Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Sobre Sismos e Usinas Nucleares

9 de Maio de 2011
Por: Naomi Doy | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , , , , , | 7 Comentários »

Dando fim à controvérsia que dominou o noticiário da mídia japonesa neste fim de semana, a operadora Chubu Electric Power Co. decidiu acatar o pedido do governo para desligar os reatores da usina nuclear de Hamaoka. Localizada na cidade de Omoezaki, província de Shizuoka, a usina é de vital importância para a região que compreende as industrializadas províncias vizinhas de Aichi, Mie e Gifu.

A vulnerabilidade dos 54 reatores de energia nuclear em operação no Japão ganhou evidência após o terremoto de 11 de março ter provocado a crise da usina de Fukushima Daiichi. O premiê Naoto Kan, ao pedir pela paralização de Hamaoka, observou que estudos sismográficos indicam que há uma possibilidade de 87% de um grande terremoto de magnitude 8.0 Richter ocorrer nessa região de Tokai (mar interno do leste do Japão até a baía de Seto), nestes próximos 30 anos. A Chubu Electric deverá religar os reatores após serem realizadas medidas de prevenção e reforço adicionais contra sismos e tsunamis – o que poderá levar dois ou mais anos.

Chubu-Electric-Powers-Hamaoka-nuclear-plant-in-Shizuoka-prefecture

Usina nuclear de Hamoka, que teve seus reatores desligados

Se a decisão vem satisfazer ativistas, ONGs ambientalistas e moradores locais – que vêm pedindo o fechamento de Hamaoka mais insistentemente após 11 de março, traz também inquietações para as indústrias e empresas da região. Somente a Toyota Motor tem nove linhas de montagem em Aichi, Mie e Gifu, sem falar de outras grandes corporações como a Honda, Suzuki e Mitsubishi. E importantes empresas eletrônicas – Toshiba, Fujitsu, Panasonic. Todas exigindo grande demanda de energia. Há também preocupação com os meses de verão quando o consumo de energia costuma aumentar.

Por outro lado, sismos de diferentes magnitudes continuam a preocupar e afetar o cotidiano das pessoas apesar de em quantidade já bastante reduzida. Há intranquilidade quanto a desmoronamentos de encostas, rachaduras em prédios e casas, liquefação do solo, marés e cheias fortes nesta época do ano. Por que tantos yoshin, tremores secundários e por que tão fortes? Minoru Matsutani, do staff do The Japan Times, elucida muitas dúvidas junto a Yoshiro Ota, da Agência de Meteorologia. Tremores secundários ocorrem porque placas tectônicas e falhas tentam estabilizar as condições de solo alteradas por um grande sismo. Quanto maior a magnitude desse sismo, mais fortes também serão os secundários. A ocorrência destes, após 11 de março, tem sido de longe um recorde na sismografia do Japão – justamente porque dessa vez foi afetada uma imensa área da placa tectônica.

Magnitudes de 9.0 Richter geralmente geram tremores secundários fortes por longo tempo. Este Grande Terremoto do Leste Japonês (Higashi Nihon Daishinsai) foi tão forte que não há registros comparativos nestes últimos séculos sobre o quanto tempo durarão os yoshin. Yoshiro Ota acredita que poderão continuar por pelo menos um ano. Ele acrescenta que o tremor de 11 de março pode ter causado pressão em limites da falha fora da área litorânea do nordeste do Japão. Isso tem causado fortes tremores secundários em lugares que normalmente seriam considerados fora da área deste sismo, como o norte da província de Nagano, o leste da província de Shizuoka e no interior da província de Akita, no extremo noroeste. E é por isso que a Agência de Meteorologia vem incansavelmente alertando o país – quase dois meses após o desastre.

Para saber mais: Why so many aftershocks? Why so large? (The Japan Times)


7 Comentários para “Sobre Sismos e Usinas Nucleares”

  1. Olavo Alves
    1  escreveu às 13:58 em 10 de Maio de 2011:

    Doutor Yokota:

    O Sr. Naoto Kan deu um belo exemplo de como deve agir um político honrado. Por favor, leia a notícia abaixo.

    Kan renuncia a salário até que crise nuclear esteja controlada no Japão:

    http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2011/05/10/kan-renuncia-a-salario-ate-que-crise-nuclear-esteja-controlada-no-japao.jhtm

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 18:22 em 10 de Maio de 2011:

    Caro Olavo Alves,

    Infelizmente o Primeiro Ministro não conta com apoio nem no eleitora (70% são contra a sua gestão, principalmente da crise atual), e nem dentro do seu partido, que vem perdendo as ultimas eleiões parciais. Não é considerado um político de primeira grandeza, não é um estadista como o que o Japão está necessitando no momento. O Japão vai executando o seu trabalho de reconstrução dada a força do seu povo, mas carece de uma liderança forte. Cogita-se do corte de 10% dos salários de todos os servidores públicos, como já se efetuou cortes voluntários de salários do setor privado em outras crises, como a do petróleo. Ele insiste em manter-se no cargo, mesmo sendo contestado pelos eleitores e por seus companheiros. Do jeito que vai o seu partido corre sério risco de perder a maioria na primeria questão de confiança que for apresentada na Dieta.

    Paulo Yokota

  3. Diego
    3  escreveu às 20:24 em 11 de Maio de 2011:

    Prof. Dr. Paulo Yokota:

    Veja este exemplo da força de vontade dos japoneses:

    http://madeinjapan.uol.com.br/2011/05/11/loja-de-conveniencia-reabre-entre-escombros-de-minami-sanriku/

  4. Breno
    4  escreveu às 22:45 em 11 de Maio de 2011:

    É realmente uma controvérsia importante o fato de necessitar de energia e correr risco de novos terremotos. Visto o grande impasse, o governo japones tem uma grande decisão a tomar. Acredito que o mais sensato seria fechar as usinas e lançar mão de fontes alternativas, associado ao estímulo à economia.

  5. Paulo Yokota
    5  escreveu às 22:57 em 11 de Maio de 2011:

    Caro Breno,

    Não se trata somente do Japão, mas países como a França e a Alemanha contam com mais energias nucleares, e procuram a sua utilização de forma mais segura. Acredito que, com o tempo, a matrix energética acabará se alterando, mas vai levar muito tempo e o custo acaba sendo mais elevado, mesmo utilizando alternativas como a solar, eólica e geothermais, entre as mais avançadas.

    Paulo Yokota

  6. Ana Paula dos Santos Silva
    6  escreveu às 13:50 em 12 de Maio de 2011:

    Apesar da redação confusa, não muito clara, acho que consegui entender a mensagem do leitor Breno. Mas é mister ressaltar que o Japão não tem condições de fechar de imediato todas as suas usinas nucleares. O Dr. Naoto Kan já avisou que o país investirá em outras formas de se gerar energia (leiam o O GLOBO de ontem).

    Acho que nem o “Mister M” conseguiria extinguir, prontamente, num passe de mágicas, todas as usinas atômicas do Japão. Deveras, não é algo simples. Mas com a sua reconhecida criatividade, os cientistas nipônicos criarão novas tecnologias mais seguras.

    A Terra do Sol Nascente tem orçamento bilionário em tecnologia, além de contar com grandes grupos econômicos como Mitsubishi Electric, Hitachi, Toshiba, Kyocera, Sony, Panasonic etc. Diga-se de passagem, que até a Honda desenvolve painéis solares.

    Ana Paula dos Santos Silva

  7. Paulo Yokota
    7  escreveu às 14:57 em 12 de Maio de 2011:

    Cara Ana Paula,

    Obrigado pelos esclarecimentos.

    Paulo Yokota


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