Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Artigo de Thais Oyama Sobre a China na Veja

25 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , , ,

A experiente e competente jornalista brasileira Thais Oyama publicou um artigo especial na revista Veja sobre a China, com o título “China, a próxima revolução”. Baseado em leituras, viagem à China, entrevistas com personalidades, e usando toda a sua experiência no trato de coberturas complexas, ela aponta que existem duas tendências básicas em disputa naquele país que deverão conviver dentro do Partido Comunista Chinês, que controla tudo que é relevante naquele país, nos próximos anos.

Como amplamente divulgado na imprensa mundial, inclusive nos jornais oficiais da China, ela informa que no próximo ano haverá grandes mudanças na liderança política chinesa, com Xi Jianping, atual vice-presidente substituindo o presidente Hu Jintao. E o vice-primeiro-ministro Li Keqiang substituindo o titular atual Wen Jiabao. Segundo a jornalista Thais Oyama, duas personalidades deverão ganhar destaque na China: Bo Xilai, de Chongqing, que é um dos responsáveis pela nova onda de tendência maoísta, e o seu oponente ideológico Wang Yang, de Guangdong, que teria uma tendência mais liberal, da linha de Deng Xiaping.

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Xi Jianping, Li Keqiang, do Bo Xilai e Wang Yang

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O Discurso de Dilma Rousseff na ONU

21 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Destaque, Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , , , ,

Um discurso de estadista. Dilma Rousseff, presidente do Brasil, como é da tradição da ONU, fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da organização. Um discurso forte, cheio de substância, que orgulha todos os brasileiros e as mulheres de todo o mundo, pois ela se colocou na posição de representante delas. Antecedeu o de Barack Obama, que ficou sem o brilho, ofuscado por esta grande figura que se lança como estadista para o cenário internacional, no palco mais qualificado de todo o mundo.

Abriu o discurso qualificando-se como uma voz feminina, representando mais da metade da humanidade, sem pretensão, mas com muito orgulho. Mostrou as credenciais de um país emergente que vem fazendo a sua lição de casa, com condições de contribuir para a solução da atual crise econômica. Colocou claramente que não se trata da disponibilidade de recursos econômicos, mas falta de recursos políticos e, algumas vezes, de clareza de ideias. Mostrou que o problema principal do mundo atual é o desemprego.

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A presidente Dilma Rousseff faz o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU,. Foto: AP

Expressou ser de um país emergente que está no pleno emprego, menos afetado pela atual crise, mas não imune. Que é preciso um novo tipo de cooperação entre desenvolvidos e emergentes. Que há uma crise econômica de governança e de coordenação política.

Que é possível utilizar os mercados internos dos diversos países para ajudar a resolver os problemas. Mas que há necessidade de reformas das instituições financeiras multilaterais e eliminar o protecionismo. Que é preciso combater as causas, havendo uma inter-relação entre desenvolvimento, paz e segurança. E que o Brasil já vem colaborando, podendo ampliar sua ajuda na segurança alimentar, tecnologia agrícola, energia limpa, combate à pobreza.

Que o Brasil é um país onde árabes e judeus vivem pacificamente, não se tolerando o emprego da força. Que medidas preventivas devem ser tomadas e não intervenções depois de ocorridos os conflitos.

Com uma lógica invejável, justificou a pretensão brasileira de um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mostrando a tradição brasileira de soluções diplomáticas das controvérsias. Colocou-se a favor dos direitos humanos, condenando todos os preconceitos. Lamentou que a Palestina ainda não conquistasse o direito a um assento na ONU, que atenderia aos anseios de Israel por paz com seus vizinhos. Tratou dos assuntos de meio ambiente.

Afirmou que o Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Saudou a ONU Mulher, que terá Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, como secretária executiva.

E finalizou: “Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade”. Arrancou aplausos demorados da plateia mais qualificada do mundo.


