundante mão de obra chinesa.

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Produtos eletrônicos chineses baratos foram importados pelo resto do mundo

A China conseguiu reduzir 740 milhões de pobres em quatro décadas. Utilizou sua elevada poupança e seus abundantes recursos humanos, seguindo as indicações do mercado. Agora conta com produtos de alta tecnologia competitivos no mercado internacional, como os painéis de captação da energia solar bem como baterias eficientes para armazenamento e aproveitamento de energias.

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Painéis de captação de energia solar usados na China e exportados para outros países

Atualmente, a China utiliza empresas do exterior, que conseguem produzir materiais com tecnologia de ponta tanto para o seu mercado interno como para a exportação. Reformas foram efetuadas, mas também continuam contando com algumas empresas estatais na sua economia. Procura o máximo de pragmatismo na sua política, de forma a se manter competitiva no mundo.

Deve-se observar que parte substancial de seus recursos humanos de ponta foi treinada em outros países e hoje conta com todas as condições competitivas na própria China para fomentar as pesquisas que proporcionam conhecimentos que a mantém com elevada eficiência.

Muitas destas iniciativas chinesas podem ser adaptadas para serem aplicadas no Brasil, ainda que não se conte com uma história tão longa como naquele país. As complexidades passadas na China eram expressivas, mais do que as brasileiras atualmente, mostrando que há possibilidades para os brasileiros, se houver um mínimo de pragmatismo na política local.



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