Tentando aproximar a Ásia da América do Sul e vice-versa

Apreensões dos Residentes nas Proximidades das Usinas

26 de março de 2011
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais, Notícias | Tags: , , | 4 Comentários »

Procuro aprender e acompanhar com o estoicismo do povo japonês e procuro manter me informado, retransmitir aos que nos honram com suas visitas notícias objetivas baseadas nos fatos. Nota-se, no entanto, um pequeno aumento das apreensões, principalmente dos habitantes e agricultores das regiões mais próximas às usinas do Fukushima Daiichi. As autoridades ainda não conseguem transmitir notícias positivas que mostrem como serão reduzidos os riscos de contaminação radioativa. Muitas informações atualizadas estão sendo transmitidas pelos programas da NHK, como desta manhã de sábado no Brasil, já noite no Japão. E de meios extremamente úteis, como da jornalista Silvia Kikuchi, do IPCTV JP, que retransmite parte da programação da TV Globo do Brasil, que mantém um twitter @silviakikuchi. Ela está localizada num ponto tão estratégico, com a ajuda de muitos amigos, entre os quais tento me incluir.

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As notícias mais atualizadas da noite da sexta feira do Brasil, já manhã do sábado, dia 26 no Japão, e das 12 horas seguintes, não conseguiram registrar avanços nas medidas destinadas a controlar a radiação proveniente da unidade três das usinas de Fukushima. Ela é a potencialmente mais perigosa, pois utiliza plutônio que é mais radioativa que o urânio. As autoridades japonesas, com muito cuidado e com base nas informações que obtêm, informam que as águas marítimas das proximidades acusam uma radiação bem acima das estabelecidas por elas, nada escondendo das dificuldades. Não se têm informações sobre suas causas exatas, mas se supõem que decorrem das tentativas de desaquecimento, ao mesmo tempo em que a radiação no local provocou a internação de alguns funcionários exigindo a suspensão dos trabalhos que estavam sendo efetuados. As autoridades, além do afastamento da população de 20 quilômetros da usina, estão recomendando que voluntariamente o raio de 30 quilômetros seja adotado.

A população regional, muito afetada pela proibição da comercialização de seus produtos, tem consciência que serão indenizados, mas estão apreensivos com as perspectivas futuras, e já reclamam por mais informações sobre elas. Lamentavelmente, mesmo as maiores autoridades, como o chefe da Casa Civil que centraliza a comunicação com a população, não estão em condições de fornecer um prazo para a solução do problema, nem sabem que medidas podem ser tomadas mais adequadamente no momento, mudando de estratégias. Todas as tentativas já efetuadas até agora não proporcionaram os resultados esperados, principalmente na unidade de número 3, ainda que as salas de controle das demais estejam recebendo eletricidade. Nem assistências externas apresentam perspectivas de soluções adequadas, por ora. Os níveis de contaminação, nas mais variadas regiões, estão se reduzindo.

O twitter da Silvia Kikuchi fornece indicações sobre as fontes que proporcionam as informações objetivas da evolução destes dados de radiação, por regiões. Lamentavelmente, o que está acontecendo é um tsunami de informações, ficando difícil selecionar os mais relevantes, como me comunicou o meu amigo professor Kotaro Horisaka, emérito da Universidade de Sophia.

Apesar dos frequentes tremores secundários nas diversas regiões, a vida está procurando voltar ao normal em todo o resto do Japão, e os estudos mostram claramente que tais acidentes naturais acabam estimulando, com as reconstruções necessárias, a ativação da economia, o que certamente acabará acontecendo no Japão, como reconhecido por todos, inclusive analistas de muitos bancos internacionais. Uma redução temporária das atividades é inevitável, mas já postamos sobre os esforços que estão sendo feitos por muitas empresas.

O que podemos expressar é a expressão: “Gambarê, Nippon”, (Esforce-se Japão), que está se tornando o slogan de todos que torcem pelos que residem no Japão.


4 Comentários para “Apreensões dos Residentes nas Proximidades das Usinas”

  1. Jose Comessu
    1  escreveu às 06:12 em 27 de março de 2011:

    Caro Paulo

    A Silvia realmente merece o reconhecimento pelo seu trabalho. Muitas vezes ela "tuita" de dentro do trem ou nas madrugadas fora do expediente.

    Sobre o "Gambare Nippon" , agora com os apagöes , o Japão foi divdido em dois países, com muitas empresas migrando para a parte "clara" .

    No meu post explico melhor essa divisão:
    http://www.pequenascousas.com/2011/03/o-japao-das

  2. Paulo Yokota
    2  escreveu às 11:03 em 27 de março de 2011:

    Caro Jose Comessu,

    Acompanhamos por todos os meios que são possíveis. Realmente, a Silvia Kikuchi presta um trabalho excepcional. Por favor, veja os novos artigos que postei no http://www.asiacomentada.com.br que procura dar algumas informações com as perspectiva de quem esta longe.

    Paulo Yokota

  3. Silvia Kikuchi
    3  escreveu às 08:34 em 29 de março de 2011:

    Olá Comessu!
    Olá Professor Paulo!

    É uma honra ser lembrada por vocês dessa forma!
    Como lembrou o Comessu, geralmente aproveito os minutinhos livres que tenho pra postar no twitter.
    É a minha pequena contribuição à comunidade. Ela merece!

  4. Paulo Yokota
    4  escreveu às 20:15 em 29 de março de 2011:

    Cara Silvia Kikuchi,

    V. está verificando que utilizamos muito as suas dicas para fornecer informações adicionais para todos os interessados nas coisas dos brasileiros no Japão. Parabens pelo seu trabalho.

    Paulo Yokota


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