Dilma Rousseff no Newsweek

20 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , ,

Merecer a capa do Newsweek quando se prepara para ser a primeira mulher a inaugurar a Assembleia Geral das Nações Unidas já é uma consagração. A entrevista concedida em Brasília para Mac Margolis, com citações de diversas personalidades, ao lado de uma ampla matéria que destaca que o Mundo é das Mulheres, excede as expectativas dos brasileiros, mesmo entre os que já a aceitam como uma grande líder ou até quem não notou nela nas últimas eleições.

Os títulos e os leades das matérias são quase apaixonados. “Presidente do Brasil, Dilma Dinamite” (tradução livre de Brazil’s President Dynamite Dilma). “Não brinque com a Dilma, a mulher Presidente do Brasil machista que está crescendo, e está chamando a atenção de todos” (tradução livre de Don’t Mess With Dilma, a woman is President in booming, macho Brazil, and she’s calling all the shots).

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Reprodução da capa do Newsweek e a presidente Dilma Rousseff em foto de Luiz Maximiano

A matéria de capa, bem elaborada, relata uma história de um encontro dela com uma menina chamada Vitória, que perguntou a ela se uma mulher poderia ser Presidente, e ela respondeu que sim. O Newsweek entrevistou-a no seu gabinete em Brasília, cercada de trabalhos relacionados como com a preparação da Copa do Mundo, da eliminação da pobreza absoluta, criação de empregos, do combate à corrupção.

Relata resumidamente a sua vida, desde quando estudante e se engajou na Var Palmares na luta contra o autoritarismo militar sem o uso de armas, sendo capturada e sofrendo torturas, recebeu o diagnóstico de câncer, a vida com sua família em Brasília, a sua escolha como candidata pelo Lula da Silva, um líder carismático.

O artigo está recheado de declarações de personalidades que reconhecem as suas qualidades, que surpreende os que a consideravam uma mera burocrata, e que está dando a sua face para o seu governo, ampliando agora sua presença internacional.

Ela expressou na entrevista a convicção que o Brasil está preparado para enfrentar um mundo onde os Estados Unidos e a Europa lutam para superar as suas dificuldades, minimizando os efeitos da redução do crescimento da economia mundial. Um Brasil que também colabora para resolver os problemas europeus, junto com outros países emergentes.

Informou sobre os recursos que o país dispõe para acelerar o seu desenvolvimento utilizando o seu mercado interno, que vem melhorando a sua distribuição de renda, mostrando um domínio do que tem seu comando.

Mereceu uma declaração de Delfim Netto, qualificado como o czar da economia no período militarista, que afirmou: “Dilma tem a visão para o Brasil, e ela sabe também que não pode violar os princípios da contabilidade” (tradução livre de “Dilma has a vision for Brazil, but she also knows not to violate the principles of international accounting”. Ou seja, não pode gastar mais do que dispõe.

Informa-se que ela ficou satisfeita com a entrevista publicada que deve ser um importante estímulo para a luta que empreende, cujo cenário agora se amplia pelo mundo, ao lado de mulheres que marcaram com suas contribuições para a melhoria do bem-estar de toda a humanidade, com muito pé no chão.


Dois Vizinhos Asiáticos Gigantescos

19 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , , ,

Um artigo publicado no The New York Times e reproduzido no suplemento semanal da Folha de S.Paulo relata algumas notícias sobre estes dois vizinhos asiáticos gigantescos que já tiveram, no passado, alguns conflitos fronteiriços, a China e a Índia. Ambos continuam com crescimentos econômicos a elevadas taxas, transformando problemas em soluções, com suas populações superiores a um bilhão de habitantes. Além de exportarem produtos industriais utilizando seus recursos humanos baratos, agora aproveitam os seus mercados internos no momento em que a economia mundial desacelera o seu crescimento.

