23 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: Bicicletas de Pequim (Wang Xiaoshuai), dinastias Yuan e Ming, Kublai Khan, Xanadu, Yongle
Sucessivamente, capitais das antigas dinastias chinesas, as cidades de Xian, Luoyang, Kaifeng, Hangzhou e Nanking seriam finalmente substituídas por Da Du ou Yen Tu, posteriormente denominada Pequim, atual Beijing. Kublai Khan, neto de Genghis Khan, ao fundar a dinastia Yuan de etnia mongol, unificou o vasto império chinês e manteve duas capitais: Yen Tu ou Pequim, ao Norte da China, e Shang Tu ou Xanadu, na Mongólia, fortalecendo o seu poder (1279 – 1368).
No fim do século XIV, ao já enfraquecido império mongol Yuan, sucedeu a dinastia Ming (1368 – 1644), que teve seus primeiros tempos de reinado estabelecido em Nanking (Nanjing). Em 1421, o terceiro imperador Ming, Yongle, mudaria definitivamente a capital para Pequim. Para isso construíra a cidade imperial baseada nos padrões de planejamento urbano chinês tradicional: no centro, o imenso complexo palaciano da Cidade Proibida – assim chamada por ser interditada aos mortais comuns. Rodeada por grandes parques abertos e por hutongs, estreitos e sinuosas ruelas entremeadas de palacetes residenciais com pátios internos. A cidade foi cortada por amplas avenidas e foi toda murada, oferecendo cerco e proteção. Para melhor salvaguardar Pequim, a Grande Muralha foi reforçada e ampliada, e recoberta de tijolos.
Centro financeiro de Pequim
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16 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: Adamantina, Bastos, doutores SentaroTakaoka, profilaxia de doenças endêmicas, Shizuo Hosoe | 3 Comentários »
Assinados os acordos do Tratado de Amizade e Comércio Brasil-Japão (1895), os entendimentos levariam a uma relação de profícuo intercâmbio entre os dois países e culminaram com o início da imigração japonesa no Brasil (1908). Uma vez concretizada a chegada dos imigrantes, além dos muitos problemas concernentes, o que mais preocupava líderes japoneses era a quase inexistência de assistência médica aos imigrantes tanto na Capital como no Interior. Muitos imigrantes morriam à mercê da falta de assistência médica, de orientação sanitária, por ignorância mesmo. Epidemias de malária, tracoma, leishmaniose (úlcera de Bauru) e ancilostomíase (amarelão) grassavam pelo Interior.
Em 9 de outubro de 1926, num pequeno prédio da Avenida Liberdade, 66, na cidade de São Paulo, um grupo de japoneses imbuídos de um mesmo sentimento de solidariedade, preocupados com os destinos desses imigrantes, reuniu-se para fundar uma associação de amparo fraterno. A Dojinkai - Sociedade Japonesa de Beneficência do Brasil, com estatutos e regulamentos devidamente registrados. A primeira Diretoria eleita nessa Assembleia teve como diretor-presidente o Sr.Yonosuke Yamada, e diretor-gerente o Dr.Sentaro Takaoka. O então embaixador do Japão no Brasil, Sr.Akira Arioshi, logo se tornaria sócio.
Doutores Sentaro Takaoka e Shizuo Hosoe
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11 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: ceviche, coentro, nattoh, queijos da Normandia, tofu fedorento frito | 2 Comentários »
“Por que tem gente que odeia tanto o coentro?” pergunta Harold McGee, do New York Times, suplemento da Folha de S.Paulo, 17/05/2010. “Por que tanta gente ama o coentro?” replicaríamos nós.
Hoje em dia, o coentro é erva fina da culinária do Nordeste brasileiro, da Ásia, de Portugal, da Espanha, do Peru e alhures. Estudos indicam que predisposição genética pode explicar a rejeição. Ou, simplesmente, talvez seja falta de aventura e boa vontade que nos faz rejeitar de cara certos sabores e odores de comidas que não nos são familiares.
Na verdade, diz-se que o coentro lembra o sabor de sabão para algumas pessoas (que já lamberam sabão?). Para outras, suscita o aroma de roupa de cama infestada de… percevejos. Não sem razão. Segundo Harold McGee, quimicamente, o coentro é composto de fragmentos de moléculas chamados aldeídos, do mesmo tipo dos encontrados em sabões e loções, e em insetos da família de percevejos. Argh!!
