Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Outra Contribuição de Carlos Ghosn Para o Nikkei

14 de dezembro de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: , , ,

Proporciona-nos uma grande satisfação quando encontramos empresários como Carlos Ghosn com muitos pontos de vista que coincidem com os nossos, mais modestos. No seu terceiro artigo publicado no Nikkei, ele relata a experiência da ultrapassagem da recente crise, que começou com a quebra do Lehman Brothers e espalhou seus efeitos negativos em todo o mundo. Ele fala da necessidade de uma liderança forte, esclarecendo os seus comandados, nos momentos de grande turbulência.

Destaca as diferenças daqueles que almejam resultados de curto prazo, como os observados nos sistema financeiro, dos que têm uma visão mais estratégica de longo prazo, onde os esforços na produção exigem uma perspectiva mais longa. Utiliza a experiência por que passaram na Nissan/Renault que exigiu a eliminação dos desperdícios que existiam na produção, concentrando os esforços para preservarem a sua liquidez, procurando a sinergias que poderiam derivadas das experiências de ambos os grupos.

Carlos Ghosn

Carlos Gosn se preparando para uma entrevista para TV

Ele afirma que quando tudo vai bem, o papel da liderança não é tão importante, mas nos momentos de turbulência exige-se a repetição à exaustão das explicações do que está sendo perseguido. Uma momentânea redução das despesas para acumular energias para uma nova fase de arrancada, selecionando as prioridades.

As pesquisas acumuladas tanto na Renault como na Nissan foram aproveitadas, bem como se procurou as sinergias existentes, evitando-se a duplicação dos esforços para a recuperação. As comunicações ganham relevância, e o exemplo teve que vir de cima, com transparência sobre os resultados perseguidos e atingidos, ou alterações necessárias diante das mudanças do quadro.

Lamentavelmente, muitos países não contam com lideranças empresariais com visões tão lúcidas, e os exageros dos aspectos financeiros levaram muitos às dificuldades enfrentadas por todos. Há que cultivar as perspectivas de prazo mais longo que são as marcas dos estadistas, que também existem no setor privado.

As lideranças precisam ser fortes, com capacidade de comunicação e assumindo suas responsabilidades. Não podem ser substituídas simplesmente pelas forças dos trabalhos coletivos, ainda que os mesmos sejam importantes. Tudo indica que o marasmo por que passa a economia japonesa faz sentir a grande carência de líderes empresariais fortes, ao mesmo tempo em que os políticos não ganham a qualificação de estadistas que conduzam o seu povo para situação de maior estabilidade.

Medidas ousadas passam a ser necessárias, marcando fortes lideranças, que parecem carentes não só no Japão, como em muitos países industrializados, que estão perdendo espaços para as economias emergentes.



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