Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Esplendor nas Relvas, Glória das Flores

9 de abril de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , , ,

“… sentir a alegria de Maio,… do esplendor na relva, da glória na flor…” (Intimations of Immortality, William Wordsworth, 1770-1850).

Há exatamente um ano, quando a presidente Dilma Rousseff chegava a Beijing em sua primeira viagem ao exterior depois de eleita, a China era uma explosão de primavera com mil festivais de flores acontecendo pelo país. Começando esta semana, Xangai promove o seu Festival da Cerejeira atraindo milhares de pessoas para o hanami pelas ruas e parques da cidade, enquanto em Luoyang, província de Henan, o tradicional Festival da Peônia deverá seguir maio adentro.

Se flor da cerejeira cativa chineses, peônia é a flor mítica que simboliza o país, apreciada nos jardins e parques, cultuada na fitoterapia, nas artes e na literatura. Luoyang, às margens do Rio Amarelo, requintada capital nos tempos da dinastia Song (960-1279), é reputada pela quantidade e beleza de suas peônias, das mais diversas variedades. Entre abril e maio, a cidade vive e respira o perfume e o colorido das peônias que vai do branco e rosa ao amarelo e vermelho vivo.

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Peônias de Luoyang; cerejeiras em frente a Tokyo Sky Tree; Flores de cerejeira em Tidal Basin – Washington DC; Michelle Obama planta árvore de cerejeira. Para ver a matéria da NHK sobre cerejeiras, é só clicar neste endereço: Friendship Blossoms

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Língua Franca em Tempos de Comunicação Global

30 de março de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , ,

Karl Marx já teorizava que aptidão em língua estrangeira é arma para se engajar em luta de classes, mas, em tempos de Guerra Fria, o inglês foi banido da China, taxado como “língua imperialista”. Contudo, a língua da Albion sempre fascinou os chineses. O próprio Mao Tse Tung teria sido ávido aprendiz do inglês. Abertura política iniciada a partir de 1978 por Deng Xiaoping tirou chineses de longo isolamento, permitiu-lhes estudar em universidades estrangeiras. Inglês se tornou janela para o mundo.

Programas de aprendizado da língua inglesa, como o Follow Me, da BBC, viraram ícones no país, milhões de chineses seguiam pela tevê, três vezes por semana. Nos anos 1980, proficiência em inglês se tornou pré-requisito para ensino colegial, a seguir para admissão em universidades. Logo, não falar a língua se tornaria forte obstáculo para obtenção de títulos profissionais. Competência em inglês é tão vital que pais se sacrificam para colocar crianças em escolas bilíngues caras, enquanto jovens e maduros se atropelam em centros de aprimoramento dessa língua. Todavia, se questiona o exagero dado à proficiência do inglês como segunda língua (En route to English, China Daily, 23/março/2012).

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Planeta Água

21 de março de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , , ,

Possuindo o maior volume de água doce do Planeta (12% do total) disponível em seus rios, lagos e subterrâneos, o Brasil é terra abençoada pelas águas – embora a sua distribuição não seja uniforme, com 70% dela concentrada na região amazônica. Chuvas abundantes durante o ano todo na maior parte do país, aliadas a condições geológicas e climáticas favoráveis, colaboram ainda na manutenção da extensa e densa bacia hidrográfica brasileira.

Quando desbravadores portugueses adentraram as matas da região que é o atual Estado de São Paulo entre os séculos XVI e XVII, as expedições chamadas Bandeiras partiam de barcos pelo rio Tietê – que nasce nos arredores da Capital, atravessa a cidade, corta o estado de leste a oeste por 1.100 km, e deságua no imenso rio Paraná, na divisa com o Estado do Mato Grosso. No seu longo percurso, o Tietê recebe importantes afluentes; já dentro da Capital, entre outros, os rios Pinheiros e Tamanduateí. Outros grandes rios paulistas, levando inúmeros afluentes, deságuam no Paraná: os rios Paranapanema, do Peixe, Grande, Turvo. Até início dos anos 1950, rios paulistas fluíam entre florestas fechadas, verdejantes de perobas, paus d’alhos, jacarandás, ipês, paineiras, cedros, jatobás. Eram copiosos em peixes: dourados, curimbatás, mandis, piabas, pacus, bagres, lambaris. Na época da piracema, o interiorano se munia de puçás para “pescar no ar” peixes que nadavam rio acima saltando obstáculos para chegarem às nascentes de origem para desovarem. Em lindas cachoeiras como o Salto Botelho no Rio Aguapeí (apelidada injustamente de Rio Feio na região de Adamantina, Lucélia, Valparaíso), era um espetáculo o festival de peixes pulando às centenas, escamas douradas e prateadas brilhando ao sol.

