Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Informações Recentes Vindas do Japão

15 de Março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , ,

Todos os japoneses estão conscientes que tudo deve ser feito para reduzir as possibilidades de pânico quando a população está psicologicamente abalada com as dificuldades por que estão passando. Muitas recomendações das autoridades estão sendo disciplinadamente obedecidas por uma população que desenvolveu uma cultura de uma vida num arquipélago limitado, sem grandes recursos naturais, e sujeito a constantes acidentes naturais. Todos devem ter observado que as terríveis cenas do tsunami divulgadas, que se seguiram ao terremoto recorde de 9,0 graus na escala Richter se referem aos danos materiais, visando evitar qualquer pânico. Para isto contaram com todos os meios de comunicação.

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Os analistas japoneses procuram não expressar suas opiniões nas entrevistas, deixando para as autoridades as divulgações que se baseiam nos dados confirmados. Isto ajuda a evitar a propagação de boatos, pois visões parciais podem distorcer a realidade global do desastre. As informações estão sendo prestadas, com frequência e regularidade, pelas autoridades mais elevadas, do primeiro-ministro ao chefe da Casa Civil, baseadas nos dados fornecidos pelos técnicos. Não se trata de censura, mas a tentativa de evitar impressões que podem estar baseadas em dados que tenham aspectos que visam atrair somente a audiência.

Toda a mídia japonesa procura não explorar a desgraça, e as poucas entrevistas são devidamente selecionadas com todo o cuidado. Os estrangeiros é que não estão envolvidos com o clima vigente, concedendo algumas vezes entrevistas, com suas visões parciais, nem sempre conscientes da longa cultura deste arquipélago.

Explicações exaustivas sobre aspectos técnicos sobre os graves problemas das usinas atômicas de Fukushima continuam sendo prestados por especialistas. As explosões registradas foram devidas ao superaquecimento dos reatores, que registraram defeitos no seu sistema de fornecimento de águas em situação de emergência, diante dos dados provocados pelo tsunami. O aumento do hidrogênio junto com o aquecimento acabou provocando as explosões, com as usinas já desligadas, mas os materiais nucleares utilizados necessitam continuar desaquecidas com águas. Houve até partes das usinas que derreteram.

As radiações aumentaram até limites inaceitáveis, pelos materiais liberados que estavam em contato com os nucleares, inclusive por tentativas de desaquecimento e não por explosões destes como foi o caso de Chernobyl. E estão se espalhando pelas nuvens tendo chegado até Tóquio, em níveis bem baixos.

Continua havendo terremotos, como o que atingiu hoje pela manhã a região de Shizuoka, onde fica a cidade de Hamamatsu, a maior concentração de brasileiros residentes no Japão, entre Tóquio e Nagoya. Este sismo chegou a 6,4 graus na escala Richter, provocando feridos, segundo a NHK. Não há risco de tsunami, pois ocorreu em terra, a baixa profundidade, o que pode provocar mais danos.

As autoridades informam que o nível de radiação nas usinas de Fukushima já baixou um pouco, mas todos os cuidados continuam sendo desenvolvidos, até porque a liberação dos seus efeitos deletérios não foi desprezível.

Há preocupações de analistas do exterior sobre o impacto econômico da atual crise. Não há dúvidas que a curto prazo haverá dificuldades, como os que estão ocorrendo com o abastecimento. Os estudos sérios existentes, como os baseados no terremoto de Kobe, bem como do tufão Katrina e muitos outros desastres naturais, mostram que seu efeito acaba sendo insignificante. Os investimentos efetuados na reconstrução, com a mobilização de toda a população junto com as autoridades acabam estimulando a economia, compensando as dificuldades temporárias.

Quanto ao aspecto relacionado ao elevado endividamento público japonês, é preciso atentar que todo ele está financiado internamente, e os poupadores japoneses estão acostumados com aplicações de longo prazo a juros extremamente baixos. O custo da dívida acaba sendo baixo, e as autoridades monetárias estão tomando medidas para facilitar a expansão do crédito.

Os japoneses são coletivistas, e diante de dificuldades como as presentes, costumam se engajar numa reconstrução nacional, como houve depois dos bombardeios atômicos, crise do petróleo e muitos desastres naturais que sofreram.



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