1 de junho de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: agressividade chinesa, investimentos estrangeiros, privados e estatais
São frequentes as notícias sobre investimentos chineses no Brasil, notadamente voltadas a assegurar os seus abastecimentos, com base nos recursos naturais. Na sua coluna semanal, o professor Delfim Netto, no jornal Valor Econômico, registra as diferenças quando são privadas e benvindas com as cautelas que precisam ser tomadas quando se tratam de estatais.
Na China atual, confunde-se o que é privado, e que recebe forte suporte governamental, com o que é estatal. A presença dos chineses, interessados em recursos fundiários e minerais, apresenta algumas potenciais dificuldades de controle das autoridades brasileiras, pois estão totalmente voltadas ao seu abastecimento. Nem sempre obedecem aos mecanismos de mercado internacional, pois os preços de exportação podem estar vinculados aos interesses chineses, que podem diferir dos brasileiros.
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1 de junho de 2010
Por: pauloyokota@gmail.com | Seção: Empresas | Tags: arranjos asiáticos, empresas japonesas, foco na infraestrutura
Um interessante artigo no jornal econômico japonês Nikkei reporta as manifestações da gigantesca Hitachi, que volta suas atenções para as demandas de infraestrutura no mundo, com foco principal na Ásia. Esta empresa volta seus olhos para as potencialidades dos seus negócios, combinando suas experiências na tecnologia da informática e nas maquinarias elétricas pesadas.
De acordo como pronunciamento do seu presidente Hiroshi Nakanishi, a empresa concentrará seus gastos de pesquisa e desenvolvimento nos negócios de infraestrutura. Ela identifica nos países emergentes uma elevada demanda de projetos neste segmento, de forma exponencial. A Hitachi foi escolhida pelo governo chinês para participar de um projeto de uma cidade ecológica, com tecnologia no estado de arte.
Hiroshi Nakanishi, presidente da Hitachi
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31 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: beneficiando a periferia, mais que as economias centrais, recuperação econômica
Um interessante fenômeno está ocorrendo na economia mundial. Diversos dados estatísticos disponíveis, das mais variadas fontes, informam que as economias periféricas, como os principais países do Asean, apresentam recuperações rápidas, que dificilmente continuarão sendo mantidas pelo resto do ano.
O Brasil também vem apresentando estimativas que impressionam, na medida em que indicam crescimentos comparáveis com a Índia e a China. Mas é preciso entender que estas duas economias somente reduziram o crescimento durante a crise mais aguda e continuam crescendo vigorosamente, exigindo medidas para a sua moderação, de forma a não fomentar suas inflações. Enquanto outras tiveram sensíveis decréscimos.
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31 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: economia de recursos escassos, melhoria da infraestrutura, potencialidades de crescimento, serviços básicos
O caminho sempre mais fácil de recuperação ou de aceleração do crescimento de uma economia foi a expansão da construção civil, utilizando muita mão de obra de baixa qualificação, com o risco de provocar uma “bolha”. Isto ocorre hoje na China como no Brasil, e ocorreu nos Estados Unidos, acabando por provocar a crise hoje enfrentada pelo mundo. Precisamos escapar desta armadilha.
O Brasil tem todas as condições para fugir dela, pois sua infraestrutura está relativamente defasada, quando considerada a economia como um todo, ansiosa por crescer mais rapidamente. A sua melhoria provoca uma sensível melhoria de sua eficiência, e todos os recursos disponíveis devem ser mobilizados para este objetivo.
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31 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: comportamento chinês, sua relevância nos problemas atuais
Com o peso econômico e político que a China conquistou no mundo nos anos recentes, todas as grandes questões internacionais dependem de sua posição. É verdade que isto ocorre, também, com a diminuição de poder dos Estados Unidos e da Rússia, enquanto os demais países emergentes ainda não consolidaram seus poderes, mesmo a Índia e o Brasil.
Constata-se que a China, ciente do papel que pode desempenhar, comporta-se com maior cautela em todas as questões, tornando-se o fiel da balança em questões como do Irã e da Coreia do Norte. Em princípio, é contrária a sanções internacionais, mesmo no âmbito do Conselho de Segurança da ONU, onde os chineses possuem o poder de veto.
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30 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Integração | Tags: assuntos econômicos, cúpula dos três governos, primeiro dia, reunião em Jeju
Quem duvida que avance o processo de integração do Extremo Oriente precisa estar atento a esta reunião de cúpula onde participam o presidente sul coreano, Lee Myung-bak, e os premiês Wen Jiabao, da China, e Yukio Hatoyama, do Japão, ainda que este último esteja enfraquecido politicamente. Eles representam as três economias mais importantes da região, que independem de quem está no poder no momento.
A reunião está sendo realizada em Jeju, na Coreia do Sul, e no primeiro dia cuidou dos assuntos econômicos. Eles elaboram em conjunto uma “Visão para 2020”, que dá ênfase aos problemas de investimentos de meio ambiente, tratando de criar um padrão de qualidade para os produtos industriais. Comprometem-se a fazer pesquisas científicas conjuntas para melhoria da qualidade de vida. Como divergem sobre aspectos de comércio, entendem que precisam aprofundar questões relacionadas, inclusive emprego e trabalho.