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Cartazes do Dia Mundial da Água

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6º Fórum Mundial da Água, Marselha

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Salto Botelho, Rio Aguapeí, São Paulo-Brasil

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“Onde Canta a Jandaia nas Frondes da Carnaúba”

15 de março de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , , , , , ,

Sabiás ainda gorjeiam entre palmeiras do Maranhão de Gonçalves Dias, e jandaias se alvoroçam pelos coqueirais dos estados do Ceará, do Piauí, e todo o imenso norte-nordeste do Brasil. Aratinga jandaya, da família dos psitacídeos, são idênticas, em tamanho e algazarra que provocam, às maritacas que se agitam sobre arvoredos na cidade de São Paulo. Porém, o corpo é todo colorido de vistoso alaranjado, com verde apenas nas asas e na cauda.

Ao sobrevoar Fortaleza-Ceará a caminho de São Luis do Maranhão, passando por Teresina-Piauí, a Mata dos Cocais impressiona pela imensidão da floresta de coqueiros, característica da região, com sua variedade preservada pela natureza exuberante. Pujantes rios cristalinos banham manguezais ao longo dos quais se misturam palmáceas: carnaúba, buriti, babaçu, oiticica, açaí, jussara, bacaba. Embora desde há muito visados pela exploração extrativista por fornecer ricas matérias-primas, são espécimes tropicais que, devido à pluviometria adequada e topografia conveniente, se reproduzem com grande velocidade. Fazem do Maranhão, chamado “terra das palmeiras”, um estado privilegiado pela natureza para a sobrevivência do homem comum.

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Terminal portuário do Mearim

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Rua Portugal, Centro Histórido de São Luís; Lençóis Maranhenses

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Jandaia Verdadeira – Aratinga Jandaya

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Relacionamentos Pessoais Com os Coreanos

12 de março de 2012
Por: Paulo Yokota | Seção: Depoimentos, Editoriais, Notícias, webtown | Tags: , ,

Meus relacionamentos pessoais com os coreanos começaram na infância quando, na igreja que frequentava, uma família chamada Mita também era muito ativa. Ela tinha vindo do Japão, quando a Coreia ainda era colônia daquele país, no início do século XX. Mais tarde, tive a oportunidade de ajudar na vinda da primeira leva de imigrantes coreanos depois da Guerra da Coreia, como membro do Advisory Committee on Technical Service do World Churches Council, em colaboração com a entidade especializada nos refugiados das Nações Unidas. Finalmente, em torno de 1986, trabalhei numa empresa brasileira supervisionando os escritórios que tínhamos na Ásia, inclusive em Seul, na Coreia.

Nesta época, Seul ainda estava se consolidando como um dos mais ativos Tigres Asiáticos, mas cujo nível de desenvolvimento era ainda modesto. Os coreanos procuravam copiar o que o Japão tinha conseguido, consolidando os primeiros chaebols, e o gerente-geral que tínhamos naquele país, Mr. Sun, tinha uma longa experiência internacional numa delas. Eles já contavam com muitos recursos humanos dedicados a conquistar os mercados externos. A minha semelhança física com um ex-ditador coreano, que ainda estava na ativa, provocava alguns constrangimentos, como o afastamento voluntário da massa popular da minha proximidade quando percorria uma estação de metrô, com meus amigos, em Seul.

