Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Empresas de Descendentes de Japoneses no Brasil

28 de Maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: , , ,

O jornal Valor Econômico noticia, lamentavelmente, que a família Maeda alienou o controle do seu grupo empresarial, que ficou com um fundo, o Arion Capital, controlado por espanhóis, que ainda vai continuar seus exames. Este fundo vem efetuando investimentos no Brasil, tendo começado pelo setor imobiliário. Com isto, desaparece mais um importante grupo empresarial de descendentes de imigrantes japoneses, que aparentemente tem um grande passivo financeiro, que deverá ser reestruturado.

O grupo Maeda foi um dos pioneiros no cultivo do algodão em grande escala, o que vem fazendo há gerações, continuando de controle familiar, com tentativas de profissionalização dos seus executivos. A cultura do algodão envolve riscos elevados, tanto pelos muitos insumos que utiliza como pelas flutuações dos seus preços no mercado internacional, acabando por exigir substanciais créditos rurais. O grupo veio diversificando suas atividades, tanto para soja, pecuária como participação na produção de etanol, entre outros produtos de origem rural.

Apesar dos imigrantes japoneses e seus descendentes serem reconhecidos como grandes contribuintes para o desenvolvimento do setor rural brasileiro, eles não vêm obtendo expressivos resultados empresariais. Hoje, ficaram difíceis de serem destacados os poucos que continuam expressivos na economia brasileira.

Variados motivos podem ser apontados para esta performance, principalmente quando comparadas com os gerenciados por descendentes de outros imigrantes, como italianos, alemães ou de outras origens. Certamente, ter habilidade para cultivos agrícolas não significa que tenham qualidades empresariais para a comercialização, atividades financeiras, agroindustriais ou agrobusiness.

Muitos grupos empresariais familiares, não só de descendentes de imigrantes, enfrentam dificuldades quando continuam suas atividades com a influência das novas gerações e necessitam passar a contar com profissionais como seus executivos. Ainda que muitos destes familiares tenham ótimas formações educacionais, conciliar ponto de vistas diferentes nem sempre é fácil dentro de uma família.

O problema da escala parece ser importante. Muitos são ótimos em pequenas e médias escalas, mas quando passam para grandes escalas empresariais enfrentam várias novas dificuldades, com a tendência para a continuidade de alguns comandos autoritários.

Além da elevada capacidade para trabalhos coletivos, os grupos que continuam se destacando necessitam de líderes com qualidades pessoais, alguns até carismáticos, para conseguir se consolidar como organizações, que sempre inovam nas suas práticas. Cada caso é um caso, sendo difícil generalizar os principais fatores que contribuem para a ascensão e declínio dos grupos, notadamente no setor rural.



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