Yukio Hatoyama, Lee Myung-bak e Wen Jiabao
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29 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Notícias | Tags: dificuldades do premiê Hatoyama, falta de uma liderança marcante, precariedade do governo | 1 Comentário »
Nas últimas eleições parlamentares japonesas, a oposição representada pelo PDJ – Partido Democrata do Japão, apesar de já envolvido em escândalos de contribuições políticas, acabou vencendo o tradicional PLD – Partido Liberal Democrático, desgastado pela sua pouca eficiência.
Entre as promessas eleitorais do PDJ figurava a solução da complexa questão das bases militares norte-americanas em Futanma, em Okinawa. No entanto, o premiê Yukio Hatoyama, cujo partido estava coligado com o PSD – Partido Social Democrata, tendo a líder Mizuho Fukushima como uma das ministras, teve que demiti-la, pois não concordava com a precária decisão sobre esta base militar. Como também acontece com muitos eleitores.
A falta de uma solução razoável provocou o rompimento da precária coalizão. O prestígio do atual governo já estava muito baixo, contando com menos de 20% de suporte dos eleitores, pela incapacidade de formular políticas razoáveis com rapidez.
Assim, os opositores já pedem a demissão do premiê Yukio Hatoyama, num momento crucial para a Ásia, dada as dificuldades entre as duas Coreias. Há um elevado risco da queda do governo, antecipando as eleições, como acontece no parlamentarismo.
O Japão, que ainda não conseguiu recuperar-se da crise econômica, passa a enfrentar também uma grave crise política. Na realidade, não existem fortes lideranças políticas que possam retirar o país deste atoleiro.
29 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: problemas entre as Coreias do Norte e Sul, realocação da base de Futenma
Uma declaração conjunta do Japão e dos Estados Unidos foi divulgada sobre o deslocamento da atual base aérea de Futenma, encravado numa região urbana, criando constantes atritos com os moradores da proximidade. Seria para próximo de Henoko-saki, na mesma província de Okinawa. Apesar de ainda nem todos os detalhes terem sido acertados, esta decisão já começa a provocar reações. O Tratado de Cooperação Mútua e Segurança firmado entre os dois países completa 50 anos e continua sendo importante tanto para o Japão como para a Ásia do Pacífico.
Haja vista a crise que está evoluindo entre as duas Coreias, com os incidentes relacionados aos danos causados numa embarcação militar do Sul, com muitas mortes. O Japão, derrotado na Segunda Guerra Mundial, renunciou a ter seu complexo militar, dispondo somente de um sistema de autodefesa, e depende da presença incômoda de bases norte-americanas no seu território.
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28 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Empresas | Tags: cultura empresarial, desaparecimentos, gerações diferentes, importância na agricultura
O jornal Valor Econômico noticia, lamentavelmente, que a família Maeda alienou o controle do seu grupo empresarial, que ficou com um fundo, o Arion Capital, controlado por espanhóis, que ainda vai continuar seus exames. Este fundo vem efetuando investimentos no Brasil, tendo começado pelo setor imobiliário. Com isto, desaparece mais um importante grupo empresarial de descendentes de imigrantes japoneses, que aparentemente tem um grande passivo financeiro, que deverá ser reestruturado.
O grupo Maeda foi um dos pioneiros no cultivo do algodão em grande escala, o que vem fazendo há gerações, continuando de controle familiar, com tentativas de profissionalização dos seus executivos. A cultura do algodão envolve riscos elevados, tanto pelos muitos insumos que utiliza como pelas flutuações dos seus preços no mercado internacional, acabando por exigir substanciais créditos rurais. O grupo veio diversificando suas atividades, tanto para soja, pecuária como participação na produção de etanol, entre outros produtos de origem rural.
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28 de maio de 2010
Por: Paulo Yokota | Seção: Editoriais | Tags: construção naval, encomendas da PetrobrAs, oportunidades perdidas, planejamento de prazo mais longo
As necessidades atuais de navios-sondas da Petrobras, visando a exploração das reservas já localizadas como no pré-sal, estão estabelecendo uma espécie de política industrial, ainda que não admitida pelo governo federal. Encomendas que envolvem cerca de R$ 50 bilhões, como noticiado na Folha de S.Paulo ontem, exigindo que os mesmos sejam produzidos no Brasil, provoca tais efeitos. Mesmo que as partes relevantes destes navios ainda sejam importadas.
Os que conhecem um pouco da história da indústria naval brasileira devem lembrar-se de que o Brasil já contou com a maior do mundo, chegando a lançar cerca de 2 milhões de TDW de navios ao ano, superando o Japão e a Coreia. A falta de continuidade daquela política levou todo o setor à insolvência, que durou duas décadas, e a recuperação vem ocorrendo lentamente, voltando aos poucos ao mesmo nível de emprego já atingido há décadas.
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