Ceviche de corvina e coentro in natura
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8 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Depoimentos | Tags: do neolítico até hoje, exposição de peso, obras de 59 museus
Uma exposição imperdível acontece em Istambul, no Museu Sakip Sabanci da Universidade de mesmo nome desta família. Ela conta com mais de 500 obras excepcionais reunidas em todo o mundo, de 59 museus de 17 países, sendo 19 instituições da Turquia. Faz parte do chamado “Istambul 2010 – Capital Europeia da Cultura”. Inclui desde os que foram descobertos pelos arqueólogos, do período neolítico até hoje, que se encontram em Portugal até a Rússia, da Irlanda até o Catar. Já vi muita coisa boa mundo afora, mas com esta o meu queixo continua caído.
A cidade de Bizâncio, que passou por ocupações dos persas, dos gregos e troianos, transformou-se na capital do Império Bizantino, chamando-se Constantinopla, capital de Roma do Oriente, quando os romanos foram divididos em duas metades. Os bizantinos e romanos deixaram importantes marcas que ainda existem. Com a queda dos romanos, o Império Otomano durou sete séculos. Seu território expandiu-se e contraiu-se ao longo do tempo. Incluiu a Síria e o Líbano. Outras importantes etnias da região perderam seus países, como os armênios e os curdos. Ainda vamos postar mais coisas sobre esta exposição.
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7 de junho de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: carisma de Xangai, conflitos de gerações, mudança de valores, Shanghai Dreams, Wang Xiaoshuai
Anos 1960-1976: sob a doutrina do Pensamento de Mao, Xangai, como outras metrópoles chinesas, teve grande parte da sua população desalojada e enviada para zonas rurais do vasto interior chinês, para aprender com os camponeses. Famílias estabelecidas tiveram suas propriedades confiscadas nas cidades, como relatam as escritoras Xinran e Jung Chang. Outras foram para os campos por livre e espontânea vontade. Perseguindo o ideal marxista/maoísta, os chineses abraçaram a causa comunista experimentado os valores da vida comunitária rural, de igualdade e justiça social. Jovens mães deixaram filhos aos cuidados do Estado ou dos avós. Como no caso das mães das duas escritoras.
O rápido desenvolvimento industrial e a ascensão econômica global da China a partir de 1980 trariam de volta o êxodo dos campos para as cidades. Xangai, então hub da região que mais crescia, no delta do poderoso Yangtsé, era a que mais seduzia jovens em busca de oportunidades.
Vista parcial de Xangai à noite e cartaz de divulgação do filme Shanghai Dreams
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27 de maio de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: Capital Imperial, Dinastia Ming, Massacre de Nanquim, Sun Yatsen
Encruzilhada para aventureiros e descobridores, poetas e artistas, imperadores e revolucionários, Nanjing foi desde sempre o berço da cultura chinesa, aclamada como um das cidades mais bonitas da Terra.
Para o jornalista John Pomfret (Caminhos da China), Nanjing é o lugar “aonde os chineses tradicionalmente iam para lamber suas feridas”, em alusão às muitas vezes em que a cidade acolheu imperadores e súditos fugindo de bárbaros e invasores que saqueavam o Norte do país. Foi assim nos tempos medievais: capital de seis dinastias, quando tribos nômades vindos por trás da Muralha ocuparam o país.
Já no século XIV, Nanjing teve seus tempos áureos quando a Dinastia Ming ali edificou a capital (1368-1421). Hongwu, o primeiro imperador dessa dinastia, ergueu suntuoso palácio protegido por monumentais muralhas. Das muralhas, 70% ainda permanecem. Do palácio, ruínas lembram sua majestade.
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14 de maio de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: Expo Xangai 2010, inundações, Joseph Needham, secas, Usina dasTrês Gargantas
Relata Simon Winchester que um dos planos do historiador Joseph Needham, alojado na cidade de Chongqing para fazer suas pesquisas, era justamente observar a estrutura projetada por Li Bing para conter o ímpeto do Rio Min e que há tantos séculos vinha controlando as águas que se precipitavam de uma escarpa em vertiginosa velocidade. Ele se espantou e se maravilhou com mais esta proeza hercúlea dos chineses. Para Needham, isso se igualava às obras da Grande Muralha e às da construção do Grande Canal, ambas realizadas há 2.000 anos.