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Visão geral da cidade de seu e de seu porto

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Por Uma Coexistência Segura de Pedestres, Ciclistas e Motoristas

8 de março de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , ,

Acidentes envolvendo bicicletas e ciclistas preocupam muito no Japão também. Terceiro país do mundo em número de ciclistas, a bicicleta ganha cada vez mais adeptos no Japão pela sua mobilidade, energia limpa, facilidade de estacionamento e salubridade. É meio de transporte conveniente para fazer pequenas entregas, mães levarem e buscarem crianças na escola, donas de casa irem a compras, idosos ativos circularem. Muito mais gente tem aderido ao uso de bicicletas desde o terremoto de 11 de março há um ano, quando o transporte público bloqueado dificultou milhares de pessoas voltarem para casa.

Em países como Holanda, Alemanha ou Suécia há uma cultura bastante rígida no acatamento das leis que regem o uso da bicicleta como meio de transporte – enquanto no Japão o ciclismo foi sempre encarado mais como opção casual e de lazer, já que transporte público prima pela eficiência. Ciclistas ignoram regras mais básicas de circulação. É comum bicicletas transitarem nas calçadas ou no contrafluxo, ciclistas falando ao celular, curtindo músicas com fones de ouvido; mães estacionam suas bikes no meio fio deixando filhos na garupa enquanto entram para uma comprinha em lojas; embora obrigatório jovens abrem mão de itens de segurança como capacetes, e usam bicicletas de corrida nas ruas: piste bikes, leves e visual legal, mas perigosas para manobras emergenciais, pois contam somente com breque de pedal. O assunto agita mídia e público, abundam acidentes com vítimas envolvendo ciclistas folgados e pedestres desavisados (entre outros: Securing safe cycling for the benefit of all – Daily Yomiuri, 30/nov/2011; Schooling for cyclists, 03/nov/2011 e National bicycle policy needed, 26/fev/2012, Editoriais, The Japan Times).

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Ciclista na Avenida Paulista, ciclovia na Marginal Pinheiros e ciclorrotas na cidade de São Paulo

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Tributo a Pina Bausch

2 de março de 2012
Por: Kazuhiro Kurita | Seção: Depoimentos | Tags: , ,

Nunca entendi muito a dança contemporânea, mas Pina Bausch em pessoa explica que a dança começa exatamente aí mesmo, onde termina a possibilidade das palavras. Palavras evocam coisas, mas quando se entra no campo onde as palavras não alcançam, não existem mais coisas nítidas e bem definidas: apenas a vaga noção de sentimentos, emoções e pensamentos.

É quando se deixa de questionar os movimentos corporais e se passa a apreciar apenas o efeito visual desses movimentos que começa a fruição da dança contemporânea, e a se perceber as sensações exprimidas pelos movimentos. O trabalho de Pina mostrado no filme impressiona pelos dois lados: a vivacidade rítmica rica, criativa e intensa, mas meramente visual, e as recorrentes sensações de angústia e vazio. Segundo Pina, tais sensações estão relacionadas com o objeto central da alma humana que é a eterna busca, o desejo. Objetivos que movem o ser humano nada mais são que camuflagem para justificar e direcionar um insaciável estado de desejo, profundo e permanente, que provém do vazio e resulta em eterna angústia.

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É possível Tirar o Planeta dos Limites da Destruição

2 de março de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , | 7 Comentários »

Fundador do Worldwatch Institute e presidente do Earth Policy Institute (Washington-DC, EUA), instituições ligadas à sustentabilidade mundial, Lester R. Brown é personalidade bastante presente nos dias atuais. Suas ideias claras e aguçadas ajudam-nos a entender como é possível enfrentar os grandes desafios ambientais da humanidade. O Brasil teve a oportunidade de conhecê-lo em agosto de 2009, quando esteve em São Paulo para o lançamento do seu livro traduzido para o português, Plano B 4.0 – Mobilização para Salvar a Civilização, Ed. Ideia Sustentável-2009.