O artigo escrito por Vikas Bajaj, de Mombai, recebeu subsídios de Xu Yan, de Xangai, e Joshua Frank, de Pequim, relatando que se existe uma rivalidade ela é unilateral. A China tem uma atitude de quase indiferença com a Índia, comparando-se sempre com os Estados Unidos e a Europa, enquanto os hindus são quase obcecados com o País do Meio. Mas alguns estudos demográficos indicam que, nas próximas décadas, a Índia que conta com uma estrutura populacional mais jovem poderá superar a China, cuja população envelhece rapidamente.

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Tecnologia Ajuda nos Programas Sociais da Índia

19 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , ,

Como é de conhecimento de muitos, a íris humana é que melhor permite a individualização dos seres humanos, e já vem sendo utilizada nos sistemas sofisticados de segurança em instituições que se preocupam com ela. Os conhecimentos da biometria avançaram mostrando que as íris são mais diferenciadas pelos muitos indivíduos. Um artigo publicado no The New York Times, reproduzido no suplemento semanal da Folha de S.Paulo, noticia que, com o projeto Aadhaar (que significa Fundação), a Índia esta utilizando um simples mecanismo que permite a identificação dos seus 1,2 bilhão de habitantes, ligando os desenhos das íris com um número de registro de sua identidade. Seria particularmente útil para que todos sejam beneficiados pelos programas sociais, reduzindo a possibilidade das corrupções que costumam acompanhar a implementação de projetos bem intencionados.

Existem sistemas que permitem a leitura das íris e seus registros mediante o uso da informática, de forma barata e segura. As carteiras de identidades dos indianos podem ter um custo de US$ 3 por habitante, que nada pagará por ela por ser um programa oficial. Muitos indianos não podiam receber os benefícios sociais diante das dificuldades para a sua identificação, pela falta de dados seguros, o que poderá ser superado por este projeto, que certamente poderá ser aplicado em outros países emergentes ou problemas, evitando os desvios que ocorrem com burocratas corruptos.

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Ainda a Questão dos Juros no Brasil

6 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , , | 2 Comentários »

Como registra hoje o professor Antonio Delfim Netto na sua coluna semanal sempre brilhante no Valor Econômico, a reação de muitos analistas à redução de 0,50% na taxa Selic decidida pelo Copom do Banco Central do Brasil parece estar influenciado pelo fígado e não pelo cérebro. Muitos críticos procuram confundir as coisas, para preservarem seus pontos de vista que eram pela manutenção da taxa, ainda que o mundo esteja em desaceleração, com menos pressões inflacionárias. A economia brasileira com a sua atual situação macroeconômica não tem a necessidade de continuar ser a campeã mundial dos juros, mesmo com a redução que começou a ocorrer. O ponto principal dos opositores à queda dos juros parece atribuir a decisão do Copom à pressão do Executivo, acabando com a independência do Banco Central, com o risco de provocar no sistema de metas um aumento das pressões inflacionárias.

Venho insistindo que estes analistas trabalham vendo o vidro retrovisor, analisando somente o passado, mesmo sabendo que qualquer decisão de política monetária demanda muitos meses para que tenha um impacto efetivo na economia. Muitos países estão facilitando a expansão dos meios de pagamento, mas as empresas insistem em manter seus ativos em caixa, diante da falta de confiança no crescimento da economia mundial, cujas estimativas continuam sendo revistas para baixo. Muitos insistem que os serviços estão com seus preços em alta, não reconhecendo que muitos deles deixaram mecanismos de indexação perversos como os relacionados com as tarifas de energia elétrica, comunicações e outros com indexações baseadas no passado, sem incluir uma perspectiva do que vai ocorrer no futuro. E sobre estes preços os juros têm pouco efeito.

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Banco Central do Brasil, Federal Reserve e Banco Central Europeu

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Entendendo as Contribuições de Estrangeiros no Japão

5 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , , | 16 Comentários »

Muitos analistas ficam impressionados com as notícias sobre os casos de políticos japoneses acusados de terem recebidos contribuições de estrangeiros. O jornal japonês The Japan Times de hoje informa que o porta-voz do governo, ministro Osamu Fujimura, explicou que o novo primeiro-ministro Yoshihiko Noda está devolvendo a importância relatada. Isto ocorre, pois muitos coreanos que foram para o Japão quando seu país era colônia nipônica, e que vivem gerações no arquipélago, usam nomes japoneses, mas não possuem a cidadania local.