Needham não testemunharia o que viria, de fato, a ser feito de hercúleo nos anos vindouros na tentativa não só de domesticação dos rios, como também para fazer face ao espetacular desenvolvimento que vinha demandando cada vez mais a necessidade de maiores recursos hídricos e hidrelétricos. Por exemplo, a construção da gigantesca Usina das Três Gargantas, no Rio Yangtsé, finalizada em 2009, considerado o maior projeto de construção na China desde a Grande Muralha, e que tiraria da Usina de Itaipu o título de maior hidrelétrica do mundo. E de outros quase 80 projetos chineses de hidrelétricas com canais, eclusas, diques, barragens de contenção e explosões de correnteza, que estão atualmente em várias etapas de preparação e construção, em todos os grandes rios da China. Todos eles visando a prevenção de enchentes, geração de energia e transporte fluvial.
Tudo isso, claro, causa milhares de perdas, transtornos, controvérsias e protestos, senão alguns desastres. Segundo o jornalista Thomas Fuller, do The New York Times, em artigo no suplemento da Folha de S.Paulo (12/abril/2010), os países ao longo do Rio Mekong culpam a China e não a natureza quando acontecem episódios de seca devastadora na região como recentemente – acusam os chineses de estarem “sequestrando” as águas dos rios. Apesar de, neste episódio, sólidas evidências científicas levarem a crer que realmente o baixo nível das chuvas fora responsável pela redução dos níveis do rio.
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6 de maio de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: afluentes (Min, barragens, diques, explosões de corredeiras, Han, Jialing), Qinghai, Sichuan, Simon Winchester, Xangai | 8 Comentários »
Xangai – “acima do mar”, sobre águas – fica à beira do Mar Oriental da China, junto ao imenso delta e foz do Rio Yangtsé (no qual está sendo construída a gigantesca Usina de Três Gargantas), e à margem de um afluente deste, o Rio Huangpu. A 300 quilômetros de distância rio acima, na cabeceira do delta, ergue-se soberana e bela a antiga cidade imperial, Nanjing – “Capital do Sul”. E muitas outras grandes metrópoles compõem este mega pólo comercial, industrial, econômico e cultural que rivaliza com outro influente pólo, a da capital Beijing – “Capital do Norte” – a 1.400 quilômetros, próximo de onde deságua o Rio Amarelo, o segundo maior rio da China.
Quando atinge Nanjing, o Yangtsé, o maior e mais extenso rio chinês, já percorreu 6.000 quilômetros desde as suas nascentes no maciço de Kunlun, no Planalto Tibetano, província de Qinghai. Coincidentemente, dois outros grandes e importantes rios chineses, o Mekong (Lacang) e o já citado Amarelo (Huang He), nascem na mesma região de Qinghai, próximo do Himalaia, recentemente abalada por um sismo de 6.9º Richter.
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26 de abril de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Depoimentos | Tags: Blue Note, Bossa Nova, Edu Lobo, Nara Leão | 2 Comentários »
Há mais de 40 anos, em 1967, percorria com um grupo de amigos brasileiros as ruas de Quioto à noite, onde havia uma concentração de bares, quando ouvimos alguém cantando uma música brasileira. Era “Só danço samba…” e, por curiosidade, entramos no bar de onde vinha aquele som familiar. Perguntamos ao cantor como tinha aprendido aquela música que cantava em português e, para surpresa nossa, ele pensava estar cantando em inglês, imitando Sérgio Mendes.
Hoje, tive o privilégio de assistir a um show de Edu Lobo que, além das novas criações, contou a história da origem e cantou canções como as que ele tinha composto para o Teatro de Arena, portanto, há mais de 40 anos. Edu Lobo continua excepcional, como o bom vinho que envelhece, e isto me trouxe muitas gratas lembranças de quanto os asiáticos, notadamente os japoneses, apreciam a boa Música Popular Brasileira. A turnê faz parte do lançamento do seu novo CD.
Nara Leão e Edu Lobo
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15 de abril de 2010
Por: Naomi Doy | Seção: Depoimentos | Tags: China, ideologias, religiões | 4 Comentários »
O jornalista John Pomfret, em Caminhos da China, Ed. Landiscape relata que os jovens universitários chineses na década de 1980 desconfiavam de qualquer tipo de fé: eles estavam saindo de uma doutrinação radical cujo culto fora a Revolução Cultural. Mas depois da abertura pós-Deng Xiaoping, seguida por nova e dura repressão após 4 de junho de 1989 (Tiananmen), já não sabiam em que acreditar. A sociedade chinesa perdia suas referências espirituais. E invejavam agora aqueles que tinham uma fé.
O colapso do comunismo como ideologia levou milhões de chineses a procurarem algo em que se apoiar. Cada vez mais os chineses se voltavam para cultivar o nacionalismo, ou alguma religião. Muitos faziam as adorações escondidos, pois a repressão do governo era severa a qualquer culto sem a autorização do partido.
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