Nele, Lester Brown explica, com grande clarividência informativa para leigos em geral, os desafios do mundo contemporâneo, apresentando dados básicos, listando alternativas, e avaliando seus custos. Embora a visão esteja centrada no meio ambiente, a sua abrangência é mais ampla, fazendo-nos conscientizar que são muito evidentes tanto as ameaças de destruição quanto as alternativas para melhorar a saúde do planeta e dos seus habitantes. Em suma, é possível salvar a civilização das trevas da destruição. As respostas para tanto estão agrupadas em quatro premissas: estabilizar o clima, controlar o crescimento da população mundial, erradicar a pobreza, e restaurar a capacidade de regeneração da base natural da economia. O grande dilema é: entre o ritmo veloz de agravamento das tensões do meio ambiente, e a lentidão da reação dos governantes em geral, teremos tempo para mudar e salvar – antes que o mundo ultrapasse o limite?

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Lester R. Brown e as capas dos dois livros

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Netsuke e Inroh, Objetos de Desejo de Colecionadores

2 de fevereiro de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , | 2 Comentários »

Para suprir falta de bolsos nos vestuários tradicionais (kimono, yukata, kosode), os japoneses usavam uma espécie de nécessaire preso por cordão duplo ao obi (faixa ao redor da cintura), os inroh. Eram caixinhas de metal ou madeira laqueada ornada com pinturas maki-e, e com divisões que serviam para levar medicamentos, fumo, piteira, dinheiro, selos etc.. Para maior segurança, o cordão tinha um fecho (ojime), e, para que o cordão não se soltasse, um pequeno objeto entalhado, netsuke, o prendia ao obi (ne=raiz; tsuke=amarrar, prender).

Pouco maior que o tamanho de um polegar, os netsukes eram esculpidos em materiais variados: osso, chifre, casco de tartaruga, madeira, metal, marfim. Lisinhos, sem arestas nem rugosidades, são agradáveis ao toque. De uso cotidiano até o Período Edo (1615-1868) e feitos por artesãos hábeis em miniesculturas, foram se tornando objetos de rara arte e perícia. Como à gente comum, abaixo da classe dos samurais, não era permitido usar ornamentos nem joias, a crescente classe de ricos negociantes adotou os netsukes como adornos pessoais. Para provê-los, começaram a surgir muitos artesãos escultores, criando escolas e estilos de renome. Ao redor da Restauração Meiji (1868), com os japoneses aderindo ao uso de roupas ocidentais – calças e paletós com bolsos – os inroh caíram em desuso. Mas europeus apaixonados por japonaiserie (coisas e artes japonesas) começaram a descobrir e colecionar esses objetos. Artesãos e escultores continuaram então a fabricá-los visando esses colecionadores.

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Rios da Ásia: Águas de Tensão e Desafio

26 de janeiro de 2012
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos, webtown | Tags: , , | 2 Comentários »

Embora inundações na Ásia tenham ocupado noticiário mundial recentemente, a água, o mais vital de todos os recursos naturais, na verdade emerge como questão chave para a aquele continente justamente pela sua escassez: é a parte mais seca do mundo, não a África. A disponibilidade da sua água potável não é nem a metade da média global de 6.380 m³ por habitante. Se computadas todas as reservas mundiais de rios, lagos e aquíferos, a Ásia tem menos de um décimo da água da América Latina, Austrália e Nova Zelândia, um quarto da dos Estados Unidos, quase um terço da Europa, e fica atrás também da África, por habitante. No entanto, a crescente demanda mundial por água para prover alimentos, produção industrial e abastecimento urbano, está na Ásia, atual locomotiva da economia mundial. O desenvolvimento econômico trouxe consequências drásticas para aumentar a pressão sobre suas águas: a expansão do represamento de recursos hídricos através de represas, barragens, reservatórios e afins, sem que considerações ambientais de longo termo tivessem sido refletidas.

Centro da irrigação global com agricultura centrada na produção do arroz, é também o continente com maior número de represas hidrelétricas. Somente a China, maior construtor de represas do mundo, conta com mais da metade das quase 50.000 grandes represas do planeta. Ainda que a política do uso da água seja fenômeno universal, a economia chinesa do arroz e a natureza peculiar de seus rios (originando-se de altas regiões, com vazão e ímpeto avassalador nas cheias de degelo e das monções) fez o controle da água ser primordial para a governabilidade do país desde a antiguidade.

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