Como se trata de uma comunidade que vive com certa insegurança, os coreanos procuram se relacionar com a classe política, efetuando contribuições para as campanhas eleitorais. Não podem ser facilmente identificados, mesmo pelas grandes empresas que evitam contratá-los, sem uma investigação acurada. O ministro Osamu Fujimura mostrou-se a favor da mudança da legislação para que eles possam ser considerados, também, cidadãos japoneses.

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Premiê Yoshihiko Noda, ex-premiêNaoto Kan e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Seiji Maehara

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Osamu Fujimura É Chefe do Gabinete do Premiê Japonês

1 de setembro de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Notícias, Política, webtown | Tags: , , ,

Osamu Fujimura é um tradicional membro da Câmara Baixa do Japão eleito por um dos distritos eleitorais de Osaka, que se encontra no sexto mandato. Sempre foi do Partido Democrático do Japão – DPJ, desde quando fazia oposição ao LDJ – Partido Liberal Democrata, que agora está no governo. Grande amigo do Brasil, que visitou muitas dezenas de vezes, ajudando a fomentar a ida de estudantes brasileiros ao Japão. Colaborou ativamente com a Associação dos Japoneses Residentes no Exterior e foi um dos principais dirigentes da Liga Parlamentar Nipo-Brasileira, fomentando o intercâmbio nipo-brasileiro. Foi escolhido hoje ministro chefe do Gabinete do primeiro-ministro Yoshihiko Noda, que corresponde no Brasil à chefia da Casa Civil, como está sendo noticiado por toda a imprensa japonesa. Como São Paulo e Osaka são cidades irmãs, Osamu Fujimura trabalhou também neste intercâmbio.

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Osamu Fujimura sempre foi um político que trabalhou de forma discreta, no estilo do atual primeiro-ministro Yoshihiko Noda, do qual é considerado o braço direito. Poderia ocupar qualquer cargo importante, dentro da composição política na montagem do Gabinete, mas era a pessoa mais indicada para o cargo a que foi designado, que é o principal do governo japonês, organizando todo o funcionamento do Executivo e cuidando das relações tanto com o Legislativo como com o setor privado e a imprensa.

O Brasil conta com este importante conhecedor do país e seu grande admirador, que conhece com profundidade, tanto nas suas dificuldades como nas potencialidades. Ele deve ser o canal mais importante de acesso brasileiro ao Japão. Ao longo de sua carreira, veio cultivando uma profunda amizade com uma rede de brasileiros.

Será uma peça chave para o incremento do intercâmbio nipo-brasileiro, bem como poderá auxiliar na reativação da economia japonesa incrementando o seu intercâmbio com o mundo emergente. Ele acumulou experiências nos assuntos internacionais também como vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão.

É motivo de grande orgulho poder contar com a sua amizade e expressar as esperanças de uma grande gestão, que certamente propiciará grandes contribuições para a intensificação das relações brasileiras com o Japão.


Primeiro Ministro Yoshihiko Noda se Compara ao Dojo

31 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Economia, Editoriais, Gastronomia, Política, webtown | Tags: , , , | 3 Comentários »

Muitos políticos usam imagens conhecidas do público para se autodefinirem, como fez o novo primeiro-ministro japonês Toshihiko Noda, mas não se esperava uma repercussão tão ampla, chegando a merecer um artigo escrito por Yoree Koh e Andrew Joyce no famoso e internacional The Wall Street Journal. Ele se comparou a um dojo, um peixe que hoje só é oferecido em restaurantes tradicionais como o Komakata Dozeu de Asakusa, que é apreciado pelos que conhecem a culinária tradicional do Japão.

Tudo indica que Toshihiko Noda procurou definir-se como um político que procura trabalhar nos bastidores, não pretendendo apresentar-se como um líder vistoso, mostrando-se humilde, como é apreciado pela opinião pública japonesa. Nas primeiras manifestações, ele vem indicando uma grande capacidade de comunicação, ao mesmo tempo em que procura a acomodação com as lideranças tradicionais do seu Partido Democrático do Japão, o DPJ. Seu posicionamento vem agradando aos analistas mais rigorosos, merecendo até comparações com o ex-primeiro ministro Junichiro Koizumi, ainda que não tenha ainda o mesmo carisma. É uma grande esperança para tirar o Japão do marasmo em que se encontra.

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Restaurante Komakata Dozeu e seus pratos com dojo. Fotos: Yoree Koh/The Wall Street Journal

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Dificílima Arte da Política no Japão

30 de agosto de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Cultura, Economia, Editoriais, Política, webtown | Tags: , ,

 

Na cultura japonesa, desenvolvem-se exercícios estratégicos utilizando-se inclusive alguns jogos. O gô, por exemplo, é um jogo para aperfeiçoar os conhecimentos das estratégicas de ocupação de espaços ou territórios. O shogi é uma espécie de xadrez, um pouco mais complicado, pois as peças conquistadas dos adversários que correspondem aos peões, torres, cavalos e bispos podem ser repostas no jogo a seu favor. Há jogadores que conseguem antecipar as alternativas estratégicas para mais de sete jogadas. No caso da atual eleição do novo primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda, muitos jornais japoneses informam sobre os lances que levaram à sua vitória, que ainda precisa ser consolidada com a conquista das facções derrotadas.

O jornal japonês de grande circulação, Yomiuri, relata a sua versão sobre os dois turnos da votação dentro do majoritário DPJ – Partido Democrático Japonês que consagrou Yoshihiko Noda como seu novo presidente. De conformidade com a tradição japonesa, ele foi confirmado na eleição da Dieta. É preciso entender que nas últimas pesquisas efetuadas pelo Nikkei com os parlamentares com direito ao voto era Seiji Maehara, ministro dos Negócios Estrangeiros, que aparecia como o favorito disparado. Ele acabou sendo prejudicado no final pelo escândalo da contribuição de estrangeiros para suas campanhas no passado.

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Isto levou o poderoso, mas controvertido por doações políticas, Ichiro Ozawa, que tem a facção com mais seguidores dentro do partido, junto com os ex-premiês Yukio Hatoyama e Naoto Kan, a apoiar o ministro de Economia, Indústria e Comércio Banri Kaieda. Mas, como reação, os demais parlamentares do partido votaram contra esta composição que está considerada ultrapassada na atual conjuntura japonesa.

No primeiro turno da votação, ninguém conseguiu a maioria necessária. Dos 398 membros do DPJ votantes, 292 eram da Câmara Baixa e 106 dos senadores, sendo que deles três estavam ausentes. Kaieda conseguiu 143 votos, Noda 102 e Maehara 74, quando cinco candidatos disputavam a votação.

Noda e Maehara haviam se comprometido antes que se apoiariam reciprocamente no segundo turno, se necessário. Juntando outros que desejavam derrotar Ozawa, no final Noda acabou ficando com 215 votos, enquanto Kaieda com 177.

Existem muitas questões a serem ainda acertadas, pois o novo primeiro-ministro Yoshihiko Noda pretender uma elevação de tributos para fazer face aos custos da reconstrução e redução da dívida pública. Os problemas de relacionamento com os norte-americanos continuam delicados. Ele pretende um entendimento com os oposicionistas, encontrando resistências dentro do próprio partido. A composição do gabinete, com os diversos ministros e cargos importantes dentro do partido, precisa ser considerada.

Mas tudo indica que existe um clima de rejuvenescimento na política, com a tendência que novos líderes sejam capazes de levar o Japão para uma forte recuperação, que acaba sendo relevante para o resto